Há novidade na velha Rússia ?

Sede da Copa do Mundo em 2018, a Rússia voltou a chamar a atenção como protagonista no combate ao terror e também com seu Estado de repressão política.

O país viveu, durante os anos 1990,  sua década perdida com queda na qualidade de vida e perda do poder de consumo  como consequências da  perestróika.  Foi nesta época que o  povo russo acabou frustrado com a democracia e fazendo uma certa analogia entre ela e o fracasso.

Nos anos 2000, a Rússia ressurge. Com um líder centralizador, Vladimir Putin,  os russos voltam a sonhar com dias melhores, já que a economia passa a ser beneficiada com o preço das commodities.

Putin refaz a promessa da Rússia Grande. Primeiro, dentro do próprio território, depois, com políticas mais ousadas de interesses externos.

Só que, agora , jovens conectados ao mundo pelas redes sociais, vivendo em um país que enfrenta abalos econômicos começam a questionar a repressão e corrupção no kremlin.  Esse panorama sobre a Rússia você ouve aqui.

A juventude anti-Putin

Alexei Navalny,principal figura de oposição ao governo de Vladimir Putin preso por convocar protestos esta semana

A onda de protestos na Rússia levou mais de 500 pessoas à prisão e trouxe uma novidade à oposição do governo de Vladimir Putin: Jovens  que driblam a repressão midiática e descobrem um país bem diferente daquele vivido por seus pais. Alexei Navalny,principal figura de oposição ao governo de Vladimir Putin preso por convocar protestos esta semana

Denis Bilunov, jornalista russo e líder de partido de oposição, participa de manifestação contra Vladimir Putin

Processo por furto de salame gera ao Estado custos 300 vezes maior que o produto

R$ 18,11 . Este era o preço do salame que foi furtado de um atacado, na cidade de São José dos Campos. Mas a pena cumprida pelo autor do furto custou aos cofres públicos, 322 vezes mais do que isso.

É que para você ter uma ideia, um preso custa em média R$ 1.450,00 por mês ao Estado de São Paulo.

O autor do furto ficou quatro meses detido, custando, em valores atuais, R$ 5,8 mil para o Estado. Fora isso, há um custo em movimentar o aparato judicial.

A defensora pública, Livia Tinoco conta que inicialmente, o furto levou a uma condenação de três anos e seis meses de prisão.

Por isso, foi necessário recorrer, mas, em segunda instância. O tribunal de Justiça Paulista apenas reduziu a pena para dois anos e quatro meses de prisão, em regime inicialmente semiaberto: “ele já estava vivendo há uns dias na rua e, com fome, entrou em um atacadão e acabou subtraindo esse salame”.

Então, uma terceira ação foi movida, desta vez, no Superior Tribunal de Justiça. Foi só aí, que a Defensoria conseguiu convencer a justiça sobre a seguinte matemática: “Pelo diagnóstico do Ministério da Justiça, na época, foi feito o estudo, o processo judicial fica em torno de R$ 1.848,00. E são todos os custos para o aparelho estatal”, explicou.

No caso do furto do salame foi aplicado o princípio da insignificância, lembrado pelo advogado constitucionalista Alberto Luís Rollo.

No entanto, o Alberto Rollo ponderou: há na condenação em primeira e segunda instância um entendimento que vai além do valor do furto: “quer dizer que aquele bem que está protegido tem um valor tão ínfimo, que não tem maior importância no direito, que não vale a pena punir a pessoa que foi condenada por um roubo ou furto. Entendo que a primeira e segunda instância fiquem preocupados. O problema não é o valor, mas o exemplo que fica”, disse.

Mas se você acha que o caso é uma exceção no poder judiciário, a defensora pública Livia Tinoco diz o contrário: “não é um ou outro, são centenas de processos. Não é um caso isolado. Para você ter uma ideia, eu tive um caso como este, que foi parar no STJ para avaliar um furto de dois amendoins que, juntos, somavam R$ 1,50”.

Enquanto isso,em maio de 2016, tramitavam no STJ 404.798 processos. No mesmo mês deste ano, o número diminui, mas, o volume ainda assunta: são 351.443 documentos aguardando decisão.

Lições do tempo, ou, sobre ter irmãos

Todo ano, quando chega este período, fico pensando o que dá para dizer que ainda não foi dito sobre essas criaturinhas. Afinal já faz mais de 30 anos que convivo com um e já faz duas décadas que ouço ( e como ouço!) a outra.

Já vendemos  picolé na praia juntos .  Minha veia de comunicadora e meu ar sempre independente tiveram a brilhante ideia de sairmos pelas areias de Oásis empreendendo. Com a consciência de que nada domino de exatas, meu irmão seria meu parceiro na empreitada: eu fazia o marketing; gritava “olha o picolé”,  ele fazia as contas.  A condição, imposta por nossa mãe “não passar pelas ruas em que pudesse haver conhecidos”.

Ela já me deu o dia mais feliz da minha vida com a maior simplicidade. Foi a primeira vez que a levei ao teatro. Ela tinha 3 anos e fomos ver o Mágico de Oz. Ao final da peça, os personagens desceram do palco e abraçaram as crianças. Sim, ela abraçou a Dorothy, o espantalho, o homem de lata, o leão. Depois disso, me abraçou e com o sorriso mais sincero disse “mana, hoje é o dia mais feliz da minha vida”. – Da minha, com certeza, foi.

Acontece que ser mais velho traz para a gente uma série de neuras e dificuldades. Não é só dar ideias de empreendimentos ou momentos de felicidade em uma peça de teatro. Ser mais velho é ser um mini pai e mãe e como tal é ver o irmão mais novo sofrer e se ferrar muitas vezes. E com isso a gente sofre.  E como sofre.

O primeiro impulso é proteger; dizer “não vai por aí, você vai se dar mal”, “eu já  fiz isso antes e deu  errado.”.  E aí eu acredito que está a grande lição do irmão mais velho:  a nós , vocês ensinam o respeito pelo tempo de cada um, ensinam a ter paciência para ver o outro errando e aprendendo com o próprio erro;  porque, às vezes, é só assim mesmo que a gente aprende .

Então, nesta data tão linda que é o aniversário de vocês dois quero agradecer por este grande aprendizado que é a lição de enxergar o tempo do outro e respeitar  o momento  da vida de cada um. Sejam felizes – nos erros e acertos – a nós, irmãos mais velhos, cabe estar ao seu lado para ouvir, confortar, independentemente da situação, afinal,  vocês são nosso maior aprendizado sobre paciência e resignação.

Lei de Migração x Estatuto do Estrangeiro

A lei de migração já foi aprovada no congresso mas ainda precisa ser sancionada na presidência. Essa semana, um grupo decidiu protestar contra o projeto e a manifestação acabou em confronto – com feridos e presos. Infelizmente, o episódio tirou o foco do que interessa ; o quê afinal vai mudar? Esqueçam a falácia de que somos um país acolhedor . O  está entre os piores lugares para os imigrantes. Esqueçam também outra mentira; a de que fomos “invadidos” por imigrantes: nossa população hoje tem apenas 1% de imigrantes – na Argentina por exemplo são 4%, EUA, 14%. Temos mais Brasileiros emigrando do que imigrantes aqui dentro. Então vamos ao que interessa: https://youtu.be/7luuMYC-fa4

Pedacin e esquema: dá trabalho demais

A primeira história terminou no carnaval. Uma amiga vinha curtindo um affair há cerca de dois meses, com um cara aparentemente bacana até que foi obrigada a aderir ao hit da folia “Você partiu meu coração” depois que ele decidiu desaparecer durante a festa. Sem mais, nem menos, ele sumiu.

Na verdade, ele não desapareceu completamente, em um dos dias, resolveu dar um “oi”, atacando ela com mensagens agressivas e malucas, em meio a um surto psicótico. O que sei da narrativa: os dois se conheceram em um app e relacionamentos. Tinham afinida
des. Ela titubeou por alguns instantes achando que poderia ser fria mas, pesando prós e contras, achou que teria mais prós: idades, regulavam; ideias, convergiam; assuntos, sobravam; sexo dava para o gasto; enfim, aparentemente, valia a pena o investimento de tempo, energia, lucidez.

Depois do carnaval, ele ressurgiu, com a desculpa de que o desaparecimento
era normal. Os dois não tinham compromisso,aliás, segundo ele, ela sequer poderia chamá-lo namorado, e ele estava “apenas curtindo a esbórnia com os amigos”. Conclusão, minha amiga decidiu não mais chamá-lo de coisa alguma e sim mandá-lo caminhar.

A segunda história foi comigo. Por um ano, fiquei em uma das relações mais legais
que já tive. A gente se conheceu trabalhando. Eu levei um puta susto quando ele me chamou para sair porque era um cara que eu lia na faculdade e pensava “nossa, quando eu for gente grande, quero fazer isso”.  O tipo do jornalista que sempre sonhei ser.  Quando terminou o programa que estávamos fazendo, ele pediu meu telefone. Achei que era alguma pauta, ou, uma piada mesmo mas, na verdade, o que ele queria era me chamar para sair.

E chamou. E a gente saiu. E foi tudo muito rápido. E, porque foi rápido, não deu certo. Separamos-nos por uns dois meses. E, depois, nos reaproximamos. Seguimos compartilhando vinhos, pautas, problemas, alegrias, por um bom tempo. A rotina dele é viajar a trabalho, a minha é uma dupla jornada de trabalho. Por isso, o cotidiano nunca permitiu que tivéssemos uma relação “normal”. Nunca houve amarras. E não sentíamos necessidades delas. Estávamos ali no presente e isso nos bastava. Até o momento em que deixarmos de estar.

O problema é que o momento em que deixamos de estar foi aquele em que ele decidiu formalizar tudo isso. E foi aquele também em que, no ditado popular, “a fila andou”.

Olhando para estas duas histórias lembro da conversa que tive esta madrugada:

Eu: Será que o fato de os homens estarem meio “perdidos” com seus papeis é que tem feito com que eles se tornem tão imaturos e irresponsáveis?

Outra Pessoa: Mas não são os homens. São as pessoas que estão imaturas e irresponsáveis em termos de relacionamentos.

(…)

Vou ter que concordar.

Não são apenas os homens. Muito embora eu veja isso com maior frequência no universo masculino.

Estamos todos deliberadamente imaturos e irresponsáveis com as outras pessoas quando o assunto é criar laços.

Olhando para as duas histórias que contei, vejo claramente que não tem uma fórmula de re
lação correta. Só que todas, sem exceção, exigem dedicação. E isso dá trabalho. Exige transpiração.

Olho para a minha amiga que achava estar fazendo tudo certo ao investir em uma relação.  Parecia a primeira aluna da classe de um lama budista que prega compaixão. Esqueceu apenas que até no altruísmo pode haver uma pitada de egoísmo. Sim, porque ajudar quem não está pedindo pode ser muito mais uma forma de auto-ajuda.

Minha amiga, coitada, esqueceu o básico: relação é  via de mão dupla. É impossível relacionar-se com quem não tem empatia.

Olho para minha ex -relação que sofreu de timings diferentes, porque não tínhamos tempo suficiente para dedicar  um ao outro e penso – esse negócio de criar laços  é tão old school.

Agora entendo, assim como minha amiga, o tal hit do carnaval. É mais fácil distribuir o coração em pedacinhos, porque pedacinhos são fáceis de juntar. A gente pode até dar desculpas, desaparecer, pode esquecer um pedacinho aqui e outro ali que talvez nem sinta falta.

O coração inteiro – daquele jeito que a gente dispõe com toda coragem p
ara ser partido – precisa ser trabalhado, estimulado. São necessárias horas de dedicação, afinco, paciência.

É atirar-se de cabeça em algo que, sabemos, pode dar errado. Que dando errado pode gerar novos traumas, novos esforços. Mais do que isso, você entra  em uma história sabendo que coisas mais tentadoras podem vir e que você terá que recusá-las porque está ali, comprometido.

Assim, fica fácil entender porque o preço do “pedacin” sai mais em conta. Só não dá para esquecer que, quando os “esquemas” acabarem, dá trabalho também preencher o vazio deixado por tantos pedacins...

Da série certas coisas que só acontecem com certas pessoas (ou, de como nos conformamos com a desgraça alheia)

Quarta-feira, cai aquela chuva de final de tarde em São Paulo – na forma líquida e sólida. A cidade vira um caos, falta luz, alaga tudo, o estrago está feito.  Por causa da falta de energia e, principalmente, porque a Eletropaulo não dava previsão da volta dela, as aulas foram suspensas.

“Vou para casa  mais cedo”.  No caminho de casa, trânsito engarrafado. “Normal” – É São Paulo. Estamos na Zona Sul. Choveu.

O problema é que o engarrafamento começou a demorar um pouco mais que o normal na já travada Avenida Giovani Groncchi. “Vamos desviar por Paraisópolis”, peço para o taxista, já que NENHUM agente de trânsito está ali para dizer o que está ocorrendo.

Obvio, mais pessoas tiveram a mesma ideia.

Paraisópolis, como toda comunidade, tem as ruas estreitas, e repleta de carros estacionados, outros desovados mesmo, dos dois lados da via.  Com isso, quem entrou ali para desviar, teria que seguir em fila indiana.

Uns 40 minutos parada, desisti e decidi seguir a pé. Começaram os rumores “mataram dois na favela”. 

Nesta altura, percebo que os principais acessos ao extremo sul da cidade estão bloqueados e não há ninguém para informar nada. Ligo para a rádio, aviso que a situação está periclitante, digo que vou checar o ocorrido para entrar no ar.

Pego meu crachá de jornalista, me aproximo da polícia e pergunto “O que está acontecendo?”

  1. O gerador de uma obra na Giovani Groncchi pegou fogo
  2. Este gerador fica ao lado de um tanque de óleo diesel.
  3. Para evitar uma explosão a Giovani ficará bloqueada por tempo indeterminado.
  4. Dentro de Paraisópolis, dois homens que teriam tentado cometer um assalto foram mortos. Ou seja, a  “alternativa” para o motorista estava bloqueada porque era a cena do homicídio.
  5. Todos os veículos que tentaram desviar pela comunidade ficaram “presos” por ali.

Assim, para chegar em casa, eu tive que passar pelo incêndio, a ameaça de explosão, os dois homicídios, e andar entre 2 e 3 km por dentro de Paraisópolis.   Em uma noite em que eu avaliava que chegaria mais cedo.

Nisso, uma senhora simpática se aproxima e pergunta “Posso seguir com você?”

Fico contente, acho que nós mulheres devemos seguir juntas, porque é sempre uma segurança a mais.

Uns minutos de caminhada depois, ela quebra o silêncio e diz:

– A gente reclama, mas, vai ver que é Jesus livrando de algo pior, né?
Minha senhora, nós passamos por 1 incêndio, 1 explosão, 2 homicídios, vamos ter que subir ladeira feito 2 camelas dentro de Paraisópolis à noite para chegar em casa depois de um dia trabalho… A senhora está esperando o quê de PIOR?!

((WTF! ))