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O filme do Presidente e o PT

21/novembro/2009 por Fernando Zamith

Quando o cinema biografa um presidente, o cenário é o mesmo. Se o filme é positivo para o homem, os adversários políticos esperneiam, garantindo que é pura propaganda política e empresas que financiaram a película tem interesse nos negócios do governo. Dão até esbaforidas capas de revista.

Se o presidente então está em curso de seu mandato, o esperneio é maior ainda. E redatores parecem incorporar espíritos e apontam similitudes com processos que chamam de divinização. Fazem comparações biblicas, etc e tal. Argumentam que querem fazer do presidente um santo.

Colocam fotos, comparam imagens e tentam fazer a cabeça dos seus leitores. O texto dessas revistas nunca é jornalístico. É opinativo ao extremo, mas falam como se estivessem subindo numa pedra para ditar verdades como se delas fossem donos. Acreditam que tem gente que acredita neles piamente.

Sabem de qual filme estou comentando? Do Presidente que tem PT na sua história. Olhem o poster abaixo…

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O Presidente é dos Estados Unidos: John Fitzgerald Kennedy.

Seu PT é a sigla do navio que comandou na II Guerra Mundial: o PT-109.

O filme se chama “O Herói do PT-109″, de 1963, uma produção de Warner Brothers, com Cliff Robertson no papel de John Fitzgerald Kennedy, que naquele ano, estava em seu terceiro ano de mandato. Seis meses depois do lançamento nos cinemas americanos, Kennedy seria assassinado em Dallas, Texas.

Não, não, o filme não fala dele como presidente. Nem cita o seu partido, o Democrata. Tratava só da juventude e do passado dele na II Guerra Mundial, como tenente da Marinha que servia no barco de guerra equipado com torpedos (o PT-109 do título). O barco foi afundado em 1943 por um destróier japonês.

Sim, sim, “O Herói do PT-109″ condensava situações, alterava o que aconteceu na realidade, colocava frases na boca do jovem tenente que ele jamais disse para torná-lo um herói sem defeitos, um homem que salvou seus companheiros quando o barco de guerra foi cortado ao meio por um destróier japonês.

Fazer filmes que endeusam presidentes não é novidade. E o esperneio de quem não gosta também não é jamais original.

A propósito: PT significa barco-patrulha. Cliff Robertson é o ator que faz o jovem John Kennedy, uma escolha aliás do próprio Presidente, cuja mulher, Jacqueline Kennedy preferia mais Warren Beatty…

Eis algumas imagens: a equipe original comandanda por Kennedy e duas cenas do filme com Cliff Robertson:

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Versão brasileira Herbert Richers…

20/novembro/2009 por Fernando Zamith

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Morreu aos 86 anos de idade, Herbert Richers. Paulista de Araraquara, sua vida está ligada definitivamente ao cinema desde a juventude. Fez de tudo. Foi operador de câmera nos anos 50, produtor nas décadas seguintes e ao atuar no ramo de distribuição de filmes entrou no caminho da dublagem.

A TV brasileira foi inaugurada em 1950 e chegou a exibir séries legendadas como “O Paladino do Oeste”, com Richard Boone, mas as letras brancas na imagem em preto e branco eram péssimas para leitura. Naquele tempo já havia uma série dublada em estúdio localizado em São Paulo:: “Rin-Tin-Tin“, as aventuras do cão pastor alemão mascote de um regimento da cavalaria. Ouvir os personagens em português - Tenente Rip Masters, o pequeno Cabo Rusty, Sargento O´Hara - era o máximo. Na década de 50, Herbert Richers estava no Rio de Janeiro, já como produtor, descobrindo nomes famosos da comédia. Três anos depois da inauguração da TV no Brasil, ele teve olhos para a dublagem e fundou a sua empresa. Conciliou os negócios de dublagem com produção de filmes.

 

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Eis Herbert Richers desse tempo, diante de equipamentos de estúdio de som. Essa imagem circula na Internet, ao lado de comentários sobre a memória afetiva de três gerações que viram diante da televisão filmes e séries famosas a seguinte frase: “Versão brasileira…Herbert Richers”. Não há quem não tenha escutado essas palavras que duram seis segundos para serem captadas.

Como produtor, assinou filmes importantes como “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, baseado no clássico romance de Graciliano Ramos e “Assalto ao Trem Pagador” (1962), de Roberto Farias. Foi operador de câmera em “Amei Um Bicheiro” (1952) e autor do roteiro de “Um Candango na Belacap” (1961).

Nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, Herbert Richers morreu em razão de complicações por insuficiência renal. Seu corpo foi cremado.

No link abaixo, acesse a Jovem Pan On Line e ouça a frase famosa:

http://jovempan.uol.com.br/videos/morre-herbert-richers-pioneiro-da-dublagem-37889,1,0

Tags: dublagem, filmes, legendas, séries, televisão
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Lula no cinema

19/novembro/2009 por Fernando Zamith

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Eis o poster de “LULA, O FILHO DO BRASIL”, cujo destaque maior vai para Dona Lindu, a mãe do líder sindical e hoje Presidente da República.

Tags: biografia, política, poster, realidade
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O Filho do Brasil.

19/novembro/2009 por Fernando Zamith

Um filme pode influenciar uma eleição? Um filme pode ajudar a transferir votos? Um filme tem a capacidade de alterar opiniões? Essas perguntas - ainda sem respostas - estão na boca de adversários e simpatizantes do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo filme biográfico - LULA, O FILHO DO BRASIL - emocionou uma platéia de 1.300 pessoas no Festival de Cinema de Brasília. Essa produção de R$ 12 milhões de reais captados de investidores privados pretende ser uma biografia da infância à época da última grande greve metalúrgica no ABC paulista em 1980.

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“Lula, o Filho do Brasil” baseia-se em episódios reais da vida do líder operário. E vai estreiar na tela justamente num momento positivo para o hoje político Lula, em seu segundo mandato presidencial. Popularidade em alta, carisma cada vez mais reconhecido, simpatia dos colegas internacionais e uma profusão de fatos que deixam, é claro, seus adversários irritados, embora este não passem recibo.

E não é que ele disse que a crise internacional seria uma marolinha no Brasil? E não é que comentaristas, analistas políticos e até mesmo alguns simpatizantes achavam que o homem estava exagerando? E não é que ele estava certo…pelo menos até o momento? Um detalhe: o filme não cita o PT e termina em 1980 com uma cena que faz uma elipse para a Brasília no dia da posse de seu primeiro mandato.

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Quem admira Lula sairá do cinema encantado. Quem detesta Lula, pode até hesitar em dizer que não se emocionou e sairá dizendo que o filme tem finalidades eleitorais em favor do candidato que apoiará em 2010, o ano de eleição do seu sucessor. Quem se considera neutro diante do carisma de Lula, poderá sair do cinema hesitando diante da singular trajetória de um brasileiro saído da miséria e que chegou hoje, como presidente da República, a ser cotado em 33º lugar entre os 100 principais personalidades mundiais, conforme a prestigiada revista Forbes.

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E os críticos de cinema? Se ler alguns jornais, encontrará críticas incomodadas afirmando que é um filme biográfico ruim, etc. etc. Ou então, mal ocultando algum ressentimento, disparando que como cinema não vai além de uma historinha bem contada. Em resumo: ninguém ficará indiferente. Afinal de contas, como diz o slogan publicitário de “Lula, o Filho do Brasil”, você já conhece esse homem, mas não conhece sua história. E é para esse público que o filme de Fabio Barreto se dirige. A estréia será no dia 1º de janeiro.

Assista ao trailer de “Lula, o Filho do Brasil” na Jovem Pan On Line. Basta clicar neste link:

http://jovempan.uol.com.br/videos/filme-vira-tema-de-debate-politico-37794,1,0


Tags: biografia, greve, história, líder, política, sindicalismo
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O homem que criou 007

17/novembro/2009 por Fernando Zamith

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Ian Fleming (1908-1964), o criador de James Bond, dedicou-se ao seu personagem por um curto período de tempo. Dos seus 56 anos de vida, somente os últimos 11 foram dedicados à literatura.

Como sofria de depressão, seu médico sugeriu que escrevesse histórias, algo que lhe era muito peculiar, pois como oficial da marinha britânica que viveu os anos da II Guerra Mundial (1939-1945) tinha o que contar. Afinal, participou ou coordenou várias operações de inteligência no Serviço Secreto, cujos detalhes inspiraram suas histórias.

E assim seguiu orientação de seu médico e passou a escrever novelas de espionagem. Surgiu o primeiro livro do agente com licença para matar: Casino Royale, publicado em 1953. O escritor morreu de um ataque no coração em 1964, a tempo de ver sua criação se tornar um grande e surpreendente sucesso no cinema.

Em vida, ele assistiu à gravação de “O Satânico Dr. No” (1962), “Moscou Contra 007″ (1963) e “007 Contra Goldfinger” (quando este último foi lançado, o escritor já estava morto). Na imagem abaixo, Ian Fleming conversa com Sean Connery durante a produção do primeiro filme do agente 007.

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No Brasil, uma curiosidade. O livro “Moscou Contra 007″ foi lançado originalmente (antes de o filme ser produzido) como “Espionagem“, enquanto “007 Viva e Deixe Morrer” ganhou uma edição original sob o título de “Os Outros Que Se Danem”.

Todos os seus livros ganharam adaptação para o cinema, restando agora apenas alguns contos inéditos no cinema que podem servir de ponto de partida para os futuros filmes de James Bond com pelo menos a assinatura de Ian Fleming. No Brasil dos anos 60, os contos foram lançados em dois volumes que tiveram os os títulos de “Para Você Somente” e “Octopussy”.

Do livro “Para Você Somente”, os contos “From a View to a Kill” serviu de base para o filme “007 Na Mira de Assassinos”, de 1985; “For Your Eyes Only” transformou-se em “007 Somente para Seus Olhos”, de 1981; “Quantum of Solace” virou o recente “007 Quantum of Solace” (2009). Restam ainda inéditos em cinema os contos “Risico” e “The Hildebrand Rarity”, embora alguns detalhes tenham sido explorados vagamente nos filmes.

Ian Fleming deixou um filho, Casper que morreu de uma overdose de drogas no ano de 1974. Uma curiosidade: o escritor morreu no dia do aniversário de Casper (12 de agosto), quando este tinha 12 anos de idade. Sua mulher viveu até 1981: Anne Geraldine fora casada antes com um lorde inglês, com quem teve um filho, Raymond.

O novo filme de James Bond está sendo chamado pelos produtores de “Bond 23″, um título de trabalho. Por enquanto, mistério sobre o argumento que será baseado num dos contos de Ian Fleming. Aliás, ele escreveu um livro-reportagem chamado “Cidades Fascinantes”, editado nos anos 60 no Brasil. E também é dele uma história, cujo título é este: “James Bond em Nova York”.

Tags: ação, adaptação, aventura, biografia, espionagem, literatura, roteiro
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Janet Munro (1934-1972)

13/novembro/2009 por Fernando Zamith

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Quem tem mais de 50 anos hoje sabe quem é Janet Munro, atriz britânica que morreu jovem aos 38 anos em 1972. E essa geração a descobriu em “A Lenda dos Anões Mágicos” (Darby O´Gill and the Little People), de 1959, produção Disney baseada no folclore irlandês.

Uma singular curiosidade, neste filme, Janet contracena com um ator então novato chamado Sean Connery, que viria a ser mais tarde James Bond e consolidou-se como celebridade. Olhem o casal…

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Janet atuou em outros filmes juvenis e de aventura produzidos pela Disney: “O Terceiro Homem da Montanha” (1959), como a apaixonada por um jovem alpinista em busca da superação do medo e “A Cidadela dos Robinsons” (1960), como a filha mais velha de uma família náufraga numa ilha sob ataque de piratas.

Se a imagem de Janet permaneceu como a jovem sempre adorável e sorriso cativante, é uma surpresa encontrá-la sensual num filme de ficção-científica que não faria feio nesses tempos de produções apocalípticas como “2012″.

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Esse filme se chama “O Dia em que a Terra Pegou Fogo” (The Day The Earth Caught Fire), (1961). Rodou recentemente na programação do Telecine. Um raro momento para uma atriz que morreu cedo demais para sua vida de artista.

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Depois do seu segundo divórcio (do ator Ian Hendry), ela afundou-se na bebida e acabou contraindo uma inflamação na membrana do coração, que acabou matando-a em 1972.

Tags: ação, aventura, Disney, estrela, ficção
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No apagão com Doris Day…

13/novembro/2009 por Fernando Zamith

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Um parte considerável dos Estados Unidos, ao redor de Nova York, e outra fatia do Canadá mergulharam num grande apagão em 1965. Mais de 25 milhões de pessoas amargaram o breu ao longo de 12 horas. Reza a lenda que nove meses depois houve um súbito aumento da natalidade. Teve gente que dormiu no escritório. Nada funcionava sem eletricidade. Mas, acredita-se que a libido esteve em alta...

O caos inspirou Hollywood a produzir um filme curioso: uma comédia com Doris Day. “Onde Estavas Quando as Luzes se Apagaram?”, (1968) - perguntava o título desse filme hoje raro. Nem passa pela TV aberta tampouco foi visto em algum canal da televisão por assinatura. O argumento parece uma biografia disfarçada de Doris Day que, na vida real, era uma excelente cantora e como atriz sempre teve bom desempenho. Por suas comédias românticas, geralmente ao lado de Rock Hudson, ganhou a imagem da sempre virgem.

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Pois, neste filme sobre o blecaute de Nova York, seu papel é o de uma atriz apelidada de “A Virgem”. Ela está cheia de tudo e anuncia que pretende se aposentar do cinema para cuidar do filho. Mas, acaba flagrando marido com outra. Em parafuso, sai de casa e acaba em meio ao tumulto gerado na cidade pelo grande blecaute. Não há DVD deste filme no Brasil, mas seria interessante relançá-lo, enquanto algum cineasta brasileiro não tenha idéia de fazer o seu filme sobre o que 18 estados viveram no mais recente apagão.

Blecaute já foi tema de uma peça americana nunca encenada no Brasil. Chama-se justamente “Blackout” e se inspirou num apagão registrado em Nova York no ano de 2003. Muita gente ficou aterrorizada naquele ano, julgando que se tratava de uma ação terrorista. Afinal de contas, o 11 de setembro de 2001 virou um fantasma presente no cotidiano americano. Eis o cartaz dessa peça:

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Tags: apagão, blecaute, comédia, história
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O fim do mundo nesta sexta, 13…

10/novembro/2009 por Fernando Zamith

“2012″ estréia nesta sexta-feira, dia 13, em lançamento mundial. Imagens poderosas, efeitos digitais de última geração em mais uma fantasia que explora um temor ancestral. As imagens do fim do mundo falam por si…

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c2012

d2012

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Tags: aventura, catástrofe, efeitos, fuga, terremoto, terror, tsunamis, vulcão
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Amor extremo

9/novembro/2009 por Fernando Zamith

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“Amor Extremo” (The Edge of Love) está chegando às telas brasileiras neste mês de novembro.  O filme vai buscar um pedaço da curta vida do poeta Dylan Thomas (o ator Matthew Rhys), dividido entre o amor de sua paixão de adolescência, Vera (papel de Keira Knightley) e sua esposa Caitlin (interpretada por Sienna Miller).

Quad

O papel de Caitlin - mulher de Dylan Thomas - foi escrito pela roteirista Sharman MacDonald especialmente para a atriz Keira Knithley, que na vida real vem a ser sua filha. Mas, Keira preferiu o outro papel, Vera. Os produtores imaginaram Lindsay Lohan nessa personagem, mas a encrenqueira de Hollywood ficou fora. Sienna Miller assumiu o papel.

Quem foi Dylan Thomas? Nascido no País de Gales em 1914, morreu jovem aos 39 anos no ano de 1953, afundado nas bebedeiras sob efeito das longas noites de boêmia. Seus poemas ganharam uma legião de admiradores cativos, entre os quais um jovem americano chamado Robert Zimmerman. Esse rapaz Zimmerman mudou seu nome para expressar sua arte como compositor, homenageando o poeta galês: ele se tornou Bob Dylan.

O que impressionou Bob Dylan? Poemas como este de Dylan Thomas, cultuado pela internet afora. Os versos foram escritos pelo poeta para seu pai então muito doente:


DO NOT GO GENTLE INTO
THAT GOOD NIGHT


Do not so gentle into that good night
Old age should burn an rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light
Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.

NÃO ENTRES NESSA NOITE
ACOLHEDORACOM DOÇURA

Tradução: Ivan Junqueira

Não entres nessa noite acolhedora com doçura,
Pois a velhice deveria arder e delirar ao fim do dia;
Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura.

Embora os sábios, ao morrer, saibam que a treva
[ lhes perdura,
Porque suas palavras não garfaram a centelha
[ esguia,
Eles não entram nessa noite acolhedora com doçura.

Os bons que, após o último aceno, choram pela
[ alvura
Com que seus frágeis atos bailariam numa verde
[ baía
Odeiam, odeiam a luz cujo esplendor já não fulgura.

Os loucos que abraçaram e louvaram o sol na etérea
[ altura
E aprendem, tarde demais, como o afligiram em sua
[ travessia
Não entram nessa noite acolhedora com doçura.

Os graves, em seu fim, ao ver com um olhar que os
[ transfigura
Quanto a retina cega, qual fugaz meteoro, se
[ alegraria,
Odeiam, odeiam a luz cujo esplendor já não fulgura.

E a ti,meu pai, te imploro agora, lá na cúpula
[ obscura,
Que me abençoes e maldigas com a tua lágrima
[ bravia.
Não entres nessa noite acolhedora com doçura,
Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura.

dylandylan

keirakeira

Dylan Thomas é um dos vértices do triângulo amoroso em “Amor Extremo”.  Sob direção do cineasta inglês, John Maybury, com aplicado trabalho na TV (dirigiu dois episódios da minissérie “Roma”), o filme se baseia em fatos reais, mas toma várias licenças poéticas.

Tudo acontece ao longo dos anos da II Guerra Mundial. O triângulo formado pelas duas mulheres e segue sem sobressaltos, a não ser pelo ciúme velado do poeta. As duas apaixonadas pelo mesmo homem até se tornam amigas), mas logo a trama envereda por um quadrângulo amoroso, quando surge o marido de Vera, um soldado (Cillian Murphy), que retorna das frentes de combate.

Ganha realce a bela trilha sonora de Angelo Badalamenti e canções de época com uma surpreendente participação de Keira Knightley cantando com sua própria voz. “Amor Extremo” estréia na última semana deste mês. Lançamento da IMAGEM FILMES.

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Anselmo Duarte (1920-2009)

7/novembro/2009 por Fernando Zamith

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Um acidente vascular cerebral hemorrágico matou, neste sábado (07/11/09), aos 89 anos de idade, o ator e diretor de cinema, Anselmo Duarte. Ele era o autor do filme “O Pagador de Promessas”, Palma de Ouro do Festival de Cannes, em 1962, o maior premio já recebido até hoje pelo cinema brasileiro.

Desde o último dia 28 de outubro, Anselmo estava internado no Instituto Central no Hospital das Clínicas. O acidente vascular o deixara insconciente e ele não saiu deste estado. Morreu à 1 e meia da madrugada.

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“O Pagador de Promessas”, baseado em peça de Dias Gomes, surpreendeu o mundo ao ser premiado em Cannes. E não só conseguiu se agraciado pelos críticos internacionais, como o filme fez sucesso popular.

É uma obra critica à intolerancia religiosa e até aos abusos da mídia diante de um homem humilde que vai cumprir uma promessa numa Igreja em Salvador. Carrega uma cruz de madeira para agradecer a Deus pela cura de seu burro doente. Um animal que muito o ajudava na sua roça no sertão nordestino.

O sucesso do filme, que é extremamente brasileiro na temática e revela até o sincretismo religioso em nosso país, desagradou os cineastas do chamado cinema novo. Pode ter sido inveja ou mero prurido político. Afinal, para o pessoal do cinema novo alinhado à esquerda política, Anselmo não tinha posição definida. Era um artista, um criador.

Anselmo, por sua vez, bateu de frente contra esses cineastas e por seu temperamento e até mesmo pela certeza de seu talento múltiplo no cinema, acabou vendo sua carreira atravancada pela briga. Seu talento não voltou a explodir novamente como diretor de cinema.

Seu filme seguinte - “Vereda da Salvação”, igualmente baseado numa peça teatral (de Jorge de Andrade) - tratava da repressão policial a um grupo de fanáticos religiosos. Não obteve a mesma receptividade de “O Pagador de Promessas”.

Nascido em Salto, no interior de São Paulo, Anselmo teve uma infância pobre depois que o pai se separou da mãe. Esta trabalhou duro como costureira para educar e criar os oito filhos.

O menino Anselmo fez de tudo. Foi engraxate, auxiliar de barbearia, mas gostava de lembrar o tempo em que ajudou o irmão mais velho que trabalhava como projecionista do cinema de Salto. Uma de suas tarefas era molhar a tela de tecido engomado para limpeza e melhoria da imagem projetada.

Quem viu o filme “Cinema Paradiso” (1989), de Giuseppe Tornatore, pode imaginar a vida do menino naquela sala de projeção de tantas imagens emocionantes.

Aos 15 anos, Anselmo passou a viver em São Paulo, onde havia melhores chances de trabalho. Fez serviço de office-boy, aprendeu datilografia e estudou contabilidade. Mas, já aos 18 anos, se virava muito bem como dançarino e fazia sucesso com as moças.

De São Paulo viajou para o Rio de Janeiro, então capital federal, o centro de tudo que acontecia no Brasil. Um amigo indicou-o para ser figurante de filmes. Arrumou um bico numa revista de cinema. Sabia, aliás, escrever muito bem.

Como figurante, vamos encontrar Anselmo em 1942 muito contente com uma ponta que arrumou para um filme do celebrado cineasta americano, Orson Welles. Sim, Anselmo estava no elenco de “It´s All True”.

A experiência ficou aí, pois “It´s All True” nunca foi terminado. Não há registro conhecido das imagens eventualmente gravadas com Anselmo sob direção do genial Orson Welles.

Mas, sua pinta de galã, porte e rosto expressivo atraíram mais trabalho e ele entrou para o mundo do cinema ainda naquela década de 40. Sua carreira registra atuação em 38 filmes quase sempre como o mocinho da história.

Mas, em 1967, fez um papel dramático importante, como o oficial torturador em “O Caso dos Irmãos Naves”, a história real de um clamoroso erro judiciário. Sob direção de Luiz Sergio Person, esse filme serviu para eliminar qualquer dúvida sobre sua versatilidade.

Ele será lembrado também por seu papel em “Tico Tico no Fubá”, quando interpretou o compositor Zequinha de Abreu.

Também foi roteirista de 17 filmes desde “Carnaval de Fogo” em 1949. Escreveu, por exemplo, o argumento de “Absolutamente Certo”, de 1957, uma comédia satirica sobre os programas de TV de perguntas e respostas. Nesse filme, foi o astro principal.

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Anselmo Duarte dirigiu 11 filmes, entre os quais “Quelé do Pajeú”, de 1969, um raro filme brasileiro rodado em 70 milimetros que exige grande telas e projetores especiais.

Foi ainda montador de filmes, desenhista de produção, enfim um homem de cineasta que poderia ser considerado hoje um multimidia.

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Em agosto último, passou mal aparentemente por problemas cardíacos e foi internado no Instituto do Coração, do Hospital das Clínicas. Lá os médicos descobriram um tumor na bexiga. Operado, recuperou-se e estava em tratamento.

No último dia 28, passou mal. Era o acidente vascular cerebral do tipo hemorrágico. Segundo amigos de São Paulo, ele já teria sofrido outros dois acidentes vasculares. Internado na Clínica Neurológica dos Hospital das Clínicas, não mais voltou a si, morrendo à 1h30 da madrugada deste sábado.

O corpo de Anselmo Duarte foi levado para sepultamento no domingo pela manhã, em Salto, no interior de São Paulo, a cidade onde nasceu e morava. A Prefeitura da cidade decretou luto de tres dias. Ele deixa quatro filhos.

Eis sua filmografia completa:

Como diretor:

1979 - OS TROMBADINHAS

1977 - O CRIME DE ZÉ BIGORNA

1976 - Jà NÃO SE FAZ AMOR COMO ANTIGAMENTE

1976 - NINGUÉM SEGURA ESSAS MULHERES

1973 - O DESCARTE

1971 - UM CERTO CAPITÃO RODRIGO

1969 - O IMPOSSÃVEL ACONTECE

1969 - QUELÉ DO PAJEÚ

1964 - VEREDA DA SALVAÇÃO

1962 - O PAGADOR DE PROMESSAS

1957 - ABSOLUTAMENTE CERTO

Como ator:

1986 - BRASA ADORMECIDA
1984 - TENSÃO NO RIO
1979 - EMBALOS ALUCINANTES
1976 - PARANÓIA
1976 - Jà NÃO SE FAZ AMOR COMO ANTIGAMENTE
1976 - NINGUÉM SEGURA ESSAS MULHERES
1975 - A CASA DAS TENTAÇÕES
1974 - ASSIM ERA A ATLÂNTIDA

1974 - O MARGINAL
1974 - A NOIVA DA NOITE
1972 - INDEPENDÊNCIA OU MORTE
1968 - JUVENTUDE E TERNURA
1968 - A MADONA DO CEDRO
1967 - O CASO DOS IRMÃOS NAVES
1967 - A ESPIÃ QUE ENTROU EM FRIA
1960 - AS PUPILAS DO SENHOR REITOR
1959 - UM RAIO DE LUZ
1958 - O CANTOR E O MILIONÃRIO
1957 - SENHORA
1957 - ABSOLUTAMENTE CERTO
1957 - ARARA VERMELHA
1956 - DEPOIS EU CONTO
1955 - O DIAMANTE
1955 - CARNAVAL EM MARTE
1955 - SINFONIA CARIOCA
1953 - SINHà MOÇA
1953 - APASSIONATA
1953 - VENENO
1952 - TICO-TICO NO FUBÃ
1951 - MAIOR DO QUE ÓDIO
1950 - AVISO AOS NAVEGANTES
1949 - O CAÇULA DO BARULHO
1949 - CARNAVAL DE FOGO
1949 - UM PINGUINHO DE GENTE
1948 - A SOMBRA DA OUTRA
1948 - INCONFIDÊNCIA MINEIRA
1948 - TERRA VIOLENTA
1947 - NÃO ME DIGA ADEUS
1947 - QUERIDA SUSANA
1942 - IT´S ALL TRUE
(filme inacabado)

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Cinema - Por Fernando Zamith é um blog da Jovem Pan
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