Considerações do GP da Alemanha
segunda-feira - 13/julho/2009(ZURIQUE) Preciso frisar de imediato: o GP da Alemanha para mim foi o melhor do ano. Do começo ao fim, uma prova emocionante. Na largada Rubens Barrichello pulou para a primeira posição. Mesmo do lado sujo, foi capaz de tracionar bem e deixar Mark Webber para trás. Os carros de KERS voaram e, por fora, Lewis Hamilton ganharia a segunda posição se não fosse tocado por Webber. Seu pneu foi embora e levou a corrida junto. Um pecado! Gostaria muito de vê-lo lutar pelas primeiras posições.
Sobre a largada, penso que Webber pisou na bola feio com Rubinho. Se tocassem rodas nem sei o que poderia ter acontecido. Porém, com Hamilton foi um incidente de corrida. O inglês tentou levar a melhor porque sabia que seria difÃcil passar Webber em condições normais. Pagou um preço enorme mas eu correria o mesmo risco.
Nas primeiras voltas Rubinho e Webber abriram vantagem grande para os demais. E para mim houve uma demora na punição de Webber. Ele pôde fazer seu primeiro stint quase que completo, o que gerou uma vantagem boa para poder recuperar depois.
Ainda assim, o australiano fez uma corrida sem erros, com ótimo ritmo. Garantiu sua primeira vitória e a comemoração foi emocionante. Webber é o tipo de piloto mala. Mas seus gritos no rádio com a equipe me emocionaram mesmo.
Sebastian Vettel teve a chance de vitória arruinada quando foi ultrapassado na largada por muitos carros KERS. Não tinha quase o que fazer, a não ser acelerar e somar os pontos que pudesse. A segunda posição não foi ruim.
A Brawn GP, pelo segundo GP consecutivo, apanhou da Red Bull. A dificuldade em aquecer os pneus mata a equipe ainda lÃder do mundial quando está frio. A chegada da Hungria vem em boa hora, pois creio que a luta será bem mais intensa em Budapeste. Até mesmo pelo traçado contar com muitas curvas de baixa velocidade, até então boas para o carro da Brawn.
Rubinho, como já foi citado, largou bem e teria pódio se os erros nospits não acontecessem. Quando ficou preso atrás de Massa sua prova foi para o espaço. Depois, foi só para fechar o caixão. Mas confesso que gostaria de escrever sobre o assunto, com a prudência devida, quando em São Paulo chegar. (Acrescentei abaixo áudio de Rubinho quando ele desceu do carro)
Button mais uma vez sofreu com os pneus. Mais do que Rubens. Tem uma vantagem boa no mundial e em Budapeste seu time pode voltar a vencer. Mas começou a abrir os olhos com relativo receio ao ritmo dos touros vermelhos.
Felipe Massa mais uma vez realizou trabalho brilhante. Sua corrida foi uma pintura. Sem um erro sequer. A disputa com o mais rápido Vettel foi linda. O brasileiro mostra que cada vez mais está preparado. O conceito de Massa melhorou para boa parte do público. Porém, se Alonso ou Hamilton tivessem uma apresentação assim, estariam nos céus. Penso que o brasileiro faz parte do grupo dos melhores pilotos da F-1 atual.
Kimi Raikkonen não fazia corrida ruim. Se não era o bom e velho Homem de Gelo da McLaren, ao menos não cometeu erros grosseiros. E o acidente com Adrian Sutil foi absolutamente normal.
Já que citamos o alemão da Force India, vamos à sua prova. Sutil fez a corrida da vida, que mais uma vez termina em batida com Raikkonen. Se em Mônaco, ano passado, o finlandês foi o culpado, desta vez está livre de qualquer responsabilidade. Sutil sofreu como Hamilton. Foi para o tudo ou nada. Ficou de mãos abanandos. Penso que não devia ter corrido aquele risco (sempre mais fácil falar/escrever do que fazer). Em carro como o que tem em mãos, terminar em sexto ou sétimo não faz diferença. Estaria consagrado em qualquer um dos casos. Porém, ninguém lembrará em breve do que aconteceu.
Na minha opinião, no campeonato da “Série Bâ€, ou dos outros (sem Red Bulls e Brawns), depois de Felipe Massa vem Nico Rosberg. O alemão, que nunca encheu meus olhos, mostra evolução. Olho nele, que dizem alguns, estaria encaminhado com a BMW.
Fernando Alonso foi muito bem. Rodou na volta de apresentação; uma piada. Mas na hora que vale, ele resolve. Ótimo ritmo, ótima prova.
Nelsinho Piquet fez uma corrida apagada. Alonso sugeriu para a equipe que o brasileiro largasse com os pneus duros, afinal, os macios ficavam destruÃdos em poucos giros. E Piquet tinha um long-run. A ideia, em si, não era ruim. Todos lembram o que aconteceu com os pneus moles. Mas era um carro difÃcil de ser guiado. Assim como citei Barrichello, assim que chegar escrevo sobre Nelsinho. Tudo parece indicar que não corre na Hungria. Mas alguma coisa (palpite mesmo, não há nenhuma nova informação) me faz crer que o encontrarei em Budapeste. E não como turista.
Muitos já falaram da corrida nos comentários, mas enfatizaram a polêmica de Rubinho. Queria saber da performance dos mais variados pilotos. Preguem fogo meninos e meninas!



Felipe Motta é repórter da rádio Jovem Pan desde 1999, cobriu seu primeiro GP do Brasil em 2002. Em 2004, assumiu a função de viajar em todas as corridas com a F-1. Já conheceu mais de 40 países, ao lado da velocidade dos carros e de outros eventos esportivos, como Copa do Mundo (2006) e Copa das Confederações (2009).