Pouquíssimas palavras. O que tem de ser dito a poesia diz. E a poesia está aqui, na voz de minha querida atriz Patrícia Rizzo. Ela fala os poemas do poeta Mário Quintana. A poesia fala mais. A poesia diz. A poesia mostra. Faz o retrato.
Mário Quintana, o que dizer de Mário Quintana ? Nasceu no dia 30 de julho de 1906, na cidade de Alegrete, na fonteira oeste do Rio Grande do Sul. Estaria completando 102 anos. Mudou-se para Porto Alegre em 1919.
Mário Quintana é um caso a parte na poesia brasileira. Um caso a parte que começou em 1940, quando publicou seu primeiro livro “A rua dos cata-ventos”. Um poeta da simplicidade, mas essa simplicidade que só os grandes escritores sabem alcançar no despojamento de sua linguagem.
Construía seus poemas como quem escreve uma carta, num estilo que sempre se marcou pela ironia e especialmente a perfeição na estrutura do poema. Mas não foi só poeta: é preciso ressaltar seu trabalho de tradutor, quase sempre esquecido.
Mário Quintana traduziu mais de 130 obras da literatura universal, autores como Virgínia Woolf, Marcel Proust e Giovanni Papini.
O poeta praticamente nunca teve uma casa. Viveu quase a vida inteira em hotéis. O último, por muitos anos, o Hotel Majestic, no centro velho de Porto Alegre, que foi tombado e transformado em Centro Cultural, batizado como Casa de Cultura Mario Quintana.
Por três vezes Mário Quintana tentou se eleger membro da Academia Brasileira de
Letras. Nunca conseguiu o número de votos necessários. Mas poderia haver uma quarta tentativa, quando seu nome era unanimidade. No entanto, Mário Quintana recusou e nunca escondeu seu ressentimento. E ao recusar candidatar-se pela quarta vez, quando de fato seria eleito, escreveu seu famoso “Poeminha do Contra”, que é assim:
Todos esses que aí estão
atravacando meu caminho
eles passarão…
Eu passarinho.
Um grande poeta brasileiro de muitos livros e muitos belos poemas. Sempre disse que sua vida está em seus poemas: “Meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão”, dizia ele. Afirmava que idade só existem duas: a do nascimento e a da morte. Não se conformava que as pessoas consideradas tristes ou introspectivas tivessem que fazer tratamento médico.
O poeta é considerado um dos maiores nomes da poesia brasileira do século 20, com livros memoráveis, a expressão é essa mesma, memoráveis. Um poeta que cultivou a palavra e como homem viveu uma vida que poucas vezes ultrapassou os limites de Porto Alegre, onde morreu aos 88 anos, no dia 5 de maio de 1994.
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