O poeta Carlos Drummond de Andrade quer ficar de frente para o mar
21/novembro/2009 por Poeta Álvaro Alves de FariaTenho, acredito, uma boa notícia para os meus 19 leitores. Acho que é boa. Na verdade eu já não sei avaliar coisa nenhuma. Mas acredito que esta notícia seja boa, especialmente para pessoas como meus 19 leitores. Faz algum tempo eu escrevi uma crônica sobre o poeta Carlos Drummond de Andrade e falei de sua estátua, no calçadão da praia de Copacabana. Falei muita coisa do poeta. Sempre tenho alguma coisas para falar. Sempre. Talvez seja esse o meu problema. E entre as coisas que escrevi sobre o poeta é que a estátua dele em Copacabana deveria estar de frente para o mar, não de costas. Não consigo imaginar ninguém de costas para o mar. Ninguém. Especialmente um poeta. Comentei isso na minha crônica. No banco em que Drummond está sentado, de costas para o oceano, está escrito uma frase-verso dele, que diz o seguinte: “No mar estava escrita uma cidade”. Por que colocaram o poeta de costas para o mar ? Quem consegue ficar de costas para o mar ? Pois o poeta meu amigo querido Celso de Alencar enviou a crônica para um poeta do Rio, Tanussi Cardoso, dono de belíssima poesia. O Tanussi levou a idéia a seus amigos poetas. E a observação da minha crônica chamou a atenção dos poetas cariocas. Já está havendo uma movimentação para mudar a estátua de Drummond e deixá-lo de frente para o mar. Tanussi adianta que é difícil lidar com os políticos que pouco se importam com sonhos de poetas e com a poesia que vai aos poucos desaparecendo de tudo. Mas quem sabe de repente Carlos Drummond de Andrade fique de frente para o mar, observando o oceano dia e noite, no seu silêncio de bronze, observando os banhistas, as crianças, o sal das águas, os navios que pode imaginar partirem para sempre. Claro que isso não modificará em nada a ordem das coisas. Mas eu tenho certeza de que o poeta ficaria mais feliz.




















