De acordo com a atriz e produtora Salma Hayek, é também dos atores. Durante o Festival de Cannes, neste domingo, Hayek explicou:

 

“Os produtores não são os únicos que devem agir para acabar com a brecha salarial. Os atores também. É hora de serem generosos com as atrizes. Se o orçamento de um filme é de US$ 10 milhões, a estrela masculina deve entender que, se pede US$ 9,7 milhões, será difícil obter igualdade salarial”

No sábado, aconteceu um protesto que reuniu 82 mulheres da indústria do cinema contra a discriminação de gênero. entre as manifestantes, Jane Fonda, Claudia Cardinale, Salma Hayek, Marion Cotillard, Kirsten Stewart, Cate Blanchett e a cineasta francesa Agnès Varda. O número de mulheres reunidas era simbólico: em 71 edições do festival, apenas 82 diretoras mulheres competiram, em oposição aos, 1.688 diretores que já concorreram à Palma de Ouro.

“Nos 71 anos deste festival internacionalmente renomado, mulheres presidiram o júri doze vezes. A prestigiosa Palma de Ouro foi entregue a 71 diretores homens – um número muito grande para que sejam nomeados -, mas apenas a duas mulheres: Jane Campion, que está conosco em espírito, e Agnès Varda [ganhadora da Palma honorária], que está conosco hoje.

Estes fatos são óbvios e inegáveis.

As mulheres não são minoria no mundo, mas o estado atual da nossa indústria diz o contrário. Como mulheres, cada uma de nós enfrenta desafios próprios e únicos, mas estamos juntas nestes degraus para simbolizar nossa determinação e compromisso com o progresso. Somos roteiristas, produtoras, diretoras, atrizes, diretoras de fotografia, agentes, montadoras, distribuidoras, agentes de vendas e todas as [profissões] envolvidas nas artes cinematográficas. Estamos em solidariedade com mulheres de todas as indústrias.

Nossa expectativa é a de que nossas instituições ofereçam ativamente paridade e transparência em seus corpos executivos e ambientes seguros de trabalho.

Nossa expectativa é a de que nossos governos garantam que as leis de salários iguais para trabalhos iguais sejam cumpridas.

Vamos exigir que nossos ambientes de trabalho sejam diversos e igualitários, para que possam refletir melhor o mundo em que de fato vivemos. Um mundo que permita que todas nós, em frente e por trás das câmeras, possamos prosperar ombro a ombro com nossos colegas homens.

Nós reconhecemos todas as mulheres e homens que estão buscando a mudança.

As escadas da nossa indústria precisam ser acessíveis a todos.

Vamos subir.”

Este ano, o júri do Festival é composto majoritariamente por mulheres. Cate Blanchett preside, e participam Kristen Stewart, Léa Seydoux (Azul é a Cor mais Quente), a diretora Ava DuVernay (Uma Dobra no Tempo) e a cantora Khadja Nin. As mostra competitiva segue até 19 de maio.

Durante uma conferência internacional que reuniu feministas e membros do movimento pró-igualdade, incluindo Time’s Up dos EUA, e após debate moderado pelas cineastas Celine Sciamma (Girlhood) e Rebecca Zlotowski (Planetarium), organizado pela org 50/50 para 2020, nomes importantes do Festival de Cannes como Thierry Fremaux, Charles Tesson, e Paolo Moretti assinaram uma proposta que garante maior igualdade de gênero e transparência na organização do festival e na escolha dos participantes. Estavam presentes a ministra da Cultura da França, Françoise Nyssen, e o presidente do conselho nacional de cinema (CNC), Frédérique Bredin.

Na semana passada, o ator Benedict Cumberbatch falou sobre sentir raiva, quando soube daquela história da série The Crown, quando descobriu-se que Claire Foy, atriz protagonista da trama que trata da vida da rainha da Inglaterra ganhou menso que Matt Smith, ator mais conhecido, que interpretou o coprotagonista na série, o príncipe Philip.

Cumberbatch, famoso por ser o protagonista da série Sherlock e também por personificar o Doutor Estranho, anunciou então que não vai mais aceitar papéis em produções em que as mulheres não ganhem o mesmo salário que os homens.

“Igualdade de remuneração e um lugar à mesa são os princípios centrais do feminismo. Veja as cotas. Pergunte quanto está sendo pago e diga: ‘Se ela não for paga da mesma forma que os homens, não vou fazer isso’”

Ator e também produtor, ele anunciou que o próximo projeto da sua produtora será sobre a maternidade, sob a ótica feminina. Filme com metade do elenco composto por mulheres.

Também lembrei daquela história de que o ator Paul Newman deu metade do seu salário para a atriz Susan Sarandon a fim de equiparar o cachê dela para o filme Fugindo do Passado, de 1998.

 

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