O jeito certo de correr

Não sei se existe jeito certo ou errado, mas sei que existem diversas teorias. A mais nova, que já é utilizada por muitos corredores e triatletas, é aquela em que a passada deve ser iniciada pela planta do pé e não pelo calcanhar. “Corra como nossos acestrais ou as crianças”, diz o artigo do prof Daniel Lieberman, antropólogo da Universidade de Hervard.

A teoria foi estudada pela Universidade de Bolder, Colorado, e desenvolvida pela marca de tênis Newton, que já patrocina muitas feras no exterior. A marca está chegando ao Brasil, e foi apresentada na Track & Field do Shopping Iguatemi, aqui em São Paulo.

Conversei com o ex-corredor de aventura Ian Adamson, que é diretor de Perquisa e Ensino da Newton, que me explicou a teoria. Ouvi também o fisioterapeuta Alexandre Ferrari, que me explicou se a teoria é válida ou trata-se apenas de uma idéia para promover uma nova marca de tênis. Ouça:

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Veja o vídeo institucional da marca:

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Sobre Bruno Vicari

Bruno Vicari tem 29 anos, trabalha como repórter esportivo da Jovem Pan desde 2003. É colaborador do SBT e da Revista Vo2max. Além de triatleta amador, Bruno é amante do futebol, como todo brasileiro é, e apaixonado por ciclismo, como todo brasileiro deveria ser.
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  • Diovani

    Eu comprei um Newton. Além da dor nas panturrilhas eu arrumei uma fascite plantar. Fui pesquisar e vi que muitas pessoas tiveram o mesmo resultado. Se você faz shor triatlhon ou corridas de até 10km, até que dá para encarar, mas provas longas não.

    • Bruno Vicari

      Diovani, acho que é uma questão de se adaptar, como disse o Alexandre Ferrari na entrevista… Eu não testei ainda, vamos ver o que dá. Você comprou o modelo de treino ou de prova?

      • Diovani

        Eu comprei aquele modelo de transição. O nome é Sir Isac, se não me engano.
        Frederico, Eu já fraturei por stress duas vezes a tíbia esquerda e uma vez a direita. Comprei o Newton pensando em reduzir a carga sobre as minhas tíbias, mas infelizmente não consegui me adaptar.

  • http://carne.com.clembuterol Zo

    O tempo de evolução dos calçados modernos(leia-se tenis) é ínfimo em relação à evolução dos pés descalços desde a existência do homo-sapiens.

    Saber correr de pés descalços é mejor do que qq tenis.

  • Diogo

    Pra mim faz todo o sentido, é questao de se adaptar e reaprender a correr.
    Tempo de contato do pé com o solo é menor alem da carga nas articulações do joelho.

    Agora um off topic: Bruno, quem usa iPad nao consegue ter acesso ao áudio por incompatibilidade com o flash. Da um bizu nas estatísticas e vê o número de pessoas que acessam via iPad, se fizer sentido, pesquisa outra forma de disponibilizar o áudio.
    Valeu.

    • Bruno Vicari

      Diogo, vou dar uma olhada. Obrigado pela dica. abs

      • http://twitter.com/vsaiki Vitor Saiki Scarpinetti

        Steve Jobs e a sua birrinha com flash.

  • Ricardo

    Este tipo de corrida é conhecida como corrida plantar. Quando me perguntavam como se deveria correr eu sempre respondia, corra como achar mais confortável, afinal vai ficar longo tempo fazendo isto. A corrida plantar vai fazer sentir um pouco de dor nas costas (deve-se fortalecer esta parte), ja a corrida calcânea (colocando o calcanhar no solo primeiro) irá forçar os joelhos e necessitar de um bom part de tênis e se for correr descalço na praia será praticamente im possível com areia dura. Já tentei correr desta forma, mas o meu corpo pede para correr com a planta do pé e sendo desta forma que tenho maior rendimento. Quanto a ter inflamações, as “ite” da vida, pode significar uma carga alta em uma parte do corpo que não esta preparado para tal esforço.

    • Bruno Vicari

      Ricardo, percebi isso… pra mim é mais fácil pisar com a planta com o pé direito do que com o esquerdo… será que é normal?

      • Ricardo

        Bruno,
        Apesar de parecermos simétricos, não somos. Pode ser falta de alongamento, minha perna esquerda é mais “travada” que a direita. Apesar de ser destro, sou canhoto de pernas e na pista eu redia melhor em curvas. Pode ser também uma leve diferença entre os membros, ou eles serem iguais e um leve desvio na coluna/bacia faz um forçar mais que o outro. Teste primeiramente a flexibilidade que o mais simples e mais provável.
        Quanto a encurtar a passada, no atletismo ch~´avamos de picar a passada e aprendi a fazer isto no inicio do anos 80 quando em um dia de sorte pude acomanhar o José João da Silva e o João da Mata enquanto davam uma volta na USP na época de um troféu Brasil de atletismo.

        Boa sorte

  • http://blogs.jovempan.uol.com.br/endorfina Simone Manocchio

    Eu testei e senti dor nas panturrilhas. Não sei se vou insistir, vamos ver mais pra frente.

  • eMILIO

    eu gostei foi da foto do bruno correndo descalço…. é isso ai….

    • Bruno Vicari

      Pois é… esse homem das caverna aí está por fora… ele pisa com o calcanhar!

  • Frederico

    Eu só uso os tênis da Newton desde que eles lançaram o primeiro, há uns três anos. Já tive uns 6 ou 7. Desde então nunca mais tive problemas na canela, que era o meu “calcanhar de aquiles”. O período de adaptação foi muito breve, e nunca mais senti nada na panturrilha. Porém, ele realmente só vai funcionar se você se dispuser a usar uma passada mais curta, com frequencia próxima a 180 passadas/minuto, tocando o meio/frente do pé antes do calcanhar. Abraços.

    • Bruno Vicari

      Boa dica, Frederico!
      Meu técnico já havia me orientado a diminuir a amplitude da passada e aumentar o ritmo. Talvez esse seja o segredo. abs

  • Otavio Lazzuri

    Muito interessante mesmo. Meu tecnico (Enzo Amato) levou um tenis essa semana para o pessoal dar uma olhada, e explicar o que é exatamente. disse que iria testar, antes de dar qq opinião. Mas temos que tomar cuidado com belas propagandas, haja vista as famosas pulseiras “Power Balance”.

    • Bruno Vicari

      Verdade, Otavio. Mas a questão do tênis é bom diferente… Ao menos a questão da passada tem todo um estudo por trás. Cmo eu disse, talvez não exista jeito certo ou errado, mas existem técnicas. Já o Power Balance sempre esteve na cara que só se tratava de uma pulsera colorida.

  • Enrico

    Como diria um velho sábio, o “problema da solução” é querer padronizar técnicas para as pessoas quando não há padrão entre as pessoas. A verdade é que todos estes estudos servem apenas como um referencial. Cabe a nós, atletas, decidirmos o que é melhor para nós mesmos, usando sempre do bom senso e ouvindo os conselhos dos mais experimentados. Não é fácil. Mas a decisão é nossa.

    Sem citar nomes, vejam este caso verídico. Conheço um ciclista profissional que sempre regulou os tacos da sapatilha como lhe foi ensinado por seu pai, também ciclista. Era sempre a mesma regulagem e nunca teve problema algum decorrente desta regulagem. Seu técnico, na melhor das intenções, querendo melhorar o rendimento do atleta otimizando a força aplicada pelo ciclista sobre os pedais, o encaminhou para um especialista na Espanha para que, seguindo “n” estudos, este fizesse o ajuste “correto” dos tacos da sapatilha. Resultado: o ciclista está agora se recuperando de uma cirurgia no joelho que foi necessária para tratar uma lesão provocada pelo ajuste “correto” dos tacos. Provavelmente ele perderá a temporada 2011 inteira.

    É por essas e outras que existe sempre a necessidade de o atleta falar e ser ouvido sobre novas técnicas de treinamento, novos equipamentos, novas regulagens, etc. São essas informações subjetivas que orientam quando se anda em zonas cinzentas, onde não se sabe ao certo o quanto é desconforto e o quanto é dor, para que a busca da performance não resulte no encontro da lesão.

    • Bruno Vicari

      Exato, Enrico. Por isso que cada um deve buscar orientação com um profissional especializado. abs

  • http://www.fisiostaf.com.br Alexandre Ferrari

    Olá Bruno !
    Foi um grande prazer colaborar com o seu blog, já que sou leitor assíduo há muito tempo.
    Creio que o assunto gerou um debate de alto nível e fico muito contente que os leitores entenderam muito bem o centro da discussão. Apesar das inúmeras variáveis que observamos na metodologia de treinamento, material, conceitos e novas técnicas, o mais importante é a individualidade do corredor. Muito sábias as palavras do colega Enrico no comentário acima (parabéns pelo comentário).

    Grande abraço e que esse seja um espaço para esse tipo de debate (em alto nível).

    • Bruno Vicari

      Obrigado pelo apoio, Alexandre!
      Sem dúvida, todos participaram em alto nível.

  • Bruno Sousa

    Grande Bruno! Corro com o Nike Free há uns 8 meses e posso dizer que ele transformou minha relação com a corrida. Tive anteriormente dores no joelho porque professores insistiam que eu corresse pisando com o calcanhar. A questão é que pra mim sempre foi natural correr com o meio e a frente do pé, mesmo para andar uso pouco o calcanhar. Tinha abandonado a corrida, até ler Nascido para Correr. Hoje estou correndo mais do que nunca, e com muito conforto. Agora estou pensando em comprar um Newton, para variar um pouco também. Também treino descalço na areia fofa, que acho ótimo.

    Sobre dor na pantrurrilha, é só uma questão de adaptação gradual. Começar com treinos curtos, deixar o corpo ir se ajustando aos poucos, e perceber as reações. Não adianta de um dia pro outro sair correndo 21km pisando de uma forma totalmente diferente. Mas vale o experimento.

    Abraço!

    • Bruno Vicari

      Bruno, o Nike Free foi citado pelo Ian durante a palestra. Disse que é uma boa opção, mas que o Newton é melhor! (claro…)

  • Enrico

    Obrigado, Alexandre, pelas palavras.

    O Pedaladas me cativou. O Bruno Vicari sempre traz informações relevantes e os demais leitores sempre somam à estas com comentários pertinentes. Como muitos, também sou leitor assíduo há muito tempo, quase sempre anônimo, me manifestando apenas quando creio poder acrescentar algo ao debate.

    Parabéns a todos e, especialmente ao Bruno, que mantém este espaço que para nós é tão caro.

    Abraços

    • Bruno Vicari

      Obrigado, Enrico!
      A intenção é sempre promover esses debates!
      Por isso é importante que vcs sempre comentem! hehehe
      abs

  • Enzo Amato

    Olá Bruno, também participei da palestra, mas acredito que num horário diferente ao seu.
    Gostei do que ouvi, achei bastante convincente toda a apresentação e inclusive, o mais importante de tudo, aos que pretendem aderir, as recomendações de começar a adaptação aos poucos e devagar. As lesões existem com qualquer técnica, basta extrapolar na quilometragem ou na quantidade de dias.
    A entrevista com o Alexandre também agregou muitas informações importantes.
    Me considero um corredor amador experiente e testei a nova técnica por 10 minutos sem dor ou incômodo algum. Vou investir, mas com moderação.
    Abraço.

    • Bruno Vicari

      Boa, Enzo! Pena que não nos encontramos lá… quem sabe numa próxima corrida. Já tem seu calendário deste ano? abs

      • Enzo Amato

        Esse ano vou encarar dois Ironman, em Floripa e Cozumel, e em 2012 pretendo treinar para a Jungle Marathon, que rola num lugar maravilhoso no nosso país, uma cidade perto de Santarém – PA, chamada Alter do Chão. Mas certamente nos encontraremos numas provas aqui em SP.
        Grande abraço.

        • Bruno Vicari

          Belo calendário, hein? Pega leve!
          abs