(SÃO PAULO) Olá senhoras e senhores! Queria escrever sobre aquele que é completamente desconsiderado por todos: Nick Heidfeld.
O alemão está na F-1 já faz um tempo. E seu conceito não é dos melhores. Paira sobre ele a imagem de piloto medíocre, fraco, pouco eficiente.
Sou sincero; não vejo em Heidfeld o talento de um fora de série. Se tivesse uma equipe competitiva jamais o contrataria como o homem a ganhar provas, o jogador de basquete a quem cabe o último arremesso. Porém, não hesitaria em colocá-lo em um segundo cockpit.
Se contasse com Alonso, Hamilton, Massa, Button, Kubica, comporia muito bem a equipe com Heidfeld.
Pensemos juntos: o alemão nunca venceu um GP, isso é verdade. Também é verdade que nas equipes em que sempre esteve, só houve uma vitória; no caso, Montreal 2008, com Robert Kubica.
Sem ter carro eficiente, o que mais funcionaria como critério de avaliação seria a comparação direta de Heidfeld com seus companheiros. E neste quesito, Nick, the quick, está bem na fita.
Na Sauber, Heidfeld superou Kimi Raikkonen e Felipe Massa, em 2001 e 02. Vocês podem argumentar que eram os anos de estreia de ambos os pilotos. Ok, é verdade. E junto com todos vocês, sou mais o finlandês e o brasileiro do que o alemão.
Depois, teve de enfrentar um vestibular contra Antonio Pizzonia por vaga na Williams. E mais uma vez, Heidfeld ganhou. A BMW, que fornecia motores para a equipe de Frank, é alemã, como Heidfeld. Ok de novo. Mas o trabalho de Nick foi melhor mesmo!
Eis que Heidfeld muda-se para a BMW. E supera Jaques Villeneuve, campeão do mundo. O canadense estava em fim de carreira. Mais um ok, porém foi inegável o trabalho deste pequeno considerado pouco notável.
Chega então um grande teste. A hora de disputar três temporadas ao lado de uma jovem promessa, considerado do mesmo nível que os grandes: o Polonês de Aço.
E aí, Heidfeld, considerado muito menor, ganha do companheiro em dois anos. Mas Kubica brigou pelo título em um. Ok, eu também acho que Robert é maior do que Heidfeld, mas é inegável o mérito do alemão em superar Kubica em duas temporadas.
Sempre me intriguei com os conceitos estabelecidos. Edmundo podia ficar cinco anos sem agredir ninguém nos gramados. Se recebesse um cartão vermelho, diziam: “o animal não muda mesmo”.
Quando cheguei na F-1, esculhambavam Ralf Schumacher. Jamais defenderia o alemão, até porque era o maior mala. E para mim enganava muito. Mas em três anos com Jarno Trulli, na Toyota, ganhou dois. E do italiano, na época, ninguém falava nada. Hoje a história mudou.
Meu texto em nenhum momento visa defender que Heidfeld é o maior gênio das pistas. Mas para mim, é muito mais do que o meia boca que a maioria o define. É um ótimo carregador de piano, mas jamais será o camisa 10 elegante. Mas todo mundo precisa de um carregador de piano. É ou não é?