(CINGAPURA) Havia muita expectativa para o primeiro Grande Prêmio noturno da história da F-1. Os motivos são evidentes. Porém, não vou neste momento falar sobre a atração, o espetáculo e a novidade. Deixemos isso para depois. Temos mesmo que falar da corrida.
A largada foi tradicional e Kimi Raikkonen não teve brecha para atacar Lewis Hamilton, que partiu muito bem. Felipe Massa abria boa vantagem e a vitória seria sua. Hamilton, por sua vez, também ganhou boa vantagem para Raikkonen. Foi quando, de repente, o finlandês começou a caçar o líder do mundial. Em poucas voltas, a diferença despencou. Na volta 14, o episódio que mudou a corrida. Nelsinho Piquet perde o controle de sua Renault e bate. Safety-car na pista.
Paro aqui para alguns comentários. Ouvi de algumas pessoas no blog que a Renault teria feito de propósito. Não posso acreditar em uma coisa dessas. Saibam que uma jornalista alemã estava indignada porque falava-se isso também na terra dela. E ela, como eu, discordava. A única coisa esquisita nesta história toda foi a estratégia utilizada no carro de Fernando Alonso. Raras são as oportunidades em que alguém do fundo do pelotão larga tão leve. Ainda mais em circuito travado. Porém, ele estava entre os mais rápidos o tempo todo. Se fosse trambicagem seria mais mal feita. A batida de Nelsinho foi forte. Se ele tivesse apenas tocado algum ponto eu até poderia concordar. Mas ninguém daria aquela cacetada de propósito.
Minha outra consideração é que a regra de safety-car não merece ser chamada de outra coisa a não ser idiota. Na Alemanha, foi Piquet. Ontem, Alonso. Até Stefano Domenicali, e vocês ouviram aqui, disse que a Renault é especialista nisso. Piloto bateu, safety-car foi para a pista, boxes abertos e tchau. Sem discussão. Não tenho dúvida que FIA irá mudar a regra.
Parto agora para o momento mais falado da prova. A parada de Felipe Massa. O que fizeram com ele é muito grave. Todos no paddock, afirmavam que o time faria dobradinha, porque ritmo de Kimi Raikkonen iria fazê-lo levar a melhor sobre Hamilton. Um erro humano, que foi flagrado pela câmera onboard de Felipe. Acompanhem o senhor barrigudo ao lado direito da tela apertando alguns botões.
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Aqui volto a questionar a regra do safety-car. Mesmo que Felipe Massa não tivesse arrancado a mangueira, teria sido punido por saída insegura. Eu questionei isso a ele e Felipe garantiu que sem o problema a coisa seria diferente. Pode até ser. Mas com o regulamento obrigando 10, 15 carros ao mesmo tempo nos boxes, é impossível o líder sair sem ninguém ao lado.
Outro problema desta regra esdrúxula é prejudicar aqueles carros que têm paradas programadas para as voltas em que o pit está fechado. Exemplo, Robert Kubica. Registrei com minha máquina o momento de seu stop and go.

O resultado foi ótimo para Lewis Hamilton. O inglês “ganhou” dez pontos. Em situação normal, sairia de Cingapura com três pontos menos no mundial em relação a Felipe Massa. Saiu com sete mais. O inglês fez corrida cerebral, pragmática, pensou no campeonato. Belo trabalho.
Quem embalou de forma impressionante foi Sebastian Vettel. Não me refiro apenas após vencer o GP da Itália. O alemão da Toro Rosso, somou 21 pontos nas últimas quatro etapas. Talento nato. Além de bem gente boa.
Nico Rosberg, da Williams, foi muito bem. Sem ter a força de Hamilton, Kubica e Vettel, o alemão é inteligente e veloz. Precisa apenas um carrinho mais rápido. Beneficiou-se do safety-car, mas como Kubica, teria que cumprir punição. Como era o primeiro da fila na saída do carro-madrinha, teve pista livre para andar quase dois segundos mais rápido que alguns rivais. Quando cumpriu punição, voltou ainda entre os primeiros. Belo trabalho.
Justiça seja feita; seu companheiro de Williams, Kazuki Nakajima, andou bem e somou ponto. Até o aposentado David Coulthard conseguiu seus pontinhos.
Rubens Barrichello, da Honda, teve fim de semana ruim. Por pouco, sua sorte não mudou. O brasileiro estava lá no fundo. Quando Nelsinho Piquet bateu, seu astuto engenheiro o chamou para os boxes. Rubinho lucraria muito com isso. Porém, metros após o reabastecimento, Rubinho parou. E disparou: “Eu fiquei tão de saco cheio que eu saí e nem sei o que aconteceu. Motor morreu. Tenho uma idéia do que aconteceu mas deixa pra lá. Terminaria entre terceiro e sétimo.”
Sete pontos em três corridas não é pouco. Mas, depois da dor em Budapeste, quando o motor de Felipe estourou nas últimas três voltas, o brasileiro estava oito pontos atrás de Hamilton. Chegou em Cingapura com apenas um de desvantagem. Ou seja, em três corridas (Valência, Bélgica e Itália), tirou sete pontos. Difícil é, mas não impossível. Questão primordial do campeonato é que são dois pilotos extremamente capazes que duelam na pista. Ambos já mostraram inúmeros momentos impressionantes. Falharam, praticamente, a mesma quantidade. A diferença é que McLaren tem dado goleada na Ferrari. Faltam apenas três corridas. Ninguém pode mais vacilar.