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Brasil: de país herbívoro a carnívoro

quarta-feira - 4/novembro/2009

O êxito do Brasil, o país da moda na América Latina, parece não incomodar ninguém: todos se alegram com o avanço internacional do gigante sulamericano. É assim que começa reportagem do jornal espanhol El País publicada nesta quarta-feira sobre o nosso país.

O texto (clique aqui para acessar) gira em torno de um evento que está sendo realizado na Espanha para discutir o desempenho dos brasileiros no cenário internacional.

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Duas declarações chamam a atenção. A primeira é do economista José Juan Ruiz que diz “os brasileiros devem estar preparados para passarem de país herbívoro, para país carnívoro”.

O que ele quer dizer é que toda liderança tem seu preço. Toda influência tem seu questionamento. E toda decisão tem sua contestação. O importante é saber lidar com essas situções.

A partir disso, chegamos à segunda declaração de destaque na reportagem.

Ela foi feita pelo embaixador dos EUA à Marcelo Odebrecht. O diplomata norte-americano comentava a disputa que a companhia teve no começo do ano com o governo do Equador e disparou: “Marcelo, como se sente agora sendo o gringo da América Latina?”, segundo Odebrecht.

Bem, o Brasil está longe de ser “o gringo da América Latina”. Mas também parece claro que alguns vizinhos já começam a olhar para nós com uma certa desconfiança.

Afinal, esse é o país que detém quase 50% de todo o território sulamericano e mais da metade da população da região. Na economia então, é barbada. Só para comparar, a Bolívia tem PIB de US$ 28 bilhões. A cidade de São Paulo sozinha (sem contar a Grande SP) tem PIB de aproximadamente US$ 160 bilhões.

Agora, como lidar com esse tamanho todo e influenciar a região de maneira positiva, aí já são outros quinhentos…

TODOS CONTRA O BRASIL

segunda-feira - 8/dezembro/2008

A edição global do El País na internet traz hoje manchete de capa que certamente não agradou nada ao Itamaraty. “Todos contra o Brasil”, diz o texto sobre a atual situação das relações diplomáticas na América do Sul. O jornal espanhol relata o questionamento do presidente equatoriano Rafael Correa sobre a dívida do país dele com o BNDES, banco brasileiro de fomento. A história toda envolve a disputa do governo de Quito com a empreiteira brasileira Odebrecht, responsável pela construção de uma hidréletrica no país que apresentou falhas estruturais, teve que ser paralisada e iniciou o mal-estar entre as nações sulamericanas. Depois disso, o Brasil chamou seu embaixador no Equador para consultas e o que era para ser uma disputa comercial se transformou em um incidente diplomático. A reportagem ainda lembra que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apoiou Rafael Correa nessa questão e que outros países da região, como o Paraguai e a Bolívia, também anunciaram a revisão de alguns empréstimos feitos pelo BNDES.

Essa situação seria preocupante em qualquer cenário político, mas cria ainda mais consternação por acontecer justamente neste momento. E a explicação é simples. Desde o início de seu primeiro mandato em 2003, o presidente Lula investiu forte na diversificação dos parceiros do Brasil no mundo e, sobretudo, na relação com os vizinhos da América do Sul, muitas vezes até em detrimento das relações com os antigos “parceiros” norte-americanos. A nova política exterior do país tem sido conduzida a pulso firme pelo ministro Celso Amorim, que em várias ocasiões foi alvo de críticas dentro e fora do Brasil. A orientação dada ao Itamaraty nesse governo criou até divergências entre os próprios diplomatas, como no caso do embaixador Roberto Abdenur, que comandou a representação do Brasil em Washington e deixou o posto depois de uma série de atritos com Amorim. Questionamentos à parte, os resultados da política implantada são inegáveis. Muito pelo lado econômico (e o plano adotado antes mesmo do atual governo), muito pela própria popularidade do presidente Lula, o Brasil conseguiu se tornar um ator global com cada vez mais influência nas decisões e debates internacionais.

No entanto, o problema agora é interno, entre vizinhos, justamente com os países que o Itamaraty mais procurou trabalhar em harmonia. A chamada integração regional tem sido discurso de consenso entre Lula e Chávez  há anos e quando as relações parecem se estreitar o clima esquenta novamente, colocando todo o trabalho desenvolvido em risco.  Dessa forma ficam as perguntas: é possível mesmo apostar em uma integração regional? O governo acertou em querer elevar as relações com os vizinhos?

Na semana que vem, os principais líderes da região estarão reunidos em Salvador para as reuniões do Mercosul e da Unasul. Será uma boa oportunidade para o presidente Lula conversar com seus colegas sulamericanos e tentar acalmar os ânimos no continente. Até porque é a política do governo dele e a possibilidade de desenvolver a região de maneira homogênea que estão em jogo…

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Caracas-Brasília-Buenos Aires

terça-feira - 5/agosto/2008

tripartite.jpgO encontro do presidente Lula com Cristina Kirchner ontem em Buenos Aires teve um convidado de última hora, o venezuelano Hugo Chávez. Quer dizer, tem muita gente garantindo que Chávez nem convidado foi, estava mesmo tentando se intrometer na reunião comercial na capital argentina. Aparentemente, o Itamaraty não estava preparado para receber o líder de Caracas, uma vez que o encontro com ele só foi confirmado minutos antes de acontecer. O vôo do presidente Lula deixando Buenos Aires também teve que ser atrasado em mais de uma hora devido a reunião tripartite. O fato é que Chávez, Cristina e Lula se reuniram, posaram para fotos e em 40 minutos discutiram assuntos de integração da região. Ao final do encontro, o presidente da Venezuela falou sobre a formação de um eixo central sulamericano. Ouça:

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Esperado ou não para a reunião de ontem, Hugo Chávez Frías ganhou até camisas de presente do presidente Lula. Os três líderes anunciaram ainda uma nova reunião entre eles, no dia 8 de setembro, em Pernambuco. Ainda sobre a reunião de ontem, o jornal Página 12 divulgou uma charge engraçada sobre o encontro de lula com Cristina, reproduzido abaixo:

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