Arquivos para outubro, 2008

MEU NOVO LIVRO - MELHORES POEMAS

quinta-feira - 30/outubro/2008

poeta.jpgMeu novo livro, “Melhores Poemas”, publicado pela Editora Global, será lançado no dia 4 de novembro, 3a.feira, na Fnac da Avenida Paulista, 901, a partir das 18:30 horas.

Os poemas foram selecionados pelo poeta Carlos Felipe Moisés, da minha Geração, que também assina o ensaio de abertura.

“Melhores Poemas” da Editora Global é, atualmente, a mais importante coleção de poesia do país, dirigida pela escritora Edla van Steen.

O convite para que eu participasse da coleção, que me representa uma honra, partiu do dono da editora, meu amigo querido Luis Alves.

Eu quero convidar os 19 leitores para esse lançamento que tem um significado especial em minha vida pessoal e literária.

Sou autor de mais de 50 livros, incluindo, também, peças de teatro, além de romances, ensaios literários, livro de entrevistas com poetas e escritores, crônicas. Mas sou fundamentalmente poeta. 

Hoje me considero um poeta português. Tanto é verdade que de meus últimos sete livros, seis foram publicados em Portugal. Fugi para Portugal em busca da poesia que me falta no Brasil. É uma etapa da minha vida que está sendo percorrida com coerência no que diz respeito à poesia que escrevo.

Muitos dos poemas selecionados foram publicados em Portugal. Eu destaco, também, os poemas de O Sermão do Viaduto, um livro meu que se tornou muito famoso. Li esse livro nove vezes no Viaduto do Chá, com microfone e quatro alto-falantes. Realizei no viaduto nove recitais públicos e fui preso cinco vezes pelo Dops, acusado de subversivo. 

Gravei na Jovem Pan Online uma espécie de depoimento sobre meu novo livro. O vídeo foi feito por Nilton Travesso e pelo companheiro Zé Ricardo. A companheira Sandra Ferreira fez até uma foto minha para ilustrar.

Convido-os a assistir a esse vídeo que gravei na Jovem Pan Online, no qual faço, inclusive, a leitura de um dos considerados melhores poemas que escrevi na minha vida.

Então não esqueçam: eu espero todo mundo no dia 4 de novembro, 3a.feira, na Fnac da Paulista, 901, a partir das 18:30 horas.   

Clique aqui e veja o vídeo da JP Online

O ROSTO

quarta-feira - 29/outubro/2008

rosto.jpgFica-me o rosto, assim pregado, costurado com uma agulha invisível, o olhar mais fundo e a pele que brilha, mas não parece.

Fica-me também um silêncio que não sei explicar, como uma pedra, um lábio de pedra, a boca de pedra, a palavra de pedra, a tez de pedra tecida nesse ausente retrato que me cerca.

Talvez esteja sonhando, não tenho certeza de mim nestas horas em que me perco de mim e que de mim me distancio como se não me fosse o que sou.

Talvez seja desespero.

O rosto que me invade o espelho, assim como um golpe que me desperta entre as nuvens e o esquecimento.

O rosto que me refaz, assim vindo não sei de onde, atravessando o tempo com a língua branca, com o beijo que não se percebe, com o poema que não foi escrito.

Assim esse rosto que me reflete e se costura em mim, na face que me oculta, que me disfarça. 

O ANJO

terça-feira - 28/outubro/2008

anjo.gifQuando comecei a voar, eu não sabia para onde poderia ir.

Quando eu comecei a voar, eu achava que precisava bater as asas, como um pássaro.

Mas depois percebi que não.

Quando eu comecei a voar, comecei a sentir o que nunca setira antes, coisas desconhecidas.

Quando eu comecei a voar, saí de mim como saem as aves nas manhãs e nas chuvas, em busca de uma paisagem, de um templo, a torre de uma igreja, de uma prece.

Quando eu comecei a voar, eu pude sentir a absoluta solidão de tudo.

Quando eu comecei a voar, eu também comecei a me conhecer melhor, como se estivesse diante de um espelho, percorrendo as rugas de meu envelhecimento, as cicatrizes que estão costuradas na minha pele, as pálpebras pesadas como uma noite que não termina.

Quando eu comecei a voar, cansei-me de me ver e de me ouvir.

Quando eu comecei a voar, abri minha porta para o mundo e deixei-me caminhar entre as nuvens com acenos brancos nas mãos.

Quando eu comecei a voar, eu esqueci de mim.  

  

DECEPÇÕES

terça-feira - 28/outubro/2008

sacrificio.jpgSaí de mais uma crise. Mas não tenho muita certeza. Acho que saí. Ontem o ministro da Fazenda disse que a crise no Brasil é psicológica. Não é nem uma marolinha, como afirmou o senhor presidente da República. Não. É tudo psicológico. A crise é psicológica. Pode quebrar tudo, bancos, empresas, o que for: é tudo psicológico. Depois querem que eu respeite essa gente. É tudo psicológico. O mundo está quebrando e eu estou pouco me lixando para isso. Mas a crise não chegará no Brasil. O presidente me garantiu isso uma porção de vezes em discursos inflamados. O Brasil está blindado. Agora o ministro da Fazenda diz que se a crise chegar aqui é psicológico, mais nada.

Não faz muito tempo eu escrevi aqui sobre o livro O Presidente Negro, de Monteiro Lobato. Um livro nazista. Escreveu o livro para ganhar dinheiro. Está certo. Nada contra. Mas Monteiro Lobato se tornou inconveniente até para os amigos mais próximos e chegou ao fim da vida praticamente sozinho por causa de suas idéias. No romance O Presidente Negro ele prega simplesmente, por meio de um personagem, a extinção da raça negra nos Estados Unidos. Pura e simplesmente. Nazismo puro. Coisa de arrepiar.

Mas agora nesta nova crise, enquanto fiquei em casa descansando com meu cachorro, li um livro que me mostrou o outro lado do cândido José de Alencar, o romancista brasileiro. São cartas que José de Alencar publicou entre 1867 e 1868. O cândido José de Alencar. As cartas ele endereçava a D. Pedro II, que vinha revelando simpatia pela causa abolicionista. Pois essa atitude do imperador enfureceu o cândido José de Alencar. Mais uma decepção que vou guardar na vida, além dos remorsos que tenho em mim. Nas cartas furiosas, José de Alencar defendia com unhas e dentes o trabalho escravo que na época existia ainda somente no Brasil, entre as nações da América. Lendo estas cartas eu me pergunto: Onde está aquele romancista indianista de Iracema e de O Guarani ? É de doer. Causa dor na alma a defesa que ele faz do trabalho escravo. A gente tem um sentimento de vergonha por dentro. Os argumentos utilizados por José de Alencar defendendo o escravismo chega a um cinismo assustador. É muito cinismo demais para uma só pessoa. Ele zomba dos abolicionistas. O escritor, o cândido escritor, morreu antes da abolição, em 1888. Não viu a libertação dos escravos. Por certo não resisitiria. Talvez se matasse antes.  Um ser humano desprezível.

A BRUXA

segunda-feira - 27/outubro/2008

bruxa271008.jpgA bruxa foi embora.

A bruxa colheu o que plantou.

A bruxa fez todos os feitiços possíveis, que não deram certo.

Dizem que às vezes o feitiço vira contra o feiticeiro.

Foi vista engolindo as mentiras que sempre contou e palavras que nada têm a ver com sua vida.

Sua vida é bem diferente daquela que ela contava.

Bem diferente.

A bruxa passou um bom tempo de glamour.

Todas as bruxas gostam de glamour.

O discurso da bruxa acabou.

A bruxa pegou a vassoura e saiu voando.

Não gargalhava como sempre foi seu costume.

Estava com um risinho amarelo na cara.

A bruxa saiu voando.

Saiu voando, voando, voando, voando, voando.

Vai voar até sua vassoura estragar. 

Na última vez que foi vista, a bruxa estava passando com sua vassoura diante da lua cheia, deixando um risco sujo no céu. 

PERGUNTAS INFAMES FEREM DE MORTE UMA BIOGRAFIA

domingo - 26/outubro/2008

DUAS PERGUNTAS INFAMES FEREM DE MORTE UMA BIOGRAFIA E REVELAM A QUE PONTO CHEGA A SORDIDEZ DE ALGUMAS PESSOAS QUE TÊM APENAS O PODER COMO OBJETIVO DE VIDA NUM VALE TUDO QUE ESTE PAÍS NÃO PODE MAIS ACEITAR

Acho que agora posso dizer. Acho que agora posso escrever sobre o assunto. As duas perguntas infames são as seguintes:

1a. Ele é casado ?

2a. Tem filhos ?

Isso foi usado na campanha eleitoral. Pior, a Associação Brasileira de Gays, saiu em defesa da candidatura que usou essa fórmula sórdida de atingir o adversário, dizendo que isso não diminuiria sua história em relação à comunidade.

Tá bem. Mas eu digo aqui do meu canto que o que falta a essa Associação é vergonha na cara. Falta vergonha na cara. É tudo farinha do mesmo saco.

FINAL BRASILEIRO

domingo - 26/outubro/2008

A história chegou ao fim. Infelizmente para a menina assassinada com um tiro na cabeça, por um criminoso perverso. A menina não existe mais.A outra nem sabe ao certo o que deve fazer diante de tanto assédio. Terminou mais uma história brasileira, com final bem brasileiro. Nem poderia ser diferente. Agora a discussão é sobre a ação da Polícia. Agora a Polícia é a culpada de tudo. Este país infeliz e ridículo tem um poder incrível de mudar o foco de todas as histórias. A vida da menina não conta mais. O que conta agora é a ação da Polícia. O Secretário Nacional de Segurança Pública, pelo que me consta a maior autoridade do setor,  também condenou a polícia São Paulo, mas pelo motivo de não ter utilizado um atirador de elite para acabar com aquele drama. E os atiradores de elite que estavam  no local tiveram muitas chances para isso. O Secretário diz textualmente que a operação policial deveria ter utilizado o atirador de elite e ponto final. Mas se a polícia fizesse isso seria crucificada pelas comissões não sei do quê. Seria chamada de despreparada. Como não usou o atirador de elite, é chamada de despreparada. Mas agora a discussão é outra. Agora a discussão sobre a grana. É issso mesmo: grana. Os senhores advogados já estão discutindo sobre a grana que as famílias devem receber, segundo eles dizem. Grana. O negócio agora é grana. Além de toda a culpa da polícia, o negócio agora é a grana.  A grana. A grana. A vida da menina não interessa a mais ninguém, nem mesmo à imprensa à qual pertenço, infelizmente. Aqui é o país em que um criminoso que tem dois reféns em seu poder, na mira de uma arma, dá entrevista ao vivo na televisão, com polpa e circunstância. Uma entrevista ao vivo em rede nacional de televisão. Um verdadeiro deslumbramento. Eu sinto vergonha. Um bandido com duas reféns que ameaçava matar. O bandido chegou a dizer: “Eu sou o príncipe do gueto!”. Não é bonito ? Mais um pouquinho, seria transformado em herói. Mais um herói brasileiro. Um grande herói brasileiro. A história termina assim. A menina não vive mais. Outra está perdida como um joguete à espera de desempenhar o seu papel que será bem decorado. Grana. Grana. O herói brasileiro está preso. Digamos que pegue 30 anos de cadeia. Não acredito, mas digamos que pegue 30 anos de cadeia. Cumpre um sexto da pena e ganha a liberdade. Não é uma maravilha ?

AS MÃOS

sábado - 25/outubro/2008

Sentado dentro de mim, vejo minhas mãos nos braços do sofá. Minhas mãos estão velhas. Percebo agora ao vê-las de repente. Minhas mãos envelhecem comigo. A pele já não é tão lisa como já foi. E as veias que delas saltam me parecem mais escuras. Minhas mãos envelhecem com minha vida. Minhas mãos antes serviam para colher as laranjas no fundo do quintal. Não servem mais. Também perderam os acenos que tinham. Eram acenos quase invisíveis. Perderam meu gesto. Minhas mãos envelhecem comigo, vejo agora, sentado, ouvindo o som ausente das coisas. Estão paradas no braço do sofá. Às vezes saltam para cima de minhas pernas, como se não o fizessem. Minhas mãos estão velhas. Envelhecem comigo. Tudo envelhece comigo. As plantas envelhecem comigo. As pedras. Minhas mãos antes serviam para pegar as maçãs. Não servem mais. Minhas mãos chegaram a escrever quatro ou cinco poemas. Não escrevem mais. Minhas mãos se perderam de mim. Estão velhas. Envelheceram comigo. Estão separadas de mim.

A AGONIA

domingo - 19/outubro/2008

eloa19.jpg

Esta é a foto do terror. Que me assusta. A menina Eloá, de 15 anos, à janela do apartamento onde foi mantida refém por mais de 100 horas. A foto está na capa de revista Época. Foi feita pelo fotógrafo Daniel Verpa. É a foto da dor. Da dor absoluta. A foto da falta de saída. Da angústia que não dá para suportar. Chorando, a menina ainda pedia calma às pessoas que acompanhavam seu drama. Um drama sem escapatória. A menina de 15 anos que quis seguir seu caminho, sem ser prenda de ninguém. Uma menina que decidiu que não teria mais dono. Agora fica essa discussão sobre a ação da polícia. Tudo, afinal, agora, parece se resumir nisso. A ação da polícia. A polícia fez o que tinha de fazer. São pessoas. Lá dentro estava um homem armado torturando sua vítima, ex-namorada, há quatro dias. Além da tortura, sabe-se, agora, que a menina foi espancada várias vezes no seu cativeiro. Esses são os homens que pensam ter as mulheres como uma mercadoria que se compra e se vende ao bel prazer. A foto me machuca. A foto é um grito. Um grito de dor. Um grito de socorro. Um grito final. Uma lágrima final. Um grito que talvez ninguém tivesse ouvido. As feições da menina de 15 anos, proibida de viver, mostram esse desespero. Poucas  vezes um caso me impressionou tanto como este da menina de 15 anos assassinada com perversidade. A polícia diz que por várias vezes poderia ter atirado no sequestrador, sem erro, com atiradores de elite. Se o fizesse, diríamos que a polícia é despreparada. Diríamos que ela não sabe lidar com casos assim. Como não o fez, dizemos que a polícia é despreparada, não sabe lidar com casos assim. E haverá ainda quem vai dizer que os policiais foram brutos quando pegaram o bandido. Por certo, deveriam dar a ele flores, enquanto a outra menina, com um tiro na boca, chamava por Deus. É assim que funciona. A mim, fica-me esta foto dramática, cruel. Uma fotografia do pavor que não tem medida.

A MENINA DOS SONHOS DESFEITOS

sábado - 18/outubro/2008

Dói. Acho que não sirvo mais para esta profissão. Meu tempo passou. Não sirvo mais. Fui jornalista a vida inteira, acredito que não sou mais, por minha absoluta falta de condições de encarar alguns fatos que não consigo mais.

Eu me refiro ao caso do sequestro em Santo André. Assustam-me a brutalidade, a crueldade, a perversidade. Isso parece fazer parte das coisas. De todas as coisas. Mas eu acho que sou uma pessoa muita antiga. Eu não consigo mais conviver com isso.

Os sonhos da menina Eloá estão perdidos. Esse namoro começou, pelo que compreendo, aos 12 anos de idade. Aos 15, a menina decidiu dar outro rumo à sua vida. Mas seu ex-namorado não aceitou. Alguns homens, quase todos, pensam que a mulher é apenas um objeto para sua coleção de objetos. Alguns homens, a maioria, acreditam piamente que a mulher lhes pertence como se fosse uma mercadoria, um produto que pode se comprar numa loja.

Assim foi com a menina Eloá.

Vi uma entrevista de uma promotora de justiça especializada em crimes passionais. Já escreveu livros a respeito. Não me lembro o nome dela neste momento, manhã de chuva e de tristezas.

Ela disse que quando o ex-namorado invadiu o apartamento de Eloá foi para matá-la. Só isso. Mais nada. Só não o fez porque a menina dos sonhos perdidos estava estudando em companhia de amigos da escola. Diante disso, o ex-namorado, que pensava ser dono da menina, fez todos reféns, mas não recuou de sua intenção.

Primeiro libertou dois adolescentes e no outro dia uma amiga de Eloá que, surpreendentemente, retornou ao cativeiro depois. Uma coisa incompreensível. Mas não de pode fazer juízo precipitado das coisas. A amiga retornou com o consentimento da polícia numa tentativa de resolver a situação, conforme promessa do ex-namorado. Não cumpriu o que prometeu.

A promotora de justiça assegura que o ex-namorado iria matar Eloá mesmo, não tinha saída.

A menina dos sonhos perdidos está entre a vida e a morte. Quinze anos. Os sonhos talvez se foram para sempre.

Não duvidem se aparecerem agora algumas entidades, comissões e coisas assim, condenando a ação policial, especialmente quando pegou o ex-namorado que, como a maioria dos homens, pensava-se dono da menina Eloá.

Dirão que houve brutalidade. Por certo os policiais deveriam convidar o criminoso a acompanhá-los, oferecendo-lhe um buquê de flores. 

Não é assim. Esse ex-namorado, que se pensava dono da menina que perdeu todos os sonhos, ficou mais de 100 horas torturando sua vítima com um revólver. Deu entrevista para televisão, saiu em todos os jornais. Na entrevista na TV, por meio de celular, ao vivo, falou como uma espécie de herói do avesso. Um jornalismo que não aceito. Coloca em evidência o bandido, aquele que quer matar. E tudo se transforma num grande espetáculo, ao vivo e a cores. A entrevista ao vivo na TV é prova dessa inversão de valores que parece, agora, conduzir todas as coisas. Inclusive o jornalismo. Ou o pretenso jornalismo. O que vale é o espetáculo.

Voltando a mim. Não sirvo mais para tudo isto. O jornalismo não me serve mais e eu também não sirvo mais ao jornalismo. Não tenho mais condições de encarar fatos assim.

Olho a fotografia de Eloá, menina dos sonhos desfeitos, com sua amiga Nayara, também ferida, e não sei definir o que sinto. Sei que dói. Dói pela perversidade. Pela crueldade do crime. Pelo plenajemanto frio e calculado de tudo que seria feito contra a menina dos sonhos perdidos.

Cercado por três policiais que o seguravam fortemente, certamente o criminoso terá comissões e entidades ao seu favor, explicando que foi maltratado pelos policiais. Também dirão que a polícia agiu com brutalidade ao explodir a porta para entrar no apartamento.

Agora vão fazer analisar as balas. Porque já estão dizendo que as balas partiram das armas dos policiais. É, de fato: os policiais entraram atirando e acertaram exatamente as duas meninas, não o bandido. O bandido saiu ileso, sem nenhum ferimento.

Há homens, a maioria deles, que pensam ser a mulher uma espécie de objeto que eles podem fazer o que bem entendem. A menina dos sonhos desfeitos não aceitou esse destino. Aos 15 anos quis novos rumos para sua pequena vida. Não conseguiu. Ela era um objeto. Um objeto que tinha dono. Que tinha de agir de acordo com as ordens e determinações de seu dono.

É assim. Está preso. Só isso. Está preso. Uma prisão que terminará logo. Ao sair da prisão, e isso, pelas leis brasileiros, ocorrerá num tempo breve, arrumará por certo outro objeto para seu prazer e dele fazer o que bem entender.

A menina dos sonhos perdidos está entre a vida e a morte. Está ainda ligada à vida por um pequeno fio. Se sobreviver, não se sabe qual será se destino.

A menina dos sonhos desfeitos só queria viver.