(SÃO PAULO) Bom dia a todos. Conforme prometi, escrevo sobre as possibilidades que pintaram para Rubens Barrichello visando 2010. Claro que não é o momento de interpretações, pois como o anúncio da Williams ainda não foi feito, Rubinho não se pronunciou sobre o acordo. Portanto, é impossível imaginar o que passou na cabeça dele. Mas algumas ideias são possíveis de traçar.
Todos se lembram que até fevereiro Rubinho era um aposentado. Ross Brawn, ciente da capacidade técnica de Barrichello, bateu o martelo para contar com o veterano brasileiro. Porém, o contrato era para apenas 4 corridas e em qualquer momento Rubinho podia ser descartado se surgisse um patrocinador forte que impusesse algum nome de jovem piloto.
Na quinta prova do ano, Rubinho vive aquela situação estranha em Barcelona. E naquela ocasião, ouve de um jornalista inglês que uma equipe irá sondá-lo para 2010. Era a Williams.
Barrichello naquele momento inicia conversas com Frank Williams. Evidentemente, que as negociações se estendem, e o brasileiro também ouve outras propostas: de praricamente todas as equipes novas. Ali, Rubinho sabia que não iria se envolver. Nessa altura do campeonato, Barrichello não quer apostar em time novo para ver no que vai dar.
Em julho, Rubens começa a conversar com a Brawn para renovar seu contrato. E aí ocorre o episódio Nurburgring. O brasileiro percebe que a situação na Brawn não é tão simples. E começa a pesar até que ponto vale ficar lá.
Chega agosto e começam as especulações da chegada da Mercedes e com isso a imposição da montadora por um piloto alemão, no caso, Nico Rosberg. No fim do mês, Rubinho vence de forma magistral em Valência e apresenta boa velocidade em Spa.
Do lado da Williams o interesse é total. Na garagem da Brawn percebe que o foco está na conquista do título. E ali surge um enorme dilema. Espera a Brawn e corre o risco de ficar a pé, já que o time pode ser obrigado a apostar em Rosberg, ou abre espaço a outra escuderia.
O brasileiro, então, recebe informações novas do time de Grove. E avalia que a chance de ter um bom carro em 2010 é grande. Este ano o projeto da Williams era muito eficiente. Para muitos, só não andou melhor porque o motor Toyota estava abaixo dos rivais e pela dupla manca (só se podia confiar em um). E mais: o brasileiro questionava o tempo todo como seria o próximo ano da Brawn já que a equipe em nenhum momento pensava no projeto seguinte, pois visava garantir o título deste ano.
Em Monza, Rubinho vence a segunda. E da Itália, pega seu avião particular para a Inglaterra. Chegando em solo inglês, desembarca e dá de cara com Jackie Stewart, que estranhou sua presença no país. Rubinho disse que iria à fábrica da Brawn.
Em Grove, fez banco, conversou com engenheiros e assinou o contrato. Quando estava lá, chega Sir Frank Williams, fato que surpreendeu Rubinho. O inglês disse: “eu não podia perder esse momento”. Sua presença emocionou Rubinho.
Nas corridas seguinte, Barrichello ainda tentava despistar o assunto futuro, pois sabia que a ideia de deixar a Brawn podia prejudicá-lo no campeonato. Afinal, quem quer ver o número 1 deixar o time? Mas eu penso que Ross e cia já sabiam de seu acordo. Enquanto isso, Rubinho continuava a negociar com a Brawn para pelo menos parecer que estava sem destino conhecido.
Chega a prova em Interlagos e duas coisas curiosas batem à sua porta. A Brawn o procura e pergunta se já assinou com a Williams. Diz que precisa de posição porque ainda não definiu sua vida para 2010. O que mostra que Jenson Button ou Rosberg, ou os dois, estão em negociações ainda e nada está certo.
Mas o que mais espantou Rubinho em Interlagos foi a procura da McLaren. O time de Woking foi atrás de Barrichello para saber se ele já tinha um acordo em mãos. Isso também mostra como nada está definido no cockpit de Heikki Kovalainen.
É muito difícil julgar algumas escolhas. Penso que a Williams em 2010 terá um bom carro. Quão bom? Só o próximo campeonato irá mostrar. Lá, Rubinho será muito feliz. A atmosfera da equipe é ótima, com profissionais que muito já fizeram pela F1.
Ninguém sabe como será a performance da Brawn ano que vem. E lá sempre irá pairar sobre Rubens a lealdade ou não de seu patrão. Na McLaren, Rubens viveria situação idêntica a que encarou na Ferrari. Estaria lá para levantar a bola para Lewis Hamilton cortar. A essa altura do campeonato seria uma tolice. E mesmo que quisesse, quando procurado, já tinha assinado com Frank.
Para os torcedores brasileiros resta torcer por um carro eficiente na Williams. Vencedor? Difícil acreditar após tantos anos sem títulos. Mas se permitir a Rubens o que Nico pôde fazer em 2009 já seria bacana. Ou seja, frequentar o Top Seis com frequência.