Arquivos para junho, 2008

IVONETE

segunda-feira - 30/junho/2008

A Ivonete tem a tarefa de passar o aspirador fazendo um barulho bem alto todos os dias perto de mim. Ela vem com o aspirador ligado, amarelo, toda feliz da vida pensado: “Estou chegando perto da mesa dele. Ele vai ficar louco outra vez”. Eu fico observando. Ivonete vem devagar. Aquele barulho. Quando chega diante de minha mesa, sou obrigado a sair, porque ela exige. Tem uma liminar da Justiça. E tem também autorização do Diretor do Departamento de Jornalismo, que é meu amigo há 30 anos, mas pede que Ivonete passe todos os dias com o aspirador e permaneça o maior tempo possível na minha mesa. Ela fica uns 40 minutos fazendo barulho. Ontem eu falei para ela: “Por que você não passa o aspirador em mim ?”. Ela respondeu com um sorriso repleto de ironia, sarcástico mesmo: “Porque o aspirador explodiria”. Eu disse que ela poderia tirar minha alma com o aspirador. Ela afirmou que não está interessada na alma de ninguém. Ontem foi demais. Fui reclamar com o Diretor de Jornalismo e ele me colocou para fora da sala dele, dizendo que não tinha tempo de discutir amenidades. Me colocou para fora da sala e fechou a porta por dentro. E ela fazendo barulho com o aspirador. Telefonei da minha mesa para a sala do Diretor de Jornalismo. Ele bateu o telefone na minha cara e deixou fora do gancho. Já Ivonete ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria, ria. Só parou de rir quando eu pulei pela janela do vigésimo-quarto andar.  

AGORA, RECESSO BRANCO

segunda-feira - 30/junho/2008

poeta3006.jpgVolto nesta 3a.feira ao trabalho, depois de uma semana fora de Brasília, por causa da festa de São João. Eu sou um parlamentar brasileiro e mereci esse descanso, pelo trabalho que desenvolvo no Congresso em favor do Brasil. Vou correndo para Brasília por causa de meus compromissos. Nem deu para trocar de roupa.

Eu não fui à festa na Granja do Torto, a festa do presidente. Me disseram que estava ótima. Eu gostaria de ter ido lá, mas não fui convidado. Acho que sou do baixo clero. Só não houve festa junina na Granja do Torto no ano do mensalão.O presidente preferiu não fazer festa nenhuma.

Eu penso ao contrário. Se fosse eu, aí é que eu faria mesmo, para mostrar ao país as coisas como elas são. Não seria um escandalozinho à toa como o mensalão que ia estragar minha festa junina.

Mas eu voltarei ao trabalho nesta 3a.feira. Me sinto cansado, pulei muita fogueira. Agora tem de pensar em fazer alguma votação. Qualquer coisa. Me sinto cansado. Vocês não imaginam como é o trabalho no Congresso, especialmente para parlamentar como eu, que vê o país em primeiro lugar, parlamentar como eu, capaz de dar a vida por minha pátria.

Mas eu já estou me preparando para o mês de julho. Mês de julho é mês de recesso. Eu não sou de ferro. Eu não sou de ferro. Preciso descansar. E como vai ter eleição, os parlamentares brasileiros só voltarão para o Congresso no final de outubro. É isso mesmo, no final de outubro.

Não deu para trocar de roupa. Vou cumprir minha obrigação de parlamentar com as roupas que usei na festa de São João. O trabalho pelo povo e pelo país em primeiro lugar.

Estar ligado nas eleições até final outubro também representa um trabalho pela Pátria, essa Pátria que vive no meu sangue, no meu coração brasileiro. E tenho certeza que receberei meu salário todos os meses, nos dias certos. Não vou estar no Congresso de julho até final de outubro, mas estarei trabalhando pela Pátria brasileira, pelo povo de meu país.

Vai ser o recesso branco, em que os parlamentares terão licença de fazer campanhas nos seus Estados. Eu estou voltando das festas. Tive uma semana de férias para pular fogueira, mas me sinto cansado. É muito trabalho que tenho  em Brasília. Preciso de mais dias de folga. Não adianta fazer semana de três dias. Não adianta nada.

Só lamento não ter ido na festa junina do presidente. Sei que a festa lá na Granja do Torto é boa. Cheia de autoridades, ministros, gente importante, todos brasileiros que têm no Brasil sua razão de viver.

Por isso eu me orgulho de tudo. Como parlamentar e patriota, sempre darei tudo de mim em beneficio do povo de meu país.  

(Clique aqui e assista ao vídeo pela Jovem Pan online)

CIDADE

sábado - 28/junho/2008

Saí há pouco para ir a um shopping. Gosto de ir ao shopping. Mas visito uma loja especial na qual vou buscar novas bailarinas. São esculturas, já que coleciono bailarinas e imagens de São Francisco de Assis. Bailarinas não sei ao certo quantas tenho, mas são mais de 300. Não dá para contar direito. Sábado consegui mais uma. Mas eu queria dizer aos meus 19 leitores que neste sábado à noite a cidade me assustou. Percebi que a cidade não existe mais. Desapareceu talvez para sempre. Os prédios, as ruas, as pessoas, os faróios de trânsito, o próprio shopping onde fui. A cidade não existe mais. A cidade é a absoluta brutalização do ser humano. Briga-se por qualquer coisa. A pessoa mais pacata do mundo se transforma numa fera quando senta ao volante de seu carro. Não existe afeto nenhum em nenhum lugar. As pessoas não se olham mais. Poucas ainda conversam entre si. Fora isso, há ainda o maldito telefone celular. As pessoas que estão ao seu lado estão sempre falando com alguém que ninguém sabe onde está. Já vi, presenciei num restaurante: quatro amigos sentados esperando o almoço, mas os quatro falando ao celular. Não falavam entre si. Falavam com pessoas distantes, que não estavam à mesa. É esse o mundo que tem que se encarar. A cidade não existe mais. O mundo não existe mais e, sinceramente, nem me interessa saber se existe ou não. Senti que nada mesmo existe mais. Só a minha bailarina com um rosto delicado. Digo isso aos meus 19 leitores com alguma saudade de mim, de anos atrás, quando eu me sentava no Pari-Bar com Sérgio Milliet, na Praça Don José Gaspar. A cidade ainda existia naquele tempo. Do Pari-Bar dava para ver o busto de Mário de Andrade atrás da Biblioteca Municipal. Havia ainda a Galeria Metrópole, onde eu ia encontrar algum sonho não desfeito. Hoje a cidade sumiu. Senti isso indo ao shopping por causa de uma bailarina. Tudo desapareceu. As ruas, as pessoas, as mulheres. Sumiu tudo. Mas eu não sei dizer se me sinto feliz.     

PASSARINHOS

sábado - 28/junho/2008

O difícil é quando encontro um filhote que não voa ainda e necessita de cuidados. Foi assim não faz muito tempo. Um filhote de bem-te-vis, pequeno, que, por certo, caiu do ninho de uma grande árvore que tenho aqui. Em cima da biblioteca os bem-te-vis pai e mãe, imagino. Aflitos. Pego o pequeno filhote e tento alimentá-lo. Mas come pouco por minhas mãos. No telhado da biblioteca o pai e a mãe. Aquele canto triste. Até que resolvi colocar o filhote na janela da biblioteca, que é totalmente coberta por uma trepadeira. Imediatamente a mãe - imagino - passou a alimentá-lo. Voava e voltava logo, com alguma comida no bico. Era assim o dia inteiro. Até que chegava as 4 horas da tarde, quando saio para o trabalho. Tinha de recolher o filhote, para que não passasse a noite ali, ao relento, não sei como explicar isto. Tinha de recolhê-lo para dentro de casa, para o desespero do bem-te-vi pai e da bem-te-vi mãe. Colocava o filhote num pano macio dentro de uma espécie de gaiola. Chego em casa de madrugada. Já seis horas da manhã eu ouvia os pais do filhote cantanto um canto aflito. Aflito sim, sei disso, porque assim eu sentia. Saia então com o filhote nas mãos e colocava no mesmo lugar, na janela da biblioteca. A bem-te-vi mãe - imagino - passava o dia a alimentá-lo. O dia inteiro. Até que chegava as 4 horas da tarde. Pegava o filhote e levava para dentro. A aflição do pai e da mãe, voando rápido, um pio triste. Os dois a me observar de cima da biblioteca. Me doía por dentro. Mas tinha de ser assim. No outro dia, seis horas, até antes, o canto deles lá fora. E eu saía com o filhote para colocar na janela da biblioteca. Foram mais de dez dias, exatamente assim. Até que num dia, ao levá-lo até a janela da biblioteca, o filhote voou para a árvore. O pai e a mãe voaram imediatamente também para o mesmo lugar. Pensei então: “Ele foi para a vida”. E chorei.   

LIVRO DE SOPHIA

sábado - 28/junho/2008

Acabo de falar com meu editor em Portugal, poeta Jorge Fragoso, sobre o lançamento do “Livro de Sophia”, em setembro, em Coimbra, especialmente. Está já tudo certo. Li a última prova. Fiz os últimos pequenos acertos no longo poema escrito para Sophia de Mello Breyner Andersen. Sophia morreu no dia 2 de julho de 2004. Nesse dia em estava em Lisboa. Soube na notícia no hotel, pela TV. Comecei então a escrever e escrevi o livro inteiro num único dia, em vários os lugares de Lisboa onde estive, especialmente Cafés e mais particularmente no Nicola, na Praça da Figueira. O dia inteiro escrevendo, até a madrugada do dia seguinte. Tinha e tenho por Sophia uma profunda admiração, por sua  poesia e por vida. Na minha apresentação do livro digo o seguinte, discorrendo sobre como o livro foi escrito naquele dia de sua morte: “Na verdade, apenas conversei com ela, a andar por Lisboa, a falar com ela sobre o poema e a poesia, até que de mim se despediu, já madrugada, desaparecendo assim como surgiu”. Transcrevo aqui um trecho  do “Livro de Sophia”: 

 Escrevo-te o poema como se colhesse um receio

e não tenho a preocupação da música

no ritmo das palavras e dos versos.

O poema não tem verso nem música,

o poema se nega como poema

e não se acrescenta em sua forma.

No entanto, Sophia, sei que me debato

na elaboração do nada.

O nada talvez seja o que me salva no poema

e nas palavras que a poesia busca

como se lhe fosse possível existir.

Estou na tua terra, Sophia, em busca dessa poesia que me falta,

no teu país em que me percorro em minha intimidade

como se assim pudesse ainda salvar minha alma de poeta que fui.

Bebo contigo este café

e vemos daqui as pessoas nas calçadas da Praça da Figueira:

caminham pesadas,

olhos apagados num rosto incerto,

os homens escuros te observam de longe

e as mulheres te reverenciam como acenos delicados,

e respondes à tua maneira,

jogas-lhes palavas com sílabas acesas

como se pudessem entender.

RETRATO

sábado - 28/junho/2008

Somente o nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nadda, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, NADA, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada. nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada,  nada, nada, nada, nada, nada, NADA, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, SOMENTE o nada. 

GUIMARÃES ROSA

sexta-feira - 27/junho/2008

guimaraes.jpg27 de junho. Centenário de João Guimarães Rosa, o grande escritor brasileiro, inovador da linguagem. Nasceu na cidade de Cordisburgo, em Minas Gerais, em 1908. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963. Adiou a posse o quanto lhe foi possível. Dizia ter medo de morrer no evento. Resolveu tomar posse na Academia no dia 16 de novembro de 1967. Morreu três dias depois. Seu primeiro livro é de 1936, um livro de poemas, “Magma”, que nunca publicou. Eu convido meus 19 leitores a assistirem ao vídeo que eu e a atriz Patrícia Rizzo fizemos para a Jovem Pan Online, sobre o autor de “Grande Sertão: Veredas”. Um momento de poesia. De encantamento.

(Clique aqui e assista ao vídeo pela Jovem Pan online)

UMA PALAVRA

sexta-feira - 27/junho/2008

Queria dizer alguma coisa para meus 19 leitores. Mas não sei exatamente o que. Que fosse uma única palavra. Mas não sei. Uma palavra. Que fosse. Assim como quem descobre um caminho novo para andar. Como quem descobre um novo mar para sair com seu barco de papel. Que fosse somente um aceno, desses que se perdem nas ruas e nas praças. Que fosse um poema, na própria inutilidade de poesia, Que fosse qualquer coisa. Mas não sei. Meus 19 leitores merecem coisa melhor que uma palavra, especialmente porque as palavras deixaram de existir. Merecem uma estrela, por exemplo, mas só vejo estrelas cadentes atrás de montanhas que não existem. Queria dizer alguma coisa, mas não sei.

CANDIDATO A PREFEITO

quinta-feira - 26/junho/2008

poeta2606.jpgEu quero me apresentar aos senhores e às senhoras como novo candidato a prefeito de São Paulo. Criei o PPG – Partido da Paranóia Geral. Fizemos a convenção e eu fui escolhido como candidato. Como não temos sede ainda, o encontro foi realizado num bar. Que é tudo a mesma coisa. Meu número será zero, mas à esquerda. Isso é importante: zero à esquerda.

O PPG – Partido da Paranóia Geral - veio para ajudar o povo brasileiro em geral. Brevemente ganharemos estrutura nacional para concorrer a outros cargos eletivos, especialmente nas eleições de 2010.

Como candidato a prefeito de São Paulo, já tracei alguns itens de minha plataforma para melhor administrar a cidade:

Penso em acabar com o Parque do Ibirapuera e transformar toda aquela área num imenso estacionamento de carros.

Também penso em fechar o aeroporto de Congonhas que também será transformado em estacionamento.

São duas iniciativas que ajudarão a cidade a resolver esse problema crucial de estacionar os automóveis.

Para a área do Aeroporto de Congonhas levarei aquele clube de aeromodelismo que funciona no Ibirapuera, com cinco ou seis pessoas. Assim, Congonhas, de alguma maneira, continuará com um pequeno espaço da aviação brasileira.

Penso também em transformar as enchentes na temporada de chuvas em imensas áreas de lazer. É só chover e as pessoas já poderão se dirigir às áreas de enchentes para se divertir. Vejo nisso um fator positivo para nossa cidade.

Também pretendo colocar uma tampa em cima dos rios Pinheiros e Tietê e construir 15 pistas para carros.

Outra idéia é construir um novo minhocão sobre a Avenida Paulista, também para dar lugar aos automóveis.

Também entrarei em contato com a indústria automobilística com o objetivo da construção de carros voadores, para beneficiar o cidadão que tem mais pressa.

Outra idéia que pretendo desenvolver é desligar todos os semáforos para que os carros andem livres e o trânsito da cidade se resolva por si mesmo.

Pretendo ainda, entre tantas outras idéias, acabar com aquelas barracas de flores no Largo do Arouche, por serem muito românticas. A cidade não comporta mais romantismo nenhum.

Enfim, hoje foi apenas um programa para minha apresentação como candidato do Partido da Paranóia Geral. Voltarei outras vezes no horário gratuito para expor minhas idéias, na esperança de não ser acusado de estar fazendo campanha eleitoral antecipada.

Conto com o voto do senhor e da senhora.

Muito obrigado a todos.

(Clique aqui e assista ao vídeo pela Jovem Pan online)

SÃO JOÃO

quarta-feira - 25/junho/2008

poeta2506.jpgVim aqui fazer um depoimento em defesa de meus pares que estão sendo atacados de maneira injusta pela população e pela imprensa. Profundamente injusta. Eu sou deputado. Sou um representante do povo brasileiro no Congresso Nacional e me orgulho disso, tenho o orgulho de lutar por esta Pátria em muitas frentes, dedicando praticamente minha vida pelo bem do povo e do país.

Ontem eu caí da cama e machuquei o braço. Não sei o que aconteceu, caí da cama e machuquei o braço.

Está todo mundo falando mal dos deputados e dos senadores porque nós não vamos trabalhar nesta semana. Eu não trabalho mesmo nesta semana de São João.

Eu sou um patriota, eu me considero um patriota, sempre lutei pelo país. Por isso eu acho que mereço não trabalhar nesta semana de São João para poder pular fogueira no meu Estado. Quero tomar um quentãozinho.

Todo mundo fica falando aí que a gente não trabalha em Brasília. Que todo mundo faz semana de três dias, de dois dias. Tudo isso é mentira. Eu confio no meu povo e o meu povo confia em mim.

O presidente da Câmara diz que vai cortar o ponto do deputado que faltar nesta semana. Só dando muita risada. Até o corredor da Câmara está cheio de bandeirinhas coloridas de São João.

Ele disse que quem não justificar a falta vai ser descontado no salário. O povo brasileiro sabe que nós trabalhamos muito em Brasília e ganhamos muito pouco e ele ainda fala em descontar os dias de falta. Só rindo.

O presidente da Câmara falou assim. Vou ler para vocês:

“Não me cabe subordinar o regimento da Casa a manifestações culturais, embora eu as respeite. Todos nós pagamos um preço e temos que fazer escolhas. Quem considerar que a festa de São João mereça sua presença, não se incomodará com a falta. É um conflito real”.

Ó, sinceramente, nem sei o que ele quis dizer com isso aí que eu li. Não entendi direito mas não vou trabalhar esta semana, o Brasil pode ficar sem suor de meu rosto nesta semana, até porque eu não sou de ferro.

Não tem que fazer votação nenhuma. Eu trabalho sempre, estou sempre presente no plenário, dou meu sangue pelo meu país, sou um patriota, como eu já disse. Um patriota.

Caí da cama e machuquei o braço. Estou com meu braço machucado porque caí da cama. Mas eu não vou trabalhar por causa da festa de São João. Eu sou um patriota, ninguém vai me tirar essa condição de servir meu país com o suor de meu rosto. Ninguém. Eu exijo respeito.

(Clique aqui e assista ao vídeo pela Jovem Pan online)