IVONETE
segunda-feira - 30/junho/2008A Ivonete tem a tarefa de passar o aspirador fazendo um barulho bem alto todos os dias perto de mim. Ela vem com o aspirador ligado, amarelo, toda feliz da vida pensado: “Estou chegando perto da mesa dele. Ele vai ficar louco outra vez”. Eu fico observando. Ivonete vem devagar. Aquele barulho. Quando chega diante de minha mesa, sou obrigado a sair, porque ela exige. Tem uma liminar da Justiça. E tem também autorização do Diretor do Departamento de Jornalismo, que é meu amigo há 30 anos, mas pede que Ivonete passe todos os dias com o aspirador e permaneça o maior tempo possível na minha mesa. Ela fica uns 40 minutos fazendo barulho. Ontem eu falei para ela: “Por que você não passa o aspirador em mim ?”. Ela respondeu com um sorriso repleto de ironia, sarcástico mesmo: “Porque o aspirador explodiria”. Eu disse que ela poderia tirar minha alma com o aspirador. Ela afirmou que não está interessada na alma de ninguém. Ontem foi demais. Fui reclamar com o Diretor de Jornalismo e ele me colocou para fora da sala dele, dizendo que não tinha tempo de discutir amenidades. Me colocou para fora da sala e fechou a porta por dentro. E ela fazendo barulho com o aspirador. Telefonei da minha mesa para a sala do Diretor de Jornalismo. Ele bateu o telefone na minha cara e deixou fora do gancho. Já Ivonete ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria. Só parou de rir quando eu pulei pela janela do vigésimo-quarto andar.











Volto nesta 3a.feira ao trabalho, depois de uma semana fora de Brasília, por causa da festa de São João. Eu sou um parlamentar brasileiro e mereci esse descanso, pelo trabalho que desenvolvo no Congresso em favor do Brasil. Vou correndo para Brasília por causa de meus compromissos. Nem deu para trocar de roupa.
27 de junho. Centenário de João Guimarães Rosa, o grande escritor brasileiro, inovador da linguagem. Nasceu na cidade de Cordisburgo, em Minas Gerais, em 1908. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963. Adiou a posse o quanto lhe foi possível. Dizia ter medo de morrer no evento. Resolveu tomar posse na Academia no dia 16 de novembro de 1967. Morreu três dias depois. Seu primeiro livro é de 1936, um livro de poemas, “Magma”, que nunca publicou. Eu convido meus 19 leitores a assistirem ao vídeo que eu e a atriz Patrícia Rizzo fizemos para a Jovem Pan Online, sobre o autor de “Grande Sertão: Veredas”. Um momento de poesia. De encantamento.
Eu quero me apresentar aos senhores e às senhoras como novo candidato a prefeito de São Paulo. Criei o PPG – Partido da Paranóia Geral. Fizemos a convenção e eu fui escolhido como candidato. Como não temos sede ainda, o encontro foi realizado num bar. Que é tudo a mesma coisa. Meu número será zero, mas à esquerda. Isso é importante: zero à esquerda.
Vim aqui fazer um depoimento em defesa de meus pares que estão sendo atacados de maneira injusta pela população e pela imprensa. Profundamente injusta. Eu sou deputado. Sou um representante do povo brasileiro no Congresso Nacional e me orgulho disso, tenho o orgulho de lutar por esta Pátria em muitas frentes, dedicando praticamente minha vida pelo bem do povo e do país.