(SUZUKA) Disse que escreveria sobre uma cachorrinha hoje. Pois vamos a ela. Antes, porém, preciso contar que eu, Livio e Tatiana estamos hospedados em uma casa na cidade de Suzuka. Ela fica bem próxima à pista e vale a pena hospedar-se nela.
A organização do GP oferece hotéis em Tsu e Yokkaichi. A distância não é gigante, algo como 20 quilômetros. Porém, o transporte que fica à disposição dos jornalistas é restrito. São apenas 4 horários, o que atrapalha a vida.
Por isso, em 2009, Tatiana arrumou uma casa muito boa para ficarmos. E de um brasileiro chamado Eduardo. Um achado!
E Eduardo tem uma cachorra chamada Princesa. Linda e graciosa. É da raça Daschund, salsichinha para os leigos. Na verdade, uma mini-daschund. Como todos sabem, eu tenho duas lindas gatas: Fanny e Kiki. Sempre fui mais a gatos do que cachorros, apesar de gostar de ambos.
Viajo muito e para meu ritmo de vida a independência felina é mais adequada. De qualquer forma, morro de vontade de um dia morar em uma casa com labradores ou goldens. Ainda assim, confesso que a Princesa me seduziu. Uma graça!

E nestas viagens em que nos enfiamos em ambientes profissionais competitivos, além de pouco afetivos, nada melhor do que ter um rabinho abandando a sua espera.
Ainda na casa acesso o Skype. Ligo para a patroa e mostro a Princesa. Ela fica enlouquecida. Sempre pede uma cachorra. Cresceu com uma Daschund, chamada Cindy. Uma fofa, tenho que dizer.

A pressão cresce: “quero a Princesa para mim”, ordena a “chefe”, em casa no Brasil. O pior é que no fundo eu mesmo já pensava em uma forma de furtar a danada. Fanny e Kiki se adaptariam, imaginava.
Hora de falar com mama, via Skype de novo. Ela surta. Apaixonada por gatos e gatas, implora por uma Princesa. Ou até mesmo a própria Princesa. “Ponha naquele bolso de cuecas da mala”, exige com energia.
Desligo e sigo para o banho. E fico a pensar até quando conseguirei ficar sem uma cachorra. Até já sofro por antecipação com minha despedida na segunda-feira que vem da dona de meu coração nesta semana.
Termino o banho e saio do banheiro. Os demais dormem, e por isso caminho com cuidado na escuridão do corredor que leva ao meu quarto. Carpete de madeira faz aquele barulhão. Plec, plec, plec, plec, plec, splash, plec… Ops, alguma coisa está errada. De repente um de meus passos ficou sem ritmo, descompassado. Tateio a parede até acender a luz. Os outros que se danem.
Poucas sensações são mais desagradáveis do que pisar em merda fresca após o banho. E DESCALÇO! Moral da história: amo vocês, Fanny e Kiki. Podem ser independentes, às vezes desligadas, mas ao menos evitam de deixar bosta em meu caminho. A vida já nos reserva muitos obstáculos, melhor evitar extras até mesmo em casa.
Ainda assim, a Princesa me conquistou. Levarei na bagagem. Mas em fotos, apenas…
