A saída da Toyota
quarta-feira - 4/novembro/2009(SÃO PAULO) Bom dia a todos! Há algum tempo queria escrever sobre a Toyota e outras empresas que continuavam com a crise, e a falta de resultados, na cabeça.
Na dobradinha entre Cingapura e Japão se falou muito sobre isso. A Renault vivia a questão do escândalo que envolvia o resultado do ano anterior com o acidente de Nelsinho Piquet.
E na Toyota, só se falava sobre isso. Na coletiva da FIA de sexta-feira, em Suzuka, perguntaram algumas vezes para John Howett se ele acreditava que a Toyota sairia da F-1. Ele respondia: “Acredito que não”.
Acumulei um bom grupo de informações naqueles fins de semana. Até prometi falar sobre o assunto. Eis que, após viajar 46 horas de Suzuka até a Vila Clementino, minha noiva teve aquele problema que todos sabem. E o post da Toyota foi para o espaço.
Escrevo algumas coisas agora. Antes de mais nada, cobrir a crise, dificuldades financeiras na F-1, ou qualquer pindaíba que seja, é muito difícil. Todos omitem dados, inventam histórias, saem pela tangente.
Na dobradinha asiática, a questão Toyota estava muito em destaque. Quanto a Renault, especulavam que a quase declarada inocência no Conselho Mundial, serviria como garantia para que o time ficasse mais alguns anos (ainda há dúvidas sobre isso).
A montadora japonesa nunca obteve belos resultados e acumula perdas em quase todos os mercados mundiais. A soma geraria sua saída, apostavam alguns no paddock.
Lembro-me de no GP do Japão, ter pedido a um assessor de imprensa a possibilidade de almoçar na Toyota para quatro jornalistas brasileiros (nas provas fora da Europa é um salve-se quem puder para comer). Ouvi como resposta, em inglês falado bem baixinho, como se estivesse envergonhado: “Não vai dar amigo. Estamos em corte total de gastos. É ordem da direção”. Se isso acontecesse o ano todo, até vai. Mas a Toyota durante o ano estava administrando as coisas normalmente.
Outro assunto que me fazia acreditar na saída da empresa. A negociação da dupla de pilotos. Ouvi de alguns profissionais, que lá negociaram, que nunca as conversas pareceriam concretas. Era uma lenga-lenga sem fim definido.
Quando Timo Glock sofreu seu acidente, não poderia correr de jeito algum. Mas para Interlagos, a imprensa alemã garante que daria sim para o piloto participar. A escolha de Kamui Kobayashi, que hoje sabemos foi ótima, era uma espécie de canto dos cisnes da Toyota.
Sobre a saída da Bridgestone, confesso ter ficado surpreso. Não ouvi em paddock algum que esta história podia acontecer a curto prazo. E a lista de empresas com malas em preparação ainda conta com muitos nomes, como escrevi dias atrás.
E não pensem que a saída de empresas está apenas ligada à crise. Essa não cola! As montadoras que sofrem com resultados, como muitos sempre disseram, assim que perdessem o interesse deixariam o esporte. A hora da F-1 se reformular é mais do que agora. Ou senão, pode ficar tarde demais!


Felipe Motta é repórter da rádio Jovem Pan desde 1999, cobriu seu primeiro GP do Brasil em 2002. Em 2004, assumiu a função de viajar em todas as corridas com a F-1. Já conheceu mais de 40 países, ao lado da velocidade dos carros e de outros eventos esportivos, como Copa do Mundo (2006) e Copa das Confederações (2009).