(ZURIQUE) Aproveito minha escala na Suiça para falar do Grande Prêmio de Mônaco. Há alguns pontos que queria ressaltar.
A corrida nas ruas de Monte Carlo costuma ter três estilos: se chove vira loteria, como aliás em qualquer lugar. Existem também provas acidentadas, mesmo quando a chuva não aparece, o que também deixa o GP com o ar de expectativa constante. E há as provas modorrentas! Ontem foi uma delas, pelo menos depois das primeiras paradas.
Da largada ao primeiro pit-stop houve ação. Aquele trenzinho puxado por Sebastian Vettel foi alucinante. O que os pilotos fazem é inacreditável. Eu já guiei pelas ruas do Principado e pensar naquela insanidade com os camaradas a quase 300 km/h em alguns pontos me causa arrepios.
Jenson Button mostrou mais uma vez estar afiado. Seu repertório não acaba e ele mostra que tem o talento e até mesmo a estrela de campeão. Tudo dá certo e funciona como roteiro de cinema. Acredito que o título está muito próximo do inglês. Mas sobre isso falo depois com mais calma.
Rubens Barrichello foi bem. E ponto. Ganhou a posição de Kimi Raikkonen e depois teve problemas com os pneus. A segunda posição foi boa, porém, necessita da ajuda dos céus para reverter desvantagem.
O finlandês teve uma corrida boa, que poderia ser melhor se não ficasse atrás de Rubinho toda a prova. Em nenhum momento pode andar no limite. Torcer para que o pódio e o sabor do champagne levem o Homem de Gelo de volta à melhor forma.
Para mim Felipe Massa fez uma das melhores corridas de sua carreira. A prova tinha ido para o espaço sábado, quando ao abrir sua última volta pegou Mark Webber a sua frente. Largaria mais a frente. Na largada Vettel fechou-lhe a porta, cansado de correr com “carros Kers” a sua frente por dois GPs seguidos.
Atrás do alemão, Massa notava que era mais rápido. Ao invés de simplesmente segui-lo, deu o bote e não obteve êxito. Reconheceu que ao entregar a posição para Seb deveria ter ficado do lado de dentro na curva. Na F-1, tudo acontece rápido e é fácil falar depois.
O mais impressionante na prova de Massa foi o seu ritmo no fim do segundo e terceiro stints. Cravava volta mais rápida atrás de volta mais rápida andando no limite das estreitas ruas de Mônaco. Dava sempre o azar de ter Button nas voltas que tinha a mais de combustível. Estaria no pódio se não fosse pelo líder do campeonato.
Quem tinha tudo para andar bem no fim de semana em Monte Carlo era a McLaren. Lewis Hamilton jogou a corrida no lixo sábado. No domingo errou mais vezes, mas aí era mais pelo desespero em tentar recuperar-se. Heikki Kovalainen (meu Deus!) não completa uma corrida. Minha nossa… Creio que não estará na equipe em 2010.
Quem teve dificuldade com trânsito ontem foi Fernando Alonso. O espanhol em todos os momentos tinha alguém em seu nariz. Por isso acho que seu companheiro, Nelsinho Piquet, contava com boa oportunidade de terminar a sua frente. Daí a raiva do brasileiro em ser atingido por Sebastien Buemi. Ele está louco para marcar seus primeiros pontos do ano e se viessem em Mônaco seria fantástico. Só acho que Nelsinho não deve ficar falando que “isso que dá colocar novatos na F-1″. Primeiro porque todos merecem respeito. Segundo pelo fato de Buemi começar melhor na F-1 do que o próprio piloto da Renault. E terceiro: porque Nelsinho, apesar de nunca ter tirado ninguém da corrida, já falhou bastante.
BMW e Toyota andaram muito mal. Quanto aos alemães já disse há dias que para mim formam a maior decepção do ano. Os japoneses, para espanto, estão na rabeira um mês após largarem na pole. Um fenômeno e uma pena. Quando escrever sobre a crise na F-1 contarei alguns detalhes. Um deles é que Toyota pode anunciar em breve saída da F-1.
Ops! Alonguei-me demais. Estão chamando meu voo. Vou nessa e nos falamos depois.