Ler o filme…
25/novembro/2009 por Fernando ZamithEncontro na Internet um blog assinado por Paulo Franke, apaixonado pelo cinema, cujo perfil indica ter 66 anos de idade. Ou seja, entre os anos 50 e 60, um espectador que procurava sempre um jeito de ver o máximo número de filmes possÃvel. Naquele tempo, quem morava numa cidade do interior só podia assistir o filme em cartaz apenas uma única vez. Perdeu, não tinha volta. Só havia exibição por dois dias nos tÃtulos projetados numa sexta-feira e sábado ou então, no domingo que ganhava reprise na segunda-feira. Como guardar um filme na memória? Simples, o cérebro se exercitava para valer, o que explica o poder fantástico das lembranças. Gravava-se cenas inteiras e diálogos na memória. O registro não deixava escapar detalhes. A importancia de um filme era vigorosa. Filmes selaram namoros na sessão da sete da noite. Filmes marcaram despedidas, desalentos. Filmes viraram objeto de culto e afeto. Era possÃvel lembrar de pessoas, rostos na penumbra sempre associados a determinado filme. Um amigo meu foi pedido em namoro por uma garota que nunca vira antes e se dizia moradora da capital em visita à s tias. O pedido aconteceu bem no meio do épico bÃblico “Barrabás”, de 1961, com Anthony Quinn no papel principal.
Entre os anos 50 e 60 só havia um jeito de “ver” um filme de novo e poder “vê-lo” quantas vezes quisesse. Bastava encontrar um exemplar da revista Filmelândia, da Editora Rio Gráfica (hoje Editora Globo). Uma publicação sempre voltada para a produção de Hollywood. Suas capas exibiam só estrelas americanas. Como neste número:
Eis Grace Kelly na capa colorida. Mas as páginas do miolo da revista eram todas em preto e branco. O que Filmelândia trazia de fascinante eram as novelizações do filme, que condensavam para leitura rápida. Um filme de duas horas transformava-se em texto que avançava por cinco ou seis páginas. Não sabÃamos quem fazia a condensação, mas eram eficazes e traziam tanta emoção quanto a imagem em movimento na tela. Olhem só uma página interna:
Este filme se chama “Sublime Tentação” (Friendly Persuasion), de 1956, direção de William Wyler. Durante a Guerra da Secessão, uma famÃlia religiosa (Quakers) se defrontava com o conflito armado e a sua fidelidade à não-violência. Gary Cooper era o patriarca, Dorothy McGuire fazia a mãe e o filho interpretado por Anthony Perkins. Uma história original para a época que deu prestÃgio ao filme que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Quem viu o filme se lembra da canção tema, que tocou muito nas rádios brasileiras, na voz de Pat Boone, extraÃda da trilha original.
Ao folhear a revista, uma página podia surpreender o leitor. Era quase um poster do filme, como neste exemplo:
“A Morada da Sexta Felicidade”, de 1958, foi dirigido por Mark Robson, era um drama sobre uma criada inglêsa que viaja para a China, onde se transforma numa missionária que vai proteger crianças afetadas pela guerra. O paÃs estava sob invasão dos japoneses. O filme é mais lembrado pela participação do veterano ator Robert Donat e sua fala final: “Creio que não nos veremos mais”, diz para a personagem de Ingrid Bergman. Essa fama marcou o público. Donat morreu pouco tempo depois das gravações do filme.
Filmelândia “exibia” em suas páginas meia dúzia de filmes de sucesso e até mesmo o que era considerado uma reprise na seção “Sucessos de Ontem”. Como toda revista, apresentava palavras cruzadas, mas aqui só com nomes e tÃtulos de filmes famosos. E, é claro, havia um pequeno espaço para as músicas do cinema, cujas letras de canções ganhavam este espaço:
Essas imagens foram postadas no blog de Paulo Franke e estão disponÃveis na internet.
Holmes no Brasil.
22/novembro/2009 por Fernando Zamith
Estréia dia 8 de janeiro nos cinemas brasileiros o novo filme sobre o personagem clássico: Sherlock Holmes, o mais famoso detetive da era vitoriana na Inglaterra, cujo escritório na rua Baker, 221-b, em Londres, se transformou num dos endereços mais lembrados do mundo.
Sob direção de Guy Ritchie, “Sherlock Holmes”, o filme, é encarnado por Robert Downey Jr, enquanto o Dr Watson ganha a cara de Jude Law. A trama começa com o envolvimento de uma mulher misteriosa, Irene, papel de Rachel McAdams.
O filme do Presidente e o PT
21/novembro/2009 por Fernando ZamithQuando o cinema biografa um presidente, o cenário é o mesmo. Se o filme é positivo para o homem, os adversários polÃticos esperneiam, garantindo que é pura propaganda polÃtica e empresas que financiaram a pelÃcula tem interesse nos negócios do governo. Dão até esbaforidas capas de revista.
Se o presidente então está em curso de seu mandato, o esperneio é maior ainda. E redatores parecem incorporar espÃritos e apontam similitudes com processos que chamam de divinização. Fazem comparações biblicas, etc e tal. Argumentam que querem fazer do presidente um santo.
Colocam fotos, comparam imagens e tentam fazer a cabeça dos seus leitores. O texto dessas revistas nunca é jornalÃstico. É opinativo ao extremo, mas falam como se estivessem subindo numa pedra para ditar verdades como se delas fossem donos. Acreditam que tem gente que acredita neles piamente.
Sabem de qual filme estou comentando? Do Presidente que tem PT na sua história. Olhem o poster abaixo…
O Presidente é dos Estados Unidos: John Fitzgerald Kennedy.
Seu PT é a sigla do navio que comandou na II Guerra Mundial: o PT-109.
O filme se chama “O Herói do PT-109″, de 1963, uma produção de Warner Brothers, com Cliff Robertson no papel de John Fitzgerald Kennedy, que naquele ano, estava em seu terceiro ano de mandato. Seis meses depois do lançamento nos cinemas americanos, Kennedy seria assassinado em Dallas, Texas.
Não, não, o filme não fala dele como presidente. Nem cita o seu partido, o Democrata. Tratava só da juventude e do passado dele na II Guerra Mundial, como tenente da Marinha que servia no barco de guerra equipado com torpedos (o PT-109 do tÃtulo). O barco foi afundado em 1943 por um destróier japonês.
Sim, sim, “O Herói do PT-109″ condensava situações, alterava o que aconteceu na realidade, colocava frases na boca do jovem tenente que ele jamais disse para torná-lo um herói sem defeitos, um homem que salvou seus companheiros quando o barco de guerra foi cortado ao meio por um destróier japonês.
Fazer filmes que endeusam presidentes não é novidade. E o esperneio de quem não gosta também não é jamais original.
A propósito: PT significa barco-patrulha. Cliff Robertson é o ator que faz o jovem John Kennedy, uma escolha aliás do próprio Presidente, cuja mulher, Jacqueline Kennedy preferia mais Warren Beatty…
Eis algumas imagens: a equipe original comandanda por Kennedy e duas cenas do filme com Cliff Robertson:
Versão brasileira Herbert Richers…
20/novembro/2009 por Fernando Zamith
A TV brasileira foi inaugurada em 1950 e chegou a exibir séries legendadas como “O Paladino do Oeste”, com Richard Boone, mas as letras brancas na imagem em preto e branco eram péssimas para leitura. Naquele tempo já havia uma série dublada em estúdio localizado em São Paulo:: “Rin-Tin-Tin“, as aventuras do cão pastor alemão mascote de um regimento da cavalaria. Ouvir os personagens em português - Tenente Rip Masters, o pequeno Cabo Rusty, Sargento O´Hara - era o máximo. Na década de 50, Herbert Richers estava no Rio de Janeiro, já como produtor, descobrindo nomes famosos da comédia. Três anos depois da inauguração da TV no Brasil, ele teve olhos para a dublagem e fundou a sua empresa. Conciliou os negócios de dublagem com produção de filmes.
Â
Como produtor, assinou filmes importantes como “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, baseado no clássico romance de Graciliano Ramos e “Assalto ao Trem Pagador” (1962), de Roberto Farias. Foi operador de câmera em “Amei Um Bicheiro” (1952) e autor do roteiro de “Um Candango na Belacap” (1961).
Nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, Herbert Richers morreu em razão de complicações por insuficiência renal. Seu corpo foi cremado.
No link abaixo, acesse a Jovem Pan On Line e ouça a frase famosa:
http://jovempan.uol.com.br/videos/morre-herbert-richers-pioneiro-da-dublagem-37889,1,0
Lula no cinema
19/novembro/2009 por Fernando ZamithO Filho do Brasil.
19/novembro/2009 por Fernando ZamithUm filme pode influenciar uma eleição? Um filme pode ajudar a transferir votos? Um filme tem a capacidade de alterar opiniões? Essas perguntas - ainda sem respostas - estão na boca de adversários e simpatizantes do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo filme biográfico - LULA, O FILHO DO BRASIL - emocionou uma platéia de 1.300 pessoas no Festival de Cinema de BrasÃlia. Essa produção de R$ 12 milhões de reais captados de investidores privados pretende ser uma biografia da infância à época da última grande greve metalúrgica no ABC paulista em 1980.
“Lula, o Filho do Brasil” baseia-se em episódios reais da vida do lÃder operário. E vai estreiar na tela justamente num momento positivo para o hoje polÃtico Lula, em seu segundo mandato presidencial. Popularidade em alta, carisma cada vez mais reconhecido, simpatia dos colegas internacionais e uma profusão de fatos que deixam, é claro, seus adversários irritados, embora este não passem recibo.
E não é que ele disse que a crise internacional seria uma marolinha no Brasil? E não é que comentaristas, analistas polÃticos e até mesmo alguns simpatizantes achavam que o homem estava exagerando? E não é que ele estava certo…pelo menos até o momento? Um detalhe: o filme não cita o PT e termina em 1980 com uma cena que faz uma elipse para a BrasÃlia no dia da posse de seu primeiro mandato.
Quem admira Lula sairá do cinema encantado. Quem detesta Lula, pode até hesitar em dizer que não se emocionou e sairá dizendo que o filme tem finalidades eleitorais em favor do candidato que apoiará em 2010, o ano de eleição do seu sucessor. Quem se considera neutro diante do carisma de Lula, poderá sair do cinema hesitando diante da singular trajetória de um brasileiro saÃdo da miséria e que chegou hoje, como presidente da República, a ser cotado em 33º lugar entre os 100 principais personalidades mundiais, conforme a prestigiada revista Forbes.
E os crÃticos de cinema? Se ler alguns jornais, encontrará crÃticas incomodadas afirmando que é um filme biográfico ruim, etc. etc. Ou então, mal ocultando algum ressentimento, disparando que como cinema não vai além de uma historinha bem contada. Em resumo: ninguém ficará indiferente. Afinal de contas, como diz o slogan publicitário de “Lula, o Filho do Brasil”, você já conhece esse homem, mas não conhece sua história. E é para esse público que o filme de Fabio Barreto se dirige. A estréia será no dia 1º de janeiro.
Assista ao trailer de “Lula, o Filho do Brasil” na Jovem Pan On Line. Basta clicar neste link:
http://jovempan.uol.com.br/videos/filme-vira-tema-de-debate-politico-37794,1,0
O homem que criou 007
17/novembro/2009 por Fernando Zamith
Ian Fleming (1908-1964), o criador de James Bond, dedicou-se ao seu personagem por um curto perÃodo de tempo. Dos seus 56 anos de vida, somente os últimos 11 foram dedicados à literatura.
Como sofria de depressão, seu médico sugeriu que escrevesse histórias, algo que lhe era muito peculiar, pois como oficial da marinha britânica que viveu os anos da II Guerra Mundial (1939-1945) tinha o que contar. Afinal, participou ou coordenou várias operações de inteligência no Serviço Secreto, cujos detalhes inspiraram suas histórias.
E assim seguiu orientação de seu médico e passou a escrever novelas de espionagem. Surgiu o primeiro livro do agente com licença para matar: Casino Royale, publicado em 1953. O escritor morreu de um ataque no coração em 1964, a tempo de ver sua criação se tornar um grande e surpreendente sucesso no cinema.
Em vida, ele assistiu à gravação de “O Satânico Dr. No” (1962), “Moscou Contra 007″ (1963) e “007 Contra Goldfinger” (quando este último foi lançado, o escritor já estava morto). Na imagem abaixo, Ian Fleming conversa com Sean Connery durante a produção do primeiro filme do agente 007.
No Brasil, uma curiosidade. O livro “Moscou Contra 007″ foi lançado originalmente (antes de o filme ser produzido) como “Espionagem“, enquanto “007 Viva e Deixe Morrer” ganhou uma edição original sob o tÃtulo de “Os Outros Que Se Danem”.
Todos os seus livros ganharam adaptação para o cinema, restando agora apenas alguns contos inéditos no cinema que podem servir de ponto de partida para os futuros filmes de James Bond com pelo menos a assinatura de Ian Fleming. No Brasil dos anos 60, os contos foram lançados em dois volumes que tiveram os os tÃtulos de “Para Você Somente” e “Octopussy”.
Do livro “Para Você Somente”, os contos “From a View to a Kill” serviu de base para o filme “007 Na Mira de Assassinos”, de 1985; “For Your Eyes Only” transformou-se em “007 Somente para Seus Olhos”, de 1981; “Quantum of Solace” virou o recente “007 Quantum of Solace” (2009). Restam ainda inéditos em cinema os contos “Risico” e “The Hildebrand Rarity”, embora alguns detalhes tenham sido explorados vagamente nos filmes.
Ian Fleming deixou um filho, Casper que morreu de uma overdose de drogas no ano de 1974. Uma curiosidade: o escritor morreu no dia do aniversário de Casper (12 de agosto), quando este tinha 12 anos de idade. Sua mulher viveu até 1981: Anne Geraldine fora casada antes com um lorde inglês, com quem teve um filho, Raymond.
O novo filme de James Bond está sendo chamado pelos produtores de “Bond 23″, um tÃtulo de trabalho. Por enquanto, mistério sobre o argumento que será baseado num dos contos de Ian Fleming. Aliás, ele escreveu um livro-reportagem chamado “Cidades Fascinantes”, editado nos anos 60 no Brasil. E também é dele uma história, cujo tÃtulo é este: “James Bond em Nova York”.
Janet Munro (1934-1972)
13/novembro/2009 por Fernando Zamith
Quem tem mais de 50 anos hoje sabe quem é Janet Munro, atriz britânica que morreu jovem aos 38 anos em 1972. E essa geração a descobriu em “A Lenda dos Anões Mágicos” (Darby O´Gill and the Little People), de 1959, produção Disney baseada no folclore irlandês.
Uma singular curiosidade, neste filme, Janet contracena com um ator então novato chamado Sean Connery, que viria a ser mais tarde James Bond e consolidou-se como celebridade. Olhem o casal…
Â
Janet atuou em outros filmes juvenis e de aventura produzidos pela Disney: “O Terceiro Homem da Montanha” (1959), como a apaixonada por um jovem alpinista em busca da superação do medo e “A Cidadela dos Robinsons” (1960), como a filha mais velha de uma famÃlia náufraga numa ilha sob ataque de piratas.
Se a imagem de Janet permaneceu como a jovem sempre adorável e sorriso cativante, é uma surpresa encontrá-la sensual num filme de ficção-cientÃfica que não faria feio nesses tempos de produções apocalÃpticas como “2012″.
Esse filme se chama “O Dia em que a Terra Pegou Fogo” (The Day The Earth Caught Fire), (1961). Rodou recentemente na programação do Telecine. Um raro momento para uma atriz que morreu cedo demais para sua vida de artista.
Depois do seu segundo divórcio (do ator Ian Hendry), ela afundou-se na bebida e acabou contraindo uma inflamação na membrana do coração, que acabou matando-a em 1972.
No apagão com Doris Day…
13/novembro/2009 por Fernando Zamith
Um parte considerável dos Estados Unidos, ao redor de Nova York, e outra fatia do Canadá mergulharam num grande apagão em 1965. Mais de 25 milhões de pessoas amargaram o breu ao longo de 12 horas. Reza a lenda que nove meses depois houve um súbito aumento da natalidade. Teve gente que dormiu no escritório. Nada funcionava sem eletricidade. Mas, acredita-se que a libido esteve em alta...
O caos inspirou Hollywood a produzir um filme curioso: uma comédia com Doris Day. “Onde Estavas Quando as Luzes se Apagaram?”, (1968) - perguntava o tÃtulo desse filme hoje raro. Nem passa pela TV aberta tampouco foi visto em algum canal da televisão por assinatura. O argumento parece uma biografia disfarçada de Doris Day que, na vida real, era uma excelente cantora e como atriz sempre teve bom desempenho. Por suas comédias românticas, geralmente ao lado de Rock Hudson, ganhou a imagem da sempre virgem.
Pois, neste filme sobre o blecaute de Nova York, seu papel é o de uma atriz apelidada de “A Virgem”. Ela está cheia de tudo e anuncia que pretende se aposentar do cinema para cuidar do filho. Mas, acaba flagrando marido com outra. Em parafuso, sai de casa e acaba em meio ao tumulto gerado na cidade pelo grande blecaute. Não há DVD deste filme no Brasil, mas seria interessante relançá-lo, enquanto algum cineasta brasileiro não tenha idéia de fazer o seu filme sobre o que 18 estados viveram no mais recente apagão.
Blecaute já foi tema de uma peça americana nunca encenada no Brasil. Chama-se justamente “Blackout” e se inspirou num apagão registrado em Nova York no ano de 2003. Muita gente ficou aterrorizada naquele ano, julgando que se tratava de uma ação terrorista. Afinal de contas, o 11 de setembro de 2001 virou um fantasma presente no cotidiano americano. Eis o cartaz dessa peça:



























