(FRANKFURT) Bom dia blogueiros e blogueiras! Meu vôo até Frankfurt foi tranquilo e minha conexão levará 12 horas. Por isso, estou em hotel para esperar. Gostaria de contar o que nos aguarda.
É basicamente desumano enviar um repórter de F-1 para a Ásia, solicitar que ele retorne ao Brasil em sete dias, para depois de mais sete voltar a Japão e China. Não dá! Desta forma, a Jovem Pan optou pela permanência no continente asiático durante todo o período. Um mês. É melhor, porém, não mais fácil.
Antes de mais nada, que fique claro, adoro algumas partes da cultura asiática, especialmente a japonesa. O respeito, a dedicação e a civilização do país. Além de olhar com extrema curiosidade para o primeiro GP noturno da história, em Cingapura. Minha experiência anterior na China foi regular. Tomara que neste ano mude.
Mas mesmo podendo enumerar várias qualidades, não é fácil ficar um mês na Ásia. A lógica é muito particular, não digo nem pior, nem melhor. Apenas diferente. E muito diferente.
Comunicação é complicada em qualquer parte. Quando se viaja a turismo é uma coisa. Um erro de comunicação implica vez ou outra em erro no monumento que se vai visitar, na comida que se prova e no quarto em que se hospeda. A trabalho, em condições extremas, a coisa é mais complexa. Imaginem se o problema em minha linha telefônica na Itália se repetir ou na China ou no Japão. Esqueça! Eu ficarei horas explicando, os voluntários horas tentando me entender, eu ficarei irado, eles, sem culpa de nada, desesperados. Caos!
Nossa viagem (quando conjugo no plural é porque encaro como se viajássemos juntos) começa em Cingapura. Chego lá quarta-feira à tarde e fico até terça-feira de madrugada. A expectativa é grande, mas há de imediato um problema. Como se traça uma estratégia para encarar o GP? Dormir antes ou depois? Adaptar-se ou não ao fuso? Tudo é novo e, além de mágico, de difícil operação.
Terça-feira seguiremos para o Japão. Antes ficaríamos na Tailândia, mas a situação política no país não está das mais convidativas. A partir deste dia encaramos o pior momento. Não é culpa do país (Japão) e sim de literalmente viver a solidão entre muitos. Quem nunca viu Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola? Será similar, só que sem a Scarlett Johansson. O roteiro ainda não está definido mas irei informá-los sempre com antecedência.
Depois do GP do Japão, em Fuji, permanecerei no país até quarta-feira. Como disse, minha experiência anterior na China não foi boa e, por isso, optei por chegar em cima da hora na penúltima etapa do Mundial. De lá retorno ao Brasil para a cobertura do GP em Interlagos. Depois, podem enterrar que só sobrará o pó!
Para ilustrar a luta para, apenas, comunicar-me, conto como foi a tentativa de reserva de meu quarto em Xangai. Liguei da redação da Jovem Pan, na manhã de quinta-feira, para o Blue Palace Hotel. Um bom hotel, registre-se. O telefone chama e atende uma mulher. Reproduzo como foi nossa conversa, já com a tecla SAP.
MOÇA: sjgjakhjçhmlanmçlmnmaç açgjaçk açj jçja ja jagweke~wkf.
EU: Oi, você fala inglês?
MOÇA: (sem qualquer hesitação) Sim.
EU: Eu gostaria de fazer uma reserva.
MOÇA: Hamburguer ou hot dog?
EU: O quê???
MOÇA: Hamburger ou hot dog?
EU: Eu quero um quarto minha senhora!!!
MOÇA: Qual é o seu quarto?
EU: Eu sei lá, não tenho, mas adoraria ter um.
(passados uns três minutos e ela me entende. Ela pede licença e fica uns cinco minutos ausente. Quando volta….)
MOÇA: Então, é de 15 de outubro até 20. Está confirmado. Fique tranquilo.
EU: Ok, mas eu preciso de confirmação via e-mail para tirar meu visto. Eles solicitaram.
MOÇA: O quê???
EU: Meu Deus (isso foi em português mesmo!)!!! E-mail, confirmação, por favor!
MOÇA: Claro, qual o seu e-mail?
EU: Vou soletrar. F, E….
MOÇA: Como?
EU: Começarei de novo. F, de França…
MOÇA: fdefrança@???
EU: Não, meu Deus do céu (português de novo)! Macacos me mordam (não era bem isso)!
MOÇA: Um minuto, vou chamar meu colega.
Neste momento surge na linha o melhor inglês de um não inglês que já ouvi, depois, claro, do Nelsinho Piquet. Naquele instante fiquei aliviado, mas depois indignado. Por que aquela safada não chamou o cara de começo de conversa? Pior de tudo, chego no Consulado chinês e quando olham a minha reserva de hotel dizem: “isso aqui não precisamos, pode guardar”.
Pode parecer uma loucura, mas tudo que disse foi verdade e aconteceu. Utilizei o exemplo apenas para ilustrar que nada é simples. Nem reservar hotel. Em um mês e a trabalho, tudo se acumula. Isso sem falar em fuso, comida, clima….
Por isso, espero mesmo que seja um mês bom para todos nós. Parece piegas o que direi, mas minha companhia são vocês. Conto com a ajuda de todos, quase como um trabalho em equipe. Vamos nessa!
Ainda hoje tem especial Bruno Senna.