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F-1 faz festa por Maurren Maggi

sábado - 23/agosto/2008

(VALÊNCIA) A conquista da medalha de ouro de Maurren Maggi, ontem, em Pequim, no salto em distância, foi o final feliz para uma história de superação. Nos circuitos da F-1, a atleta viveu dias difíceis longe das competições após testar positivo para substância proibida pelo esporte.

Em 2003, iniciou namoro com o piloto Antônio Pizzonia, na época da Jaguar. Enquanto esteve afastada do atletismo, Maurren passou a frequentar o mundo da velocidade. Teve com Pizzonia uma filha, Sofia.

Ontem, durante a final do salto, em Pequim, era realizada a segunda sessão de treinos livres do GP da Europa, em Valência. Velhos conhecidos da atleta, os pilotos brasileiros torciam por Maurren. “Quando ela passou a marca de 7 metros eu tinha certeza que seria medalha de ouro”, afirma Felipe Massa, piloto da Ferrari, que a partir do terceiro salto teve que abandonar a TV para treinar no circuito espanhol. “Eu pulei quando ela conseguiu. Vi tudo que ela passou de perto. Sensacional vencer depois dos problemas que enfrentou”.

No box da Honda também havia torcedor contente. “Ela mostrou ser uma guerreira. Seu feito é histórico”, diz Rubens Barrichello. Não apenas os protagonistas da F-1 se emocionaram com o ouro de Maurren. Ana Elena Massa, mãe do piloto ferrarista, precisou se esforçar para segurar as lágrimas. “Até no paddock sua vida era difícil. Ficava exposta ao sol, com a filha no colo. Precisa ter muita força de vontade. Uma heroína”.

Dando agora depoimento pessoal, também fiquei muito contente com o feito de Maurren. A conquista por si só já se tranforma em uma das maiores glórias esportivas do Brasil. Com toda a história prévia, ganha contornos de saga, epopéia. Parabéns Maurren!

Reflexão sobre Olimpíada

segunda-feira - 18/agosto/2008

(SÃO PAULO) Ponho o despertador para às 7 da manhã. Estava livre no horário, podia dormir até tarde, mas não queria perder. Preparo café da manhã e vou torcer por Diego Hypólito.

Desde então o assunto não sai da minha cabeça. Penso constantemente no que muitos têm dito: brasileiro amarela na decisão.

A afirmação pode, em alguns casos, ser verdadeira, mas por ser extremamente pejorativa preferi gastar meu domingo pensando nisso. Vamos por partes.

Comecemos com o ginasta. O brasileiro era favorito? Era. Uma Isinbayeva? Um Phelps? Não. Podia pegar o ouro, mas poderia ficar até fora do pódio? Sim. Foi o que aconteceu. Antes de sua entrada no solo, o romeno Dragulescu, outro favorito, errou. Faz parte da rotina desse esporte? Sim. O brasileiro, talvez confiante pelo erro do rival, ou até mesmo o oposto, receoso, errou em sua última passagem, a mais fácil. Já teria tirado o peso das costas e relaxou? Talvez.

Especialistas garantem que o erro lhe tirou a prata, não o ouro. Uma pena. Fiz uma pesquisa na intenet e fiquei sabendo que desde Seul, 1988, o favorito do solo não leva. Portanto, não foi só o brasileiro.

Hoje pela manhã, acordo e ligo a TV. Semifinal dos 400 metros com barreira feminino. Na raia 4, considerada a mais forte, uma sueca tropeça e cai na primeira barreira. Dava dó! Teria amarelado? Claro que não. E apesar do uniforme azul e amarelo, ela não era brasileira.

Houve casos na natação, como a da australiana Lisbeth Trickett, que teve quebra de recordes olímpico e mundial nas eliminatórias, e por pouco uma eliminação na semifinal. Amarelou? 

São vários os exemplos de brasileiros no atletismo que chegam com uma marca, longe do favoritismo, mas que sequer repetem os números apresentados anteriormente. Falta o quê?

Como disse passei meu dia de ontem pensando no Hypólito e tirei algumas conclusões. O Brasil sempre foi forte em alguns esportes coletivos. E nas quadras e gramados, os erros são aceitáveis. Quantas vezes uma equipe que erra um pênalti, uma enterrada, um saque, uma cortada, termina como vencedora. Na ginástica, atletismo, natação e tantos outros esportes olímpicos, o erro não é tolerado. E isso é cruel!

Tentem colocar na rotina de vocês a ausência de erro. Acordem e não derramem uma gota de café na toalha de mesa. Derrubar migalhas de pão no chão nem pensar. Depois do banho, não molhem o tapete do banheiro. Combinem a roupa perfeitamente para o trabalho. No trânsito, não fechem a porta de ninguém, não passem a roda na faixa de pedestre e jamais atravessem a rua fora dela. E, seja qual for o trabalho de vocês, não errem jamais. Um arquiteto que desenhe projeto em tempo de 1 minuto e 30 segundos. Sem um só errinho. Caso contrário, é um amarelão.

Vamos lá, vou encaixar minha rotina. A transmissão da Jovem Pan de Fórmula 1 é eficiente. Téo José, Claudio Carsughi e eu erramos pouco. Mas, certamente, erramos. Téo pode confundir algum piloto na narração ao olhar rapidamente, Carsughi pensar algo que não aconteça e eu gaguejar. Faz parte. Na rotina dos atletas, o erro não pode existir, o que repito, é cruel.

Não pensem que estou apenas defendendo. Penso que muitas coisas podem ser feitas. Primeira é um trabalho emocional fortíssimo. Para aguentar a carga forte de um evento como Olimpíada. Os mundiais das modalidades são forte e lindos, mas não atraem mídia e público como Jogos Olímpicos. Tem de haver algum preparo específico.

É importante também criar a tradição. E isso só vem com tempo. Peguemos o exemplo da F-1. Uma coisa é começar a andar na frente. A outra é virar o vencedor. A BMW chegou ao primeiro pelotão, mas ainda falta o pulo do gato para vencer. Isso acontece em todos os esportes.

No handebol feminino, as meninas atingiram um belo nível de jogo. Encaram as seleções mais fortes de igual para igual. Mas nos dois minutos finais de cada jogo, o lado pesa para elas, não para coreanas (ganhamos delas), francesas, russas, polonesas… Não é por amarelar. Até dar-se o click do vencedor leva tempo.

Outra coisa fundamental: atleta precisa parar de ser encarado como salvador da pátria, o responsável por conquistar o mundo e mostrar que o Brasil não é uma porcaria, um lixo. O cidadão e a imprensa precisam mudar o foco e o próprio atleta também. Aí entra o tal preparo emocional que as Federações devem promover.

Os franceses, americanos, australianos, canadenses, alemães, britânicos, tornam-se campeões, ganham medalhas e o país não muda. Continua sua rotina, uma rotina repleta de problemas, mas que pelo menos vê caminhar de forma segura e com planejamento no esporte.

Os brasileiros não. São eles os responsáveis por nossas vitórias, os heróis da resistência. Se elas não vêm, somos uma nação de fracos, pobres, desamparados. O dia em que tivermos “atletas de ouro” no Congresso, Senado, Câmaras Municipais, Prefeituras, aí sim estaremos no caminho certo. Até de bronze já serve. E isso independe de Murers, Hypólitos, Santos, Cielos… O que não dá é para nesta “modalidade” continuarmos eliminados na primeira bateria. O dia em que mudarmos esse pensamento, caminharemos para um Brasil melhor em todos os sentidos, inclusive no quadro geral de medalhas olímpicas. Mas, sinceramente, do jeito em que estamos como nação, não se surpreendam com trigésimo lugar no quadro de medalhas. Estamos onde merecemos.

No lugar de Rio 2016, que tal investir dinheiro pesado nas categorias esportivas? Seria melhor. Para quê sediar Olimpíada e ganhar meia dúzia de medalhas se podemos melhorar gradativamente nossa performance, como a ginástica, por exemplo. Há dez anos não eramos nada e hoje temos muitos finalistas. Medalha é questão de tempo.

Mas não, querem sediar a Olimpíada. Assim, no lugar dos atletas receberem incentivo, receberão os outros “atletas” supracitados. Uma pena. Neste cenário, só me resta parabenizar os atleta individuais, heróis da resistência. E como resistem. César Cielo (não recebeu nada e deve tudo ao pai), Thiago Pereira, Eduardo Santos (quem não chorou com o judoca que não tinha dinheiro para a faixa preta, fez bonito e honrou a família e o país), Quadros, Hypólitos, Daiane, Jade, Larissa, Ana Paula, e tantos outros…

Prepotência do futebol

domingo - 10/agosto/2008

(SÃO PAULO) Não vi o jogo do Brasil contra a Nova Zelândia. Acompanhei apenas os melhores momentos e os gols. Parece que a seleção jogou bem. Mas já faz tempo que gostaria de falar sobre um assunto. A prepotência do futebol brasileiro.

Não me refiro apenas aos jogadores e técnicos. Todos estão no mesmo pacote. Dirigentes, imprensa, torcida. Penso nisso antes até de minha viagem para a Hungria.

Dunga disse em entrevista que o Brasil tem obrigação de ganhar o ouro. Obrigação? Onde foi que surgiu essa obrigação? Pensar desta forma, e este é um pensamento coletivo, não apenas do treinador, nada mais é do que menosprezar todo o restante do mundo. Como se futebol fosse uma arte desempenhada apenas por nós, enquanto os rivais apanham com as bolas nos pés, como atletas trôpegos e abobalhados.

Não por acaso, futebol é o esporte mais praticado no mundo. Em todas as partes do planeta em que estive presente havia uma bola. E um bando de apaixonados correndo por ela, estapeando-se, amontoando-se. Nem mulheres conseguem tanto.

E continuamos nós, com o discurso de que temos obrigação de ganhar dos outros. Quanta prepotência! Depois falamos que os jogadores norte-americanos de basquete são prepotentes, e até torcemos contra eles. “Para eles caírem do cavalo, descerem do salto alto”, diz o mais fervoroso torcedor. Vale a informação que eles foram campeões olímpicos mais de 10 vezes, o que dá maior obrigação a eles nas quadras do que a nós no futebol. No momento em que os jogadores, principalmente da Europa, invadem a NBA, a disputa fica mais acirrada.

E o que dizer do discurso ridículo de que temos que ganhar a medalha. Se ganharmos o ouro ótimo, se perdermos paciência. Temos apenas que jogar com dedicação, decência e honra. Só. Isso já nos levará à disputa pelo topo, não necessariamente a medalha.

Pensando com meus botões, só há um esporte em que teríamos que ganhar a medalha de ouro. Desfile de escola de samba. Já imaginaram as rivais da Estação Primeira de Mangueira? Unidos de Colônia (essa escola existe e eu já vi!), da Alemanha, Caprichosos de Kundares, da Finlândia, Império de Pequim, da China, entre outras. Se perdêssemos para as “mulatas” finlandesas, chinesas e alemãs seria vergonha mesmo.

Mas futebol? Menos, Dunga e cia, menos.

Tudo tem um sentido na vida

sábado - 9/agosto/2008

(SÃO PAULO) Sei que o título parece auto-ajuda, mas não é. Vou explicar.

Minha primeira corrida internacional de F-1 foi Bélgica 2004. A prova, óbvio, no domingo e a direção da Jovem Pan me enviou dias antes para me adaptar. Normalmente as viagens eram quarta-feira. Eu fui segunda.

Tive dois dias em Bruxelas. Era a época da Olimpíada de Atenas e lá vi como funcionam as coberturas internacionais. Cada país opta por exibir o esporte em que conta com tradição.

Eu lá, hospedado em um Ibis na Grand Place, louco para ver o vôlei do time de Bernardinho, Daiane do Santos e Robert Scheidt. Nessas modalidades a Bélgica não existe. Portanto, não havia qualquer menção sobre o atendimento dos meus desejos.

Ligo a televisão e fico ciente onde a Bélgica é potência: equitação. Não se trata da competição em que Rodrigo Pessoa dá show e obteve ouro meses depois da disputa, prova até legal. É o adestramento.

Refestelado na cama, com meu pijaminha, sentia-me um idiota vendo aquela transmissão. Eu não entendia mas era claro o que o locutor dizia.

“Lá vem o cavalinho, pocotó, pocotó. Bela manobra. Vejam a força de Lady Lee. Que nível, que qualidade de animal. Agora o trote: pocotó, pocotó. Uau! Palmas para o conjunto”.

Quem nunca se viu em uma situação de questionamento: “que raios eu estou fazendo aqui?”. Pois bem, era o que eu pensava. Nos meus dias de Bélgica, em 2004, não vi nada que me interessava. Na verdade, pela força das tenistas Justine Henin e Kim Clijsters, o esporte era exibido e eu tinha o que me entreter.

Você pode estar se questionando: “e onde esse cara quer chegar?” Calma, vou explicar. Ontem, comecei meu trabalho nos Jogos Olímpicos pela Jovem Pan. E adivinhe qual o primeiro esporte em que um brasuca esteve presente? Equitação!

Não tive dúvidas. “Amigos da Jovem Pan. Lá vem o cavalinho, pocotó, pocotó. Bela manobra. Vejam a força de Lady Lee. Que nível, que qualidade de animal. Agora o trote: pocotó, pocotó. Uau! Palmas para o conjunto.”

Por isso digo, nada é por acaso. No dia em que você estiver na situação mais ridícula possível não reclame. Pocotó, pocotó.

Olímpiadas nos próximos dias

sábado - 9/agosto/2008

(SÃO PAULO) Nosso espaço chama-se Dentro e Fora das Pistas. Nesta semana, estou escalado na cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Teremos também alguns comentários “olímpicos”.