Em condições normais, o sangue passa pelos rins onde é filtrado pelos glomérulos, e o produto da filtração é eliminado pela urina. Contudo, várias moléculas presentes na corrente sangüínea não devem ser excretadas pelos rins, dentre elas as proteínas. Proteinúria é o termo que indica a presença de proteína na urina e é sempre considerado uma doença.
As principais causas de proteinúria são as glomerulonefrites (inflamação dos glomérulos), mas a proteinúria pode estar presente, normalmente em quantidades menores, na nefroesclerose (doença renal secundária à hipertensão arterial), na nefrite intersticial (processo inflamatório do tecido renal, entre os glomérulos, sem lesá-los), nas infecções das vias urinárias, entre outras causas menos comuns.
A maneira mais precisa de se avaliar a presença de proteínas na urina é por meio da dosagem de proteínas em toda a urina coletada num período de 24 horas (chamada proteinúria de 24 horas). Ela é medida em gramas por 24 horas, sendo discretamente elevada quando temos proteinúria de 24 horas em níveis maiores que 0,05 g; nitidamente elevada quando o nível é maior que 0,5 g em 24 horas; e proteinúria exuberante, chamada proteinúria nefrótica, quando o nível é maior que 3g em 24 horas. Sempre, portanto, que se identifica presença de proteínas em um exame de urina tipo I (sedimento urinário) é preciso repetí-lo, acrescido da coleta de urina de 24 horas.
Sempre que se pretende avaliar corretamente a função renal de uma pessoa deve-se, além de exames de sangue, pesquisar a presença de proteína na urina. Esta afirmativa é ainda mais importante em se tratando de indivíduos diabéticos ou hipertensos, porque estas são causas graves de insuficiência renal crônioca, visto que proteinúria indica inequívoca lesão renal, embora a lesão seja totalmente assintomática nas fases iniciais e haja uma série de alternativas terapêuticas a ser empregada nestas situações, principalmente nas fases iniciais da doença renal.
Proteinúria não é doença e sim a manifestação de uma doença, não devendo ser tratada isoladamente. Deve-se tratar a doença que está causando a perda proteica pela urina. Portanto, sempre que se identifica a presença de proteína na urina, deve-se fazer uma investigação detalhada para identificar a causa da mesma e aí, então, tratá-la, uma vez que as doenças glomerulares são as principais causas de insuficiência renal crônica conhecida.


