Agora começo a entender melhor a posição do meu amigo jornalista Flávio Prado, comentarista esportivo da Jovem Pan, sobre as torcidas organizadas, de qualquer time, de qualquer um. Trata-se, mesmo, de um bando de delinqüentes. Um bando de marginais. E especialmente um bando de gente imbecil. Todos os sábados eu apresento no Programa do Flávio Prado “Jovem Pan no Mundo da Bola”, o “Livro da Semana”, escolhido por mim. Comento o livro, falo sobre seu autor e dou informações sobre a publicação. Mas antes de apresentar o Livro da Semana, faço um pequeno comentário irônico sobre os fatos ridículos do futebol. Tenho tido problemas com a inexpressividade e insignificância de alguns dirigentes, especialmente do presidente do Corinthians que, ao ser eleito presidente do clube da maior tradição do futebol deste país, falou sobre sua primeira prioridade absoluta para sua gestão. Ele disse assim: “Quero comunicar que nos próximos três anos, o Corinthians não jogará mais no estádio do Morumbi”. Como jornalista profissional que ainda sou, pensei: Mas é isso que esse cidadão, presidente de um dos clubes mais lindos do mundo, tem a dizer aos seus torcedores ? E comentei isso à minha maneira, dando muita risada, como faço na Jovem Pan Online com o presidente Lula, com ministros do Governo, com outras autoridades, sem sofrer qualquer tipo de represália. Faço isso representando meus próprios textos. Não o fiz sobre o presidente do Corinthians, que eu não sei o nome, porque o assunto é insignificante demais para ser apresentado na JP Online, onde só comento, à minha maneira – é preciso sempre ressaltar isso – os assuntos mais importantes do dia, envolvendo personalidades e, de maneira prioritária, as mazelas brasileiras. Quando eu comentei a prioridade do presidente eleito do Corinthians, num programa do Wanderley Nogueira, o meu e-mail particular - descoberto pelos marginais na Internet - quase explodiu, numa ação orquestrada. Tudo orquestrado obedecendo a um comando. Respondi a alguns idiotas, até que desisti. É duro lidar com a mediocridade. Agora no sábado, ao participar do programa do Flávio Prado, dei o meu recado irônico contra o presidente do São Paulo, o clube do qual sou torcedor, doutor Juvenal Juvêncio. Critiquei, também, a postura do doutor Marco Aurélio Cunha, do São Paulo, que costuma fazer gracinhas que só provocam e agravam mais as brigas entre esses delinqüentes. No final, disse exatamente o seguinte: “Pior que o Marco Aurélio, só o presidente do Corinthians, que eu não sei o nome”. E dei risada. A seguir, apresentei o Livro da Semana. Vocês não podem imaginar o que isso representou. Um idiota marginal delinqüente, falando - segundo ele - em nome da Gaviões da Fiel, me passou uma mensagem e me fez uma ameaça de morte. Quer dizer: não se pode falar da pessoa que, circunstancialmente, ocupa hoje o cargo de presidente do Corinthians e que, sinceramente, acho até que faz um bom trabalho. Acho mesmo. Mas também acho engraçadíssimo que, num regime de futebol principalmente profissional, em que tudo gira em torno do dinheiro, o primeiro dirigente de um clube tenha a prioridade que ele comunicou quando foi eleito. Eu ia muito assistir futebol, primeiro porque gosto, segundo porque o Morumbi fica perto da minha casa. Essa gente estúpida não sabe das coisas, até mesmo de minha ligação com o Corinthians, desde minha juventude, quando fui levado ao clube pelo então presidente Wadi Helou, para o juvenil, no qual jogavam, por exemplo, o Rivelino e seu irmão Abílio. O goleiro era o Alexandre. Fui levado para lá por ter muita fama no futebol da várzea da cidade, naquela época. O então presidente Wadi Helou me levou para lá, por meio do jornalista Antonio Gúzman, dos Diários Associados, que assinava a coluna mais lida na época, “20 Notícias”. Eu sempre fazia parte das seleções das regiões da capital, num torneio organizado pela A Gazeta Esportiva. Eu era titular da seleção da Zona Sul. O Wadi Helou mandou um olheiro me ver jogar. Me chamou e me enviou para o técnico Rato. Esses idiotas não sabem de coisa nenhuma. E pouco me interessa que saibam. Parei de jogar futebol por motivo de saúde, problema sério que se manifestou na época, que nem constava da literatura médica, doença que dura até hoje, sob controle. Na época era rara, praticamente desconhecida. Tive de parar. Explico isso, porque gosto de futebol. Costumava ir ao Morumbi. Por causa das brigas, passei a ir só em jogos de uma torcida só, no caso, só ia a jogos do São Paulo com times de fora. Aí começou entrar em cena a figura do guardador de carros. Fui parando o carro cada vez mais longe para não cruzar com esses assaltantes - há exceções - que exigem o dinheiro antes. Se você não paga, seu carro será danificado. Me afastei de vez quando as brigas violentas passaram a acontecer até mesmo com torcida única. Como cidadão, não dá para ir a um estádio. Até os dirigentes dos clubes se encarregam de inviabilizar os jogos, insultando-se uns aos outros. Bem, agora cheguei a isto: por fazer um pequeno comentário de algumas palavras sobre o excelentíssimo senhor presidente do Corinthians, fui ameaçado de morte por um delinqüente. O nome dele e o e-mail que usou já estão nas mãos da polícia. Ele terá uma bela surpresa, isto é, se o nome e o e-mail forem verdadeiros. Geralmente o delinqüente, o bandido, só age na sombra. Aí eu quero ver se de fato ele é valente como se mostrou na mensagem que me enviou. Vamos ver se ele fala aquilo na minha cara. Na ditadura, fui preso cinco vezes por questões políticas. Agora sou ameaçado de morte por delinqüentes que se dizem torcedores do Corinthians, falando, como adiantou, em nome da Gaviões da Fiel. É proibido falar qualquer palavra sobre o excelentíssimo senhor presidente do Corinthians. Não pode. Pelo que entendi, eles estão de olho em mim, como disse o marginal. A Gaviões vai acabar comigo, ele escreveu. Também aconselhou-me a ficar esperto. Fora os xingos. Este é o país em que a gente vive. É muita mediocridade demais. Não dá para encarar esse lixo. Eu quero saber se a Gaviões da Fiel assume essa ameaça. Do excelentíssimo presidente do Corinthians não quero saber nada. Nem me interessa saber nada. Mas eu vou continuar achando engraçada a prioridade número 1 que ele comunicou assim que foi eleito presidente do Corinthians. E vou continuar comentando isso, sim. Sei que fui ameaçado de morte e numa terra sem lei, como é o Brasil, a gente nunca sabe ao certo o que pode acontecer. E assim, sinto que mais uma coisa começa a se distanciar de mim: o futebol. Nem torcer se pode mais. Nem gostar. E pensar que tantas vezes escrevi crônicas para esse time dirigido hoje pelo excelentíssimo que, de acordo com alguns amigos corintianos que tenho no jornalismo, mudou muito. O que, sinceramente, a mim nada interessa, se mudou, se vai mudar. Nada me interessa desse cidadão. Agora, não pense o marginal que me escreveu que vou me calar. Sou um jornalista crítico. Acho ridículas determinadas atitudes que merecem comentários, sim, e nisso entram ironia, riso e até gargalhada, se for o caso. Faço isso com o presidente da República e com o cenário político deprimente do país, sem represália. Pelo que entendi, desta vez estou com os dias contados. Vamos ver. Na verdade verdadeira, futebol está começando a dar nojo.