(SÃO PAULO) Era uma vez um piloto genial, arrojado, promissor. Vencia provas, ultrapassava rivais e ganhava fãs no mundo todo. Morreu, precocemente, na Bélgica. Isso o transformou no maior mito da F-1, até que doze anos mais tarde um tricampeão falecia da mesma forma, no caso na Itália, colocando-o como o segundo maior mito da Fórmula 1. Seu nome: Gilles.
Mulher de fibra. Capaz de sobreviver a dor da perda do marido, criar os dois filhos com carinho e ainda ver o menino, Jacques, tornar-se campeão do mundo. Seu nome: Joanne.
Jornalista da maior rádio do Brasil, acompanha a F-1 em todos os cantos do mundo e esquece sua credencial no hotel. Um cabeção. Seu nome: Felipe
A história, curiosa e inusitada, aconteceu semana passada, em Montreal. Na quinta-feira, no táxi que me levaria do meu hotel ao hotel de onde saem os transportes que nos levam à pista, dou-me conta que esqueci no quarto minha credencial.
Já tinha tomado conhecimento por outros jornalistas que quando se esquece a credencial, a FIA/FOM providencia uma nova para aquele dia. Fui, portanto, tranquilo ao local. Chegando lá, uma dificuldade, mais de 30 minutos de espera e ainda tive que contar com ajuda de Livio Oricchio, do Estado de SP. Um caos!
Indignado, caminhava com minha credencial nova no pescoço pelo paddock, ainda sem me perdoar por não ter falado para o taxista retornar ao meu hotel (teria sido menos penoso). Foi então que me deparo com a cena mais inusitada da F-1.
Uma mulher, senhora já, defende-se contra fiscal de segurança que queria expulsá-la do local por ela não carregar no pescoço credencial.
Demorei alguns segundos até me dar conta que a senhora em questão é a Joanne, supracitada neste texto. “Apenas”, a viúva do homem que dá nome ao circuito canadense, a maior lenda do país, e um dos maiores mitos do esporte, Gilles Villeneuve.
Naquela baderna surge um funcionário Ferrari com um passe, coloca-o no pescoço dela, vira-se ao fiscal e diz: “Meu querido, você sabe quem é essa madame?”. Ao que ele responde “Sei, mas ela está sem credencial”.
Moral da história: Sem credencial na F-1, tanto faz ser Gilles, Joanne, Felipe ou Zé da cachaça.