Os caminhos que não compreendo, em que me perco

fadasPrimeiro eu quero agradecer as palavras de afeto de tanta gente. Muitos dirão que se trata “apenas” de um cachorro. Mas não é isso. É preciso saber o significado de todas essas coisas. Desse silêncio. Dessa ausência. Pelo menos eu sinto assim. Escrevi uma carta para meu Guga que partiu e não sabia dessa repercussão. Eu fico comovido com estas manifestações de carinho. Alguém escreveu que esses comentários em meu blog pelo menos revelam que ainda existe amor entre algumas pessoas. É assim mesmo: algumas pessoas. Num mundo brutalizado como este em que vivemos, é muito difícil encontrar uma palavra de afeto, um gesto de afeto, um beijo de afeto, um toque de mãos por afeto. É muito difícil. O que vale mesmo é a violência em todas as coisas. Vejam bem: no sábado, aquela alegria inesperada, que me pegou de surpresa, no Projeto Autor na Praça. Depois o domingo, com alguns moradores de rua, com alguns pintores da Praça da República, com o café o meu amigo Evandro na sua Galeria. E na segunda-feira, meu pequeno cão parte para sempre. Eu me sinto meio perdido nestes caminhos que não chego a compreender, embora seja suficientemente espiritualizado para isso. Vejam bem: O Guga tinha a companhia da Belinha, uma fêmea de porquinho da Índia que vivia muitas vezes solta dentro de casa. Um bichinho incrível, que adormecia no meu colo e no colo de minha filha Amanda de Fátima e que também gostava de dormir no colo de minha outra filha Daysi de Fátima. Um bichinho lindo por quem me afeiçoei e a quem dava um pedaço de maçã todos os dias e uma folha de verdura. Não vou colocar a foto dela. Ontem doeu-me muito ao ver a foto do Guga. Eu não compreendo, eu não compreendo, eu não compreendo, eu não compreendo, eu não compreendo, eu não compreendo, eu não compreendo: meu pequeno bicho também se foi nesta madrugada, uma hora da manhã. Como é que eu vou compreender isso ? Eu tenho uma sensação triste de estar sendo punido por alguma coisa que fiz. Com o bichinho no colo, a Amanda quer enterrar Belinha imediatamente no jardim. Uma hora da madrugada, ainda ligo para alguns amigos. Preciso conversar com alguém. Preciso conversar com alguém. Preciso conversar com alguém. Perto das duas horas da madrugada de hoje, cavo no jardim uma pequena cova, molhado da chuva. Belinha está envolva a um lenço de seda. É sepultada com seu pequeno corpo inerte, seus pequenos olhos ainda abertos. Não sei de onde vem tanta dor. Isso foi hoje, duas horas da madrugada. Belinha também partiu algumas horas depois do Guga. Então fazer o quê ? Compreender o quê ? Dizer o quê ? Gritar o quê ? Não compreendo estes caminhos em que estou. Um deserto de coisas destruídas. Um desejo de sair, sem saber onde chegar, se é que existe algum lugar para chegar. Peço que meus 19 leitores me perdoem por tanta tristeza. Peço que meus 19 leitores me perdoem por mais esta notícia. Mas dizem que um blog é para isto mesmo. Pelo menos este que assino. A Jovem Pan, na palavra da Silvinha, me deu esta liberdade. Então me vejo aqui diante do computador escrevendo, como se estivesse conversando com alguém. E estou conversando com meus 19 leitores. Uma palavra que infelizmente se anula. Mais um pequeno ser que vivia comigo se vai assim como se estivesse correndo no jardim. Mais uma pequena estrela no céu, uma estrela bem pequenininha, escondida atrás da lua. Chama-se Belinha, a quem dedico meu aceno.

20 Respostas para “Os caminhos que não compreendo, em que me perco”

  1. Zuleika dos Reis Diz:

    MAIS UMA ESTRELINHA NO CÉU, MEU QUERIDO: BELINHA, NOME DOCE PARA UMA NOVA ESTRELA. ÁLVARO, PENSA NO MISTÉRIO DO AMOR, QUE SOBREVIVE A TUDO. PENSA NO MISTÉRIO DO AMOR. DEIXEI-TE, AGORA POUCO, UMA SUGESTÃO NO ESPAÇO PARA COMENTÁRIOS AO POEMA PARA O GUGA. UM DOS MEUS DESTINOS NESTA VIDA É COLHER EM MINHAS MÃOS AS PÉROLAS DE SUAS LÁGRIMAS:SE AO MENOS ISSO TE SERVISSE PARA ALGUM REFRIGÉRIO, MOMENTÂNEO QUE FOSSE… (SERÁ QUE A BELINHA NÃO FOI SE ENCONTRAR JÁ, AGORA, COM O SEU QUERIDO GUGA, NO CÉU?)
    Beijo
    Zuleika.

  2. Soraia Diz:

    Querido poeta, só quem ama os animais, as plantas, a natureza pode compreender
    essa dor.
    Você faz muito bem em escrever tudo isso.

  3. Maria Inês de Castro Diz:

    Poeta, não há o que compreender, não é preciso compreender,
    assim é a vida e assim ela nos revela.
    Não sei bem o que dizer em mais essa tristeza.
    Mas como disse a leitora Soraia, só quem ama a natureza e os animais
    sabe bem o que significa essa dor.

  4. Margarida Diz:

    É muita dor querido poeta, mas não há mesmo o que compreender.
    Os que amam os animais sabem bem o que é isso.
    São seres que nos acompanham na vida e completam seu ciclo na existência.
    Não há também pedir desculpas aos seus 19 leitores.
    Todos nós, tenho certeza, entenderão essa dor.

  5. Zuleika dos Reis Diz:

    Perdoa-me eu aqui de novo: talvez te seja muito pesado assistir a AMOR ALÉM DA VIDA neste momento. Estou com medo e certo arrependimento de haver dado tal sugestão,mas te peço, em nome de todos as coisas sagradas: FAÇA-SE FORTE, CRIE-SE A FORTALEZA NECESSÁRIA PARA SOBREVIVER A MAIS ESTAS PERDAS. PONHA-SE NA ALTURA DA SUA EVOLUÇÃO ESPIRITUAL. ( Todos a quem amo e eu também estamos sendo profundamente postos à prova, por razões diferentes; temos que nos superar em Força, agora.)
    Zuleika.,

  6. Roberto F. Diz:

    Prezado poeta Álvaro Alves de Faria:
    Chorei ao ler o texto de ontem porque passei por isso também há alguns dias.
    E o de hoje também.
    Como já escreveram aqui seus leitores, só quem ama os animais pode compreender
    essa linguagem.
    Cumprimento-o afetuosamente.

  7. Jussara Diz:

    Ah poeta…que pena que tenha de ser assim…

  8. sandra maria reis peres Diz:

    Querido Poeta e amigo Alvaro,

    Fiquei muito emocionada ontem com seu poema para o Guga ,e hoje a Belinha

    ficou com tanta saudades do Guga que foi ao encontro dele no ceu ,amigo força força e força

    a voce e seus familiares mas procuram lembrar das coisas boas assim acho que ficara mais suave seu sofrimento

    sei que não será facil ,mas pelo menos ameniza um pouco esta tristeza

    beijos
    Sandra

  9. Patrícia Cicarelli Diz:

    Querido Poeta, apesar das perdas inevitáveis, seu amiguinho Pintim estréia triunfalmente no portal Jovem Pan. Espero que ele possa me conceder uma entrevista para o livro. Parabéns!

  10. Zuleika dos Reis Diz:

    Parabéns pela estréia do Pintim; sorria, apesar das dores deste momento, para saudá-lo, que ele, Pintim, começa uma nova etapa da vida e precisa do seu estímulo.
    Beijo
    Zuleika.

  11. Marquês Diz:

    Meu amigo poeta, é aceitar tudo como é, sem sentir revolta alguma.
    Faça isso, você se sentirá melhor.

  12. Isabel Campos Diz:

    Ah! Poeta… Sinto muito.
    Que amizade linda
    entre dois animaizinhos tão diferentes…
    eles eram companheiros
    e ficaram separados por algumas horas apenas.

    Força, Paz e Luz.

  13. ISABEL CINTRA NEPOMUCENO Diz:

    Álvaro, Álvaro, Álvaro…

    O que mais falar dessa dor? ela rouba o ar, o discernimento, invade por inteiro, sem fim…
    Mas por certo o Guga, ao libertar-se do sofrimento, encontrou um campo tão grande e gostoso e mágico para correr e brincar que não teve dúvidas, veio imediatamente convidar sua amiguinha Belinha para com ele brincar.
    E ela aceitou.
    Durante o dia são duas crianças queridas a descobrir novas paragens, novos amigos, novas flores, novas fontes.
    Agora, livres de limitações, protegidos e abençoados por Francisco de Assis.
    À noite, exaustos mas felizes, repousam um aconchegado ao outro e assim sonham e quando sonham, brilham.
    Como estrelas.
    Eternamente.

  14. José Anito Diz:

    Prezado Poeta Álvaro Alves de Faria:Que DEUS esteja sempre presente.
    Meus Sentimentos.

  15. Lourival Diz:

    Caro poeta, escrevo para apenas cumprimentá-lo.
    Um abraço.

  16. ISABEL CINTRA NEPOMUCENO Diz:

    Querido Poeta

    O Pintim chegou, como sempre, na hora exata; para você extravasar sua solidão de poeta, seu amor de ser humano, sua fragilidade e fortaleza, suas buscas, sua espiritualidade.
    Ele é um grande bem para todos nós e, por isso, obrigada pela continuidade desta criação.

  17. Beatriz Diz:

    Poeta querido, escrevo apenas para lhe deixar um beijo dourado
    numa caixa de veludo azul.

  18. Juliana e Zhe Diz:

    Companheiro, se me permite. “QUE FASE”. Lamentamos muito.

  19. Paulo Boa Sorte Diz:

    LAMENTÁVEL, LAMENTÁVEL!!!

  20. J. Costa Jr. Diz:

    Poeta. Que bom! Você ocupa num “canhão” de comunicação de massa, um espaço imprescindível para a propagação e sobrevivência da nossa valiosa Literatura. Muito obrigado. E que Deus continue lhe dando força e luz para continuar ainda por muito tempo sua brilhante jornada.

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