Arquivos para a categoria ‘Brasil’

Volte sempre, Ahmadinejad

terça-feira - 24/novembro/2009

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Ainda falando sobre a “polêmica visita de Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil… O mesmo professor Reginaldo Nasser, que aparece no post abaixo, conversou com o jornal Estado de S. Paulo. E levantou uma questão importante, que o blog Mundo reproduz aqui. A íntegra da conversa pode ser acessada clicando aqui

”A política externa está se tornando questão partidária”

Reginaldo Nasser: professor de relações internacionais; para professor de relações internacionais, Brasil tem de enfrentar problemas e assumir responsabilidades

Roldão Arruda

Como o sr. vê as fortes críticas internas a Lula por esse encontro?

Insisto que não se deve confundir relações diplomáticas e políticas com aceitação automática do que ocorre nos países. É curioso ver que os autores das críticas mais duras não são tão enfáticos quando se trata da China, onde a minoria uigur tem sido vítima de massacres. No Brasil, a política externa está se tornando questão partidária (marcação do Blog M.). Não era assim. Identificam a visita como se fosse  um ato pessoal do Lula.

Seja bem-vindo, Ahmadinejad

segunda-feira - 23/novembro/2009

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O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, realiza hoje a sua já polêmica visita ao Brasil. A viagem do chefe de Teerã despertou reações acaloradas em todo o país. Até passeata no Rio de Janeiro com cerca de 800 pessoas debaixo de sol escaldante aconteceu.

Tudo porque Ahmadinejad tem posições sobre Israel que são consideradas inaceitáveis. Basta lembrar o histórico de declarações feitas pelo líder iraniano, que realmente é impressionante.

Mas, o que o presidente Lula pretende ao receber o chefe de governo do Oriente Médio não é ratificar as declarações dele ou endossar suas visões sobre o sionismo.  O que governo brasileiro pretende é consolidar seu papel como “player” ativo da chamada comunidade internacional. E, por isso, receber Ahmadinejad é, sim, bastante importante.

Abaixo, duas opiniões para fundamentar a opinião deste blog…

1) Embaixador Marcos Azambuja, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais.

2) Reginaldo Nasser, professor de relações internacionais da PUC de São Paulo

¿Ciberpiratas en apagones?

quarta-feira - 11/novembro/2009

O apagão que começou no Brasil ontem à noite também afetou o Paraguai. Por lá, os problemas foram menores, duraram cerca de 20 minutos, mas afetaram todo o país.

A capital Assunção ficou às escuras por volta das 22 horas desta terça-feira, segundo o jornal ABC Color, como mostra a imagem abaixo.

abc

O mesmo jornal diz que o problema começou em São Paulo: El Ing. Luis Alberto Villordo, de la gerencia técnica de la ANDE, Administração Nacional de Eletricidad, explicó que el evento se debió a un cortocircuito registrado en una línea de trasmisión de 500 kV ubicada en la zona de São Paulo, Brasil, lo que produjo la caída de 11.000 MW (casi el 80% de la potencia de Itaipú, debido a la desconexión total del sistema eléctrico de la binacional, de 50 Hz y 60 Hz.

O presidente de Itaipú, Jorge Samek, negou essa informação durante entrevista à rádio Jovem Pan.

E o ABC ainda levanta outra hipótese: ¿Ciberpiratas en apagones? O jornal paraguaio lembra outros apagões que ocorreram aqui no Brasil e diz que essa possibilidade, do ataque de hackers ao sistema de energia, não pode ser descartada…

Brasil: de país herbívoro a carnívoro

quarta-feira - 4/novembro/2009

O êxito do Brasil, o país da moda na América Latina, parece não incomodar ninguém: todos se alegram com o avanço internacional do gigante sulamericano. É assim que começa reportagem do jornal espanhol El País publicada nesta quarta-feira sobre o nosso país.

O texto (clique aqui para acessar) gira em torno de um evento que está sendo realizado na Espanha para discutir o desempenho dos brasileiros no cenário internacional.

elpais

Duas declarações chamam a atenção. A primeira é do economista José Juan Ruiz que diz “os brasileiros devem estar preparados para passarem de país herbívoro, para país carnívoro”.

O que ele quer dizer é que toda liderança tem seu preço. Toda influência tem seu questionamento. E toda decisão tem sua contestação. O importante é saber lidar com essas situções.

A partir disso, chegamos à segunda declaração de destaque na reportagem.

Ela foi feita pelo embaixador dos EUA à Marcelo Odebrecht. O diplomata norte-americano comentava a disputa que a companhia teve no começo do ano com o governo do Equador e disparou: “Marcelo, como se sente agora sendo o gringo da América Latina?”, segundo Odebrecht.

Bem, o Brasil está longe de ser “o gringo da América Latina”. Mas também parece claro que alguns vizinhos já começam a olhar para nós com uma certa desconfiança.

Afinal, esse é o país que detém quase 50% de todo o território sulamericano e mais da metade da população da região. Na economia então, é barbada. Só para comparar, a Bolívia tem PIB de US$ 28 bilhões. A cidade de São Paulo sozinha (sem contar a Grande SP) tem PIB de aproximadamente US$ 160 bilhões.

Agora, como lidar com esse tamanho todo e influenciar a região de maneira positiva, aí já são outros quinhentos…

MARKETING NEGATIVO

terça-feira - 20/outubro/2009

liberationDepois do período de férias emendado com a cobertura da Fórmula 1 em São Paulo, o redator deste blog está de volta!

Passei algumas semanas viajando e acompanhei a escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 fora do país. A repercussão realmente me impressionou. Taxistas, colegas de curso e até agentes de imigração me davam os parabéns pelas olimpíadas como se meu sobrenome fosse da Silva, Nuzman, Cabral, Paes ou algo do tipo.

Confesso que meu lado ufanista ficou inflado. As saudades de casa até começaram a bater mais forte e a sensação de que realmente estamos indo bem cresceu no meu imaginário.

Na semana passada, em Interlagos, mais uma saraivada de cumprimentos pelos jogos. O autódromo recebe literalmente jornalistas de todo o mundo, a grande parte de colegas especializados em esporte. Ou seja, a opinião desses profissionais conta, e muito (pelo menos para mim).

Só que no sábado passado a realidade do nosso país me deu um daqueles “acorda, sujeito”. Os traficantes do Rio de Janeiro derrubaram um HELICÓPTERO (!). Eu não tinha me esquecido do tráfico de drogas no Rio, do crime organizado brasileiro, nada disso. Simplesmente tinha ignorado. E eles me recobraram a consciência.

Veja bem a gravidade da situação. No Afeganistão, os Talebãs NÃO DERRUBAM HELICÓPTEROS. No Iraque, os ditos insurgentes NÃO DERRUBAM HELICÓPTEROS. Mas no Rio de Janeiro os traficantes conseguiram e ainda mataram três policiais.  Tudo bem, são situações bem diferentes as vividas no Oriente Médio, mas o impacto das imagens é o mesmo.

Aproveitei a presença do ministro dos Esportes, Orlando Silva, que desfilava pelos camarotes de Interlagos, e o questionei sobre a repercussão negativa dessa situação no Rio. Ouça a resposta:

Concordo 100% com a resposta do ministro. A primeira preocupação deve ser a segurança da população e não a repercussão negativa. O problema é que não estão se preocupando nem com um nem com outro. Por isso, digo: se não acabam com a violência para proteger o cidadão, que o façam pelo menos pela imagem do país. Pelo menos…

MUY AMIGOS

quarta-feira - 5/agosto/2009

porta-avioes“Cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça”. Dessa forma, o assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, classificou a posição do governo brasileiro sobre o tratado que Colômbia negocia com os EUA para envio de tropas norte-americanas ao seu território.

Garcia se reuniu ontem em Brasília com o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, James Jones. O integrante do governo Barack Obama mais ouviu do que explicou. No entanto, ele garantiu que as pretensões norte-americanas são apenas humanitárias e de combate ao tráfico de drogas.

Se o acordo de fato for firmado, a Colômbia poderá ceder até sete bases para os EUA em seu território: três aéreas, duas do exército e duas bases navais.

O problema é que essa mobilização militar se junta a uma outra que já está sendo realizada pelos norte-americanos: a ativação da chamada quarta frota naval.

Existem muitas especulações sobre o tema e a principal delas é que os EUA estão de olho no petróleo descoberto na camada do pré-sal. Devaneio ou auspício?

O repórter da rádio Jovem Pan Leandro Andrade ouviu três especialistas que falaram sobre o tema. Ouça as opiniões abaixo:

GENERAL DURVAL NERY / Pensador da Escola Superior de Guerra e estudioso de estratégias militares
- Há vínculo entre a ativação da quarta frota e o petróleo do pré-sal?

CORONEL GERALDO CAVAGNARI / Fundador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp
- Existem ameaças de guerra no Atlântico Sul hoje?

JOANISVAL GONÇALVES / Fundador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp
- Os EUA estão preocupados com o pré-sal ou com governos sulamericanos?

Oficialmente, o governo norte-americano diz que a Quarta Frota apenas tenta impedir o uso do mar pelos narcotraficantes. Essa força especial é composta por 22 navios: 4 cruzadores com mísseis, 4 destróieres com mísseis, 13 fragatas com mísseis e um navio hospital.

REPERCUSSÃO

quarta-feira - 24/junho/2009

A imprensa de Buenos Aires repercute hoje a decisão do governo brasileiro de recomendar o adiamento das viagens para a Argentina e o Chile.  A medida foi confirmada pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para tentar conter o número de casos da Gripe Suína no país.

O diário Clárin destaca a notícia com a seguinte manchete: No Brasil recomendam não viajar a Argentina e aumentam o controle. O texto relata o comunicado feito pelo ministro Temporão explicando que Argentina e Chile são os mais contaminados na América do Sul e por isso as viagens para esses destinos devem ser evitadas.

O Clárin afirma ainda que as autoridades de São Paulo foram mais radicais ao dizer que 40% das contaminações no estado são em pessoas que visitaram Buenos Aires. O diário questiona a recomendação para que as viagens aos dois países sejam suspensas indicando que 15,5% dos casos de Gripe Suína entre os paulistas também vieram dos Estados Unidos. No entanto, as autoridades estaduais não pediram para que a população deixe de visitar o país da América do Norte, de acordo com o texto.

O Clárin segue afirmando o seguinte: A explicação não deixa de surpreender. Segundo o governo de José Serra o problema é que na Argentina o inverno está começando, enquanto nos Estados Unidos já terminou.
O jornal lembra que o turismo do país pode ser duramente afetado pela queda no número de visitantes brasileiros.

O diário La Nácion também destaca o problema e diz que o Brasil foi o segundo país que mais enviou turistas para a Argentina em 2008. No entanto, apesar de perder o primeiro lugar para os chilenos, os brasileiros são de longe os que mais gastaram em suas viagens.

Segundo o jornal portenho, os cerca de 870 Mil turistas daqui gastaram 770 milhões de dólares em suas viagens ao território argentino, quase o dobro que o gasto pelos viajantes do Chile. O secretário de Turismo argentino não quis comentar a recomendação do governo brasileiro.

Lembrou apenas que o Ministério da Saúde local fez o mesmo ao pedir que os próprios argentinos não viajassem dentro do país para evitar a propagação do vírus a H1N1 e também quando suspendeu os voos para o México.

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E o embargo? Acaba quando?

quarta-feira - 11/março/2009

610xO senado norte-americano aprovou ontem um projeto que flexibiliza as viagens dos residentes nos EUA a Cuba. As mudanças, que ainda dependem da sanção presidencial, são bastante siginificativas. Quando entrar em vigor, a emenda permitirá que os cubanos-americanos visitem seus parentes na ilha caribenha uma vez por ano; hoje as viagens só podem ser realizadas a cada 3 anos. Os viajantes também poderão ficar quanto tempo desejarem em território cubano (o tempo limite hoje é de 14 dias), além de levar até 170 dólares por dia, ao contrário dos 50 dólares atuais. Outra alteração importante é a extensão da lista de parentes que podem ser visitados. Antes, só eram considerados parentes diretos pai, mãe, filhos e avós. Agora, serão adicionados tios e sobrinhos.

Os mais entusiasmados chamaram a decisão de “histórica” e “um passo na retomada das relações entre os Estados Unidos e Cuba”. Tá bom, pode até ser… Só que a dificuldade encontrada pelo governo para conseguir a aprovação da matéria no Senado ontem mostra que passos maiores serão bem complicados de se alcançar. O governo até teve margem tranquila, com 62 votos a favor e 35 contra (lembrando que a votação na verdade era pelo orçamento do país em um esquema que só os especialistas em política norte-americana poderiam explicar detalhadamente).

Mas, para isso, precisou deixar claro a dois senadores da própria base de que o governo não tem a intenção de “sair abrindo a porteira” para os cubanos. O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, estava no Congresso ontem (interessado mesmo no orçamento do país) e teve que fazer um duro trabalho de convencimento sobre as pretensões da Casa Branca… E é sempre bom lembrar que, para um eventual (e coloque eventual nisso) fim do embargo à Cuba, o presidente Obama precisa de aprovação do Congresso, algo que hoje parece impossível.

De qualquer forma, o elefante se come aos bifes e Barack Obama ao menos começou a afiar as facas. Nesse final de semana o presidente Lula estará em Washington e, segundo dizem, o chefe da Casa Branca deve pedir ajuda para esse trabalho de reaproximação com os caribenhos. Bom para Obama, que contará com um mediador moderado, e bom para Lula, que valoriza ainda mais sua imagem no cenário internacional. Resta saber qual será o resultado disso…

Yes, nós temos petróleo!

segunda-feira - 9/março/2009

Os Estados Unidos estão de olho no petróleo brasileiro para reduzir a dependência das importações feitas da Venezuela. É o que afirma nesta segunda-feira uma reportagem com destaque de primeira página publicada pelo jornal espanhol El País. A manchete do diário madrileno diz o seguinte: Obama quer o petróleo de Lula.

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De acordo com o texto, autoridades dos dois governos têm mantido contatos informais com o objetivo de fechar um acordo de exportação do combustível.
O jornal cita fontes da diplomacia em Brasília para afirmar que o governo Lula têm muito interesse em aumentar sua presença no mercado norte-americano.

No entanto, a reportagem diz que a Petrobrás tem como principal meta abastecer primeiro o mercado interno e vender apenas o excedente de sua produção.

“Tudo dependerá da quantidade de petróleo que a Petrobras conseguirá bombear nos próximos anos dos poços perfurados nos litorais de Rio e São Paulo, assim como do marco jurídico assinado entre Washington e Brasília”, diz o El País.

O texto relata ainda que “se o pacto comercial se concretizar - algo que hoje depende unicamente do Brasil - a conseqüência mais direta será o deslocamento da Venezuela do mercado energético americano, onde atualmente consegue colocar entre 40% e 70% de sua produção petrolífera”.

Os Estados Unidos são os grandes compradores do petróleo de Hugo Chávez, despejando diariamente 80 milhões de dólares nos cofres venezuelanos.

Ainda assim, a relação do chefe do governo de Caracas com os norte-americanos tem sido bastante espinhosa nos últimos anos. Por isso, a Casa Branca pretende diversificar seus fornecedores para reduzir a dependência do petróleo venezuelano.

O Brasil, por sua vez, aposta no potencial das recentes descobertas de campos de petróleo para ingressar no  grupo dos países exportadores do chamado ouro negro, vendendo não são para os norte-americanos, mas também para chineses e japoneses.

QUIÇÁ O FIM DO EMBARGO…

quarta-feira - 4/março/2009

O jornal espahol El País tem hoje uma reportagem de capa em sua versão online sobre uma possível aproximação dos governos cubano e norte-americano. O diário relata que a administração de Barack Obama “está preparando uma ambiciosa iniciativa em relação a Cuba para colocar fim aos 50 anos de enfrentamento e facilitar, através do diálogo com as autoridades comunistas, um caminho para a democratização da ilha”.

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Segundo o El País, os objetivos de Obama são ousados. O presidente quer iniciar formalmente essa aproximação já na próxima Cúpula das Américas, que será realizada entre 17 e 19 de abril em Trinidad e Tobago.

O chefe da Casa Branca entende que essa é uma oportunidade única para reativar a relação com os caribenhos, uma vez que a América Latina não terá espaço igual a esse na agenda dele tão cedo.

O momento também é bom porque Barack Obama está com uma atuação diplomática bastante intensa (assim como quase tudo em seu governo) e, mesmo que não sejam a maior prioridade, os vizinhos até que “merecem” uma “certa atenção”. E o recado dos líderes latino-americanos tem sido bastante claro: é preciso acabar com o embargo à ilha de Cuba.

Só nos últimos meses, oito chefes de estado da região visitaram Havana e os irmãos Raul e Fidel, entre eles o presidente Luís Inácio Lula da Silva que, segundo o El País, deve ser um dos principais interlocutores dessa reaproximação dos EUA:

Especialmente importante resulta el papel que puede representar en ese sentido Brasil, un país con el que la Administración de Obama quiere intentar una especie de alianza global para hacer frente de forma coordinada a los principales problemas latinoamericanos. El presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará Washington el próximo día 17, precisamente con el propósito de preparar la cumbre de Trinidad y discutir la posibilidad de incluir el asunto de Cuba en la agenda de esa reunión.

Se de fato conseguir acabar com o embargo (algo que depende muito da vontade do congresso) e retomar os laços com Cuba, Barack Obama certamente terá popularidade garantida por aqui durante um bom tempo. Mas será que ele terá tempo suficiente para isso?