Quão verde você é, Al Gore?

5/novembro/2009 por Ulisses Neto

bbcToda vez que falamos em aquecimento global, um nome logo vem à cabeça: Al Gore. Assim que perdeu as eleições presidenciais para George W. Bush, Gore abraçou a causa ambiental e, em pouco tempo, se tornou um dos “ativistas” mais famosos do mundo.

Graças as suas palestras, declarações e, sobretudo, ao documentário premiado com o Oscar, Uma Verdade Inconveniente.

Só que tem muita gente que ainda desconfia do ex-quase-presidente norte-americano. E o motivo é simples: o sujeito fatura milhões e milhões de dólares com a sua “bandeira verde”. Você pode até dizer, “ah, mas ele está ganhando seu dinheiro honestamente”. Concordo, em partes.

A paranóia do aquecimento global é, sim, questionada por muitos especialistas. Exemplo:

Mas, tudo bem. Não quero discutir aqui se o homem é ou não responsável pelo aquecimento global. Tudo isso é só para falar sobre uma entrevista que Al Gore concedeu ao apresentador Jeremy Paxman, do programa Newsnight da BBC.

Paxman deixou Gore bem sem graça. O vídeo pode ser acessado clicando aqui. Abaixo, uma pequena (bem pequena mesmo) e livre tradução.

Primeira pergunta: Como o senhor mudou o seu comportamento (para contribuir na redução de emissão de poluentes)?
Resposta: Mudei janelas, lâmpadas, utilizo menos o carro, bláblábla…

Segunda pergunta: Mas o senhor passou por um constrangimento quando descobriram que sua conta de luz era de mais de 30 Mil dólares por ano. Como está isso agora?
Resposta: Risos sem graça… Bem, eu, eu, não uso mais gás, tenho usado energia renovável, blábláblá…

Terceira pergunta:
O senhor virou vegetariano?
Resposta: Risos sem graça… Não, eu reduzi as porções de carne por razões de saúde e bláblablá…

Quarta pergunta: O senhor defende a utilização de novas tecnologias para lidar com a emissão de poluentes. Mas, ao mesmo tempo, o senhor investe dinheiro nessas tecnologias. Ou seja, há um verdadeiro conflito de interesses…
Resposta: Bem, eu defendo essas políticas há mais de 30 anos. E meus maiores negócios nos últimos 9 anos não têm sido nessa área. Claro que eu invisto no que eu acredito. Se eu não o fizesse eu seria chamado de hipócrita; Por isso, sou orgulhoso dos meus investimentos e incentivo todos a fazerem o mesmo.

Ok. Mas mesmo assim é bom ficarmos de olhos bem abertos…

Brasil: de país herbívoro a carnívoro

4/novembro/2009 por Ulisses Neto

O êxito do Brasil, o país da moda na América Latina, parece não incomodar ninguém: todos se alegram com o avanço internacional do gigante sulamericano. É assim que começa reportagem do jornal espanhol El País publicada nesta quarta-feira sobre o nosso país.

O texto (clique aqui para acessar) gira em torno de um evento que está sendo realizado na Espanha para discutir o desempenho dos brasileiros no cenário internacional.

elpais

Duas declarações chamam a atenção. A primeira é do economista José Juan Ruiz que diz “os brasileiros devem estar preparados para passarem de país herbívoro, para país carnívoro”.

O que ele quer dizer é que toda liderança tem seu preço. Toda influência tem seu questionamento. E toda decisão tem sua contestação. O importante é saber lidar com essas situções.

A partir disso, chegamos à segunda declaração de destaque na reportagem.

Ela foi feita pelo embaixador dos EUA à Marcelo Odebrecht. O diplomata norte-americano comentava a disputa que a companhia teve no começo do ano com o governo do Equador e disparou: “Marcelo, como se sente agora sendo o gringo da América Latina?”, segundo Odebrecht.

Bem, o Brasil está longe de ser “o gringo da América Latina”. Mas também parece claro que alguns vizinhos já começam a olhar para nós com uma certa desconfiança.

Afinal, esse é o país que detém quase 50% de todo o território sulamericano e mais da metade da população da região. Na economia então, é barbada. Só para comparar, a Bolívia tem PIB de US$ 28 bilhões. A cidade de São Paulo sozinha (sem contar a Grande SP) tem PIB de aproximadamente US$ 160 bilhões.

Agora, como lidar com esse tamanho todo e influenciar a região de maneira positiva, aí já são outros quinhentos…

US$ 250 milhões para comandar NYC

3/novembro/2009 por Ulisses Neto

bloomHojé é dia de eleições regionais em algumas partes dos EUA. Entre elas, a para prefeito de Nova York. Na disputa estão o atual chefe da cidade, o magnata Michael Bloomberg, e o democrata William Thompson.

Se os institutos de pesquisa não estiverem errados, o prefeito deve conseguir hoje sua reeleição com cerca de 10 pontos de vantagem. A segunda reeleição, diga-se de passagem, já que Bloomberg teve mais sucesso que Hugo Chávez em sua empreitada política e conseguiu aprovar a possibilidade de um novo mandato consecutivo.

E sabe quanto essa brincadeira vai custar? Bem, a gente nunca sabe ao certo o quanto um candidato gasta em sua campanha, mas pelas contas declaradas à Justiça, Michael Bloomberg desembolsou (com recursos próprios) cerca de US$ 100 milhões só nesse ano. Somando as outras duas vezes que ele concorreu à prefeitura de NYC, chegamos ao total de US$ 250 milhões! É muito altruísmo!

Tudo bem, Michael Bloomberg não é um político qualquer. Foi eleito pela revista Forbes como o maior magnata da cidade e o sexto homem mais rico do país, com uma riqueza estimada em US$ 16 bilhões.

Mas, mesmo para quem tem dinheiro, a cifra gasta na campanha é estratosférica. Só para comparar, o democrata que tenta derrubar Bloomberg e não é dono de nenhum conglomerado, gastou US$ 10 milhões nessa eleição.

Curiosamente, o tema principal da disputa foi a economia. Thompson encerrou a campanha seguindo pela linha da contraposição. Para ele, existem duas NYC: uma dos ricaços de Manhattan e Wall Street; outra dos trabalhadores que estão sendo “obrigados” a deixar a cidade pelos elevados custos locais.  É nesse voto que o democrata aposta para conseguir surpreender nas urnas.

O prefeito, por sua vez, seguiu a linha do “você pode”. Ontem à noite, Bloomberg passou por todas as regiões da cidade e visitou pequenos comerciantes para “dar dicas” de como se tornar um empresário de sucesso.

No final das contas, uma eleição em países “democráticos” quase sempre é vencida pelo candidato com mais recursos. A única diferença é quem Nova York tudo é grande. Tudo é colossal. Até a diferença de orçamentos…

Blair: Eu sou o cara!

29/outubro/2009 por Ulisses Neto

Pois é. A iminente candidatura de Tony Blair para a presidência da União Europeia não sai das capas dos jornais internacionais. Hoje é a vez do The Times, de Londres.

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A manchete é bem direta: Eu sou o cara! Mas o interessante mesmo é o que está escrito embaixo: Blair vai assumir a presidência da UE se o emprego for grande o suficiente. Pois é, como diria o filósofo Jagger, Old Habits Die Hard.

Segundo o Times, alguns interlocutores do ex-primeiro-ministro britânico dizem que ele está preparado para a missão. O jornalão inglês afirma ainda que “Blair abriria mão de seus lucrativos interesses comerciais por um trabalho que o permitisse fazer a diferença na Europa (!)”.

Só que Alemana e França ainda não se convenceram desse altruísmo todo. Ontem, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel se reuniram em Paris   para discutir o tema. Os dois países querem encontrar a famosa “terceira via” para as candidaturas de Blair e Jean-Claude Junker, de Luxemburgo. Vamos aguardar…

Os americanos estão lendo menos; jornais

28/outubro/2009 por Ulisses Neto

Não é de hoje que os jornais em todo o mundo vem experimentando uma queda acentuada no número de leitores. Culpa da internet (será só isso mesmo?). Mas o último resultado no mercado norte-americano impressiona. De acordo com o Escritório de Auditagem e Circulação dos EUA, a circulação média diária de 379 jornais no país caiu 10,6% entre abril e setembro, na comparação com o mesmo período de 2008.

De acordo com texto do Knigh Center for Journalism (University of Texas at Austin), a circulação aos domingos de todos os 562 jornais pesquisados também teve forte retração, na casa dos 7,5%. Já entre os 25 maiores diários do país, somente um não teve resultado negativo. Foi o Wall Street Journal, que registrou aumento de circulação de 0,6%, superando o USA Today, o jornal de maior tiragem dos Estados Unidos.

O manda-chuva europeu

28/outubro/2009 por Ulisses Neto

bandeira_ueAinda falando sobre Tony Blair e a União Europeia…

O comentário feito pela Maria Antonieta no post abaixo (Será que dá?) questionando a importância do cargo de presidente da UE destacou um problema no texto anterior.

A dúvida dela faz sentido. E aqui vai a explicação! Na verdade, o cargo de presidente da União Europeia não existe hoje em dia. O que existe é o posto de presidente da Comissão Europeia, entidade independente que representa os interesses do bloco. Atualmente, a cadeira, que de fato tem sua representatividade bastante questionada, é ocupado pelo português José Manuel Durão Barroso.

Só que está em cena o novo Tratado de Lisboa, que é uma espécie de reforma dos tratados anteriores da UE. Ele ganhou força após a tentativa frustrada de aplicar uma constituição europeia e terá como principal função trazer uma personalidade jurídica à UE, para que acordos internacionais sejam assinados em nível comunitário (para saber mais detalhes acesse este artigo da Wikipédia).

E o Tratado de Lisboa (que já foi ratificado por 26 países-membros, faltando apenas a decisão da República Tcheca) prevê a criação do cargo de presidente da União Europeia. Como o novo acordo vai trazer mais força para as decisões tomadas pela UE nas negociações internacionais, uma vez que elas valerão para todos os integrantes, a vaga de “comandante” do bloco ganha um peso real.

Por isso Tony Blair está de olho na futura eleição, que será indireta entre os chefes de governo e de estado europeus. Só que ele não está sozinho nessa. Também buscam a presidência os premiês da Holanda, Jan-Peter Balkenende,  da Finlândia, Paavo Lipponen e de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker.

Juncker, aliás, não tem poupado críticas à candidatura de Blair. Diz (com alguma razão) que o Reino Unido nada faz para fomentar a integração dos países-membros. Lembrando que os britânicos não adotaram o Euro, nem fazem parte do acordo de livre circulação de pessoas, o Espaço Schengen.

“Não consigo distinguir três temas nos quais a Grã-Bretanha tenha provado uma verdadeira inspiração europeia nos últimos 10 anos”, dispara o premiê de Luxemburgo…

SERÁ QUE DÁ?

27/outubro/2009 por Ulisses Neto

tony-blair11Você se lembra da disputa pela presidência do Senado brasileiro no começo deste ano? O senador peemedebista José Sarney dizia que não queria se candidatar, que não almejava o cargo. Mas, quando ficou evidente o apoio para o ex-presidente, ele se candidatou e levou com tranquilidade a disputa.

Podemos dizer que algo muito semelhante (dadas as devidas proporções) está acontecendo na briga pela presidência da União Europeia. O “Sarney” da vez é o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Todo mundo sabe que ele está com o olho grande para cima do cargo de comando do bloco de 27 países. Mesmo assim, Blair nega. E por que o antigo premiê faz isso? Bem, há quem diga que Blair está com (muito) medo de ser humilhado durante o processo de escolha do presidente da UE. Ele não quer correr o risco de ter seu nome vetado por algum colega, dizem os jornais europeus.

Só que essa falta de decisão de Blair pode lhe custar o cargo. Alguns integrantes do partido trabalhista britânico estão preocupados com essa postura e dizem que sem candidato não há campanha. Logo, não há votos, como aponta uma reportagem publicada no site do El País.

Pelo sim, pelo não, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, já designou dois assessores para fazer lobby à favor da candidatura nas capitais dos países-membros e construir o apoio necessário para a indicação de Blair. A tarefa não será nada fácil já que os britânicos não são vistos como os mais atuantes no processo de integração do continente. Além disso, Blair também não tem uma imagem, digamos, das mais populares no bloco.

À LA PROCHAINE

23/outubro/2009 por Ulisses Neto

jean1A família Sarkozy não pôde aguentar a pressão da oposição, da imprensa e de boa parte da população francesa. O filho do presidente Nicholas Sarkozy anunciou ontem que não vai mais concorrer à presidência do distrito de negócios de La Defénse, em Paris.

O cargo que Jean Sarkozy pretendia comandar no Escritório Público de Organização de La Defénse gerencia um orçamento bilionário. O EPAD controla e regulamenta os investimentos de 1.500 multinacionais instaladas no distrito parisiense. Por isso, os franceses não gostaram nada da idéia de entregar toda essa responsabilidade nas mãos de um jovem de apenas 23 anos.

Além de ser muito novo, Jean Sarkozy também foi acusado de ser inexperiente já que está apenas no segundo ano da faculdade de Direito. E ainda por cima já repetiu dois anos do curso, o que também virou piada pronta para os humoristas do país.

A oposição acusou o presidente de nepotismo e de tentar ampliar sua rede de influência. Foram 15 dias de desgaste à imagem da família até que ontem à noite, Jean anunciou ao vivo na rede de TV France Deux a sua desistência.

Jean Sarkozy afirmou que será candidato nas eleições de hoje ao posto de conselheiro do EPAD, mas que não tentará a vaga de presidente. Disse que não aceitaria uma vitória manchada pelas acusações de favorecimento que foram feitas nas últimas semanas. Ele ainda declarou que uma campanha de desinformação e manipulação foi feita contra a sua candidatura.

Questionado se a decisão de abandonar a disputa foi tomada por ele ou pelo pai presidente, Jean disse o seguinte:

Jean afirmou que não se consultou com o presidente da República, mas sim com o seu pai, algo que todos os filhos fazem em momentos difíceis. Mas o enteado de Carla Bruni garante: nasceu para a vida política e vai continuar nela durante muito tempo…

ELES NÃO ESQUECEM, AINDA BEM…

20/outubro/2009 por Ulisses Neto

800px-pkierzkowski_070328_fgzcp_cdg2O acidente com o avião da Air France no litoral do Brasil ainda está trazendo muita dor de cabeça para a companhia aérea europeia.

A queda do A330-200 ocorreu em 1º de junho de 2009, quando 216 passageiros e 12 tripulantes morreram. Desde então, os funcionários da empresa reivindicam mudanças nos padrões de segurança. As investigações da tragédia não foram concluídas até agora, mas há indícios de que problemas nos sensores da aeronave tenham contribuído para o acidente.

Os sindicatos que representam pilotos e comissários têm entrado em choque constante com a companhia aérea exigindo novos procedimentos, mas dizem que ainda não foram atendidos.O resultado: ameaça de greve iminente.

Segundo o jornal Le Figaro, o clima está tão tenso que o próprio diretor-geral da Air France-KLM, Pierre-Henri Gourgeon, se reuniu com representantes dos funcionários para debater os procedimentos adotados e as lições tiradas do voo AF447.

Esse tipo de encontro não é comum e demonstraria as duras circunstâncias e dificuldades enfrentadas pela empresa, completa o Le Figaro.

MARKETING NEGATIVO

20/outubro/2009 por Ulisses Neto

liberationDepois do período de férias emendado com a cobertura da Fórmula 1 em São Paulo, o redator deste blog está de volta!

Passei algumas semanas viajando e acompanhei a escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 fora do país. A repercussão realmente me impressionou. Taxistas, colegas de curso e até agentes de imigração me davam os parabéns pelas olimpíadas como se meu sobrenome fosse da Silva, Nuzman, Cabral, Paes ou algo do tipo.

Confesso que meu lado ufanista ficou inflado. As saudades de casa até começaram a bater mais forte e a sensação de que realmente estamos indo bem cresceu no meu imaginário.

Na semana passada, em Interlagos, mais uma saraivada de cumprimentos pelos jogos. O autódromo recebe literalmente jornalistas de todo o mundo, a grande parte de colegas especializados em esporte. Ou seja, a opinião desses profissionais conta, e muito (pelo menos para mim).

Só que no sábado passado a realidade do nosso país me deu um daqueles “acorda, sujeito”. Os traficantes do Rio de Janeiro derrubaram um HELICÓPTERO (!). Eu não tinha me esquecido do tráfico de drogas no Rio, do crime organizado brasileiro, nada disso. Simplesmente tinha ignorado. E eles me recobraram a consciência.

Veja bem a gravidade da situação. No Afeganistão, os Talebãs NÃO DERRUBAM HELICÓPTEROS. No Iraque, os ditos insurgentes NÃO DERRUBAM HELICÓPTEROS. Mas no Rio de Janeiro os traficantes conseguiram e ainda mataram três policiais.  Tudo bem, são situações bem diferentes as vividas no Oriente Médio, mas o impacto das imagens é o mesmo.

Aproveitei a presença do ministro dos Esportes, Orlando Silva, que desfilava pelos camarotes de Interlagos, e o questionei sobre a repercussão negativa dessa situação no Rio. Ouça a resposta:

Concordo 100% com a resposta do ministro. A primeira preocupação deve ser a segurança da população e não a repercussão negativa. O problema é que não estão se preocupando nem com um nem com outro. Por isso, digo: se não acabam com a violência para proteger o cidadão, que o façam pelo menos pela imagem do país. Pelo menos…

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