A POESIA DE ADÉLIA PRADO NA JP ONLINE
terça-feira - 31/março/2009Todas as sextas-feiras, eu e minha amiga querida Patrícia Rizzo, atriz e apresentadora da Rádio Jovem Pan, fazemos um quadro na JP Online sobre poesia. Eu falo sobre o poeta – homem ou mulher – e a Patrícia interpreta dois um três poemas do autor escolhido. Na semana que passou, escolhi a poeta Adélia Prado, que nasceu no dia 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, Minas Gerais, onde vive
até hoje. Já fiz com Adélia uma longa entrevista publicada no meu livro “Palavra de Mulher” (Senac, 2003), pela qual passei a conhecer e admirar mais essa mulher poeta, de palavras de fé, que tem na poesia uma espécie de oração, uma prece talvez sempre derradeira, mas que deve existir para que exista vida. Adélia Prado escreve poesia que é feita especialmente com base na existência espiritual, na presença de Deus. Ela faz questão de dizer, sempre, que é mãe, dona-de-casa e esposa. O vídeo que eu e a Patrícia Rizzo gravamos para a Jovem Pan Online, sobre a poesia de Adélia Prado, foi colocado na UOL, que passou a hospedar, em parceria, os vídeos da JP. Em pouco mais de 10 horas, o vídeo teve perto de 12 mil acessos. Por isso eu coloco hoje no meu blog, que considero um refúgio, esse vídeo para que meus 19 leitores vejam.
Fora isso, transcrevo um poema de Adélia, “Choro a capela”, do livro “O coração disparado”:
O poder que eu quisera é dominar meu medo.
Por este grande dom troco meu verso, meu dedo,
meus anéis e colar.
Só meu colo não ponho no machado,
porque a vida não é minha.
Com um braço só, uma só perna,
ou sem os dois de cada um, vivo e canto.
Mas com todos e medo, choro tanto
que temo dar escândalo a meus irmãos.
Mas venho e vou,
“os lobos tristes” a seu modo louvam.
Nasci vacum, berro meu
era só por montar, parir, a boa fome,
os júbilos ferozes.
As vacas velhas têm olhos tristes?
Tristeza é o nome do castigo de Deus
e virar santo é reter a alegria.
Isto eu quero.






















