Arquivos para novembro, 2009

Meu pedido de socorro

quinta-feira - 26/novembro/2009

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-Cadê o Papai Noel que eu coloquei na mesinha ?
-A Bebel comeu!

-Cadê as frutas que eu deixei junto ao pé de pitanga para a sabiá
que choca seus ovinhos se alimentar ?
-A Bebel comeu!

-Cadê a caneta que eu deixei aqui agorinha mesmo ?
-A Bebel pegou!

-Por que o telefone da biblioteca não está funcionando ?
-A Bebel comeu o fio!

-Onde está o sapato que eu deixei perto da poltrona ?
-A Bebel sumiu com ele!

-Cadê aquele livro pequeno que eu deixei na mesa do computador ?
-A Bebel pegou e escondeu em algum lugar!

-Tá faltando um galho aqui na árvore de natal…
-A Bebel arrancou!

-E esse buraco no meio do jardim?
-A Bebel quem fez!

-E aquele doce de leite que o companheiro Wellinton de trouxe
de Alfenas, que eu coloquei no pratinho ?
-A Bebel comeu tudo!

-Tinha um papel aqui em que eu anotei um telefone…
-A Bebel picou em pedacinhos!

-A porta da sala está toda riscada…
-Foi a Bebel!

-Minha cama está cheia de pelos…
-A Bebel estava dormindo lá!

-E a minha toalha?
-A Bebel sumiu com ela!

-A manga daquela camisa que eu gosto está rasgada.
-Foi a Bebel!

-Tinha três laranjas na bandeja…
-A Bebel comeu tudo!

-Minha bolsa está no chão…
-A Bebel quem derrubou!

-O tapete está todo desarrumado…
-Foi a Bebel!

Tem muito mais coisas que nem vale a pena lembrar.
Diante disso só me resta gritar o seguinte: SOCORRO!!!!!!!

Ministro da Cultura: procura-se

quarta-feira - 25/novembro/2009

poeta1O Senado quer ouvir o ministro da Cultura numa audiência pública, para discutir o projeto do chamado Vale Cultura. O projeto está no Congresso em caráter de urgência urgentíssima.

O Vale Cultura é igual ao Vale Refeição. São 50 reais que o trabalhador, segundo o Governo, vai gastar com livros, ingressos de shows, cinema e teatro. Está correto. Muitas pessoas não têm mesmo dinheiro para isso. Mas a oposição diz que a urgência urgentíssima  tem o objetivo de aprovar o projeto até o final do ano. Senão não vale. A oposição acha que a intenção do Governo é arrumar dinheiro para o povo assistir especialmente ao filme do presidente, “Lula, o filho do Brasil”, que será lançado no dia primeiro de janeiro de 2010. No fundo, no fundo mesmo, lá no fundo, o filme chega a ser uma espécie de comparação entre Lula e Jesus Cristo. Dá para passar na televisão durante a Semana Santa. Sabe, aqueles filmes históricos, com fundo bíblico? É mais ou menos isso. A oposição garante que o Governo vai gastar uns três bilhões de reais para o povo assistir ao filme de Lula. No caso, já seria campanha eleitoral. O Vale Cultura já seria para isso. A primeira providência. Eu não sei, mas vou tentar saber. O problema é o seguinte: o Senado quer ouvir o ministro da Cultura, mas ninguém sabe quem é o ministro da Cultura. O Senado não sabe como convidar o ministro para falar sobre o Bolsa Cultura, bolsa não, Vale Cultura. Tem uma porção de bolsa que a gente se confunde. Um senador me ligou num dia destes e me perguntou: Poeta, você sabe quem é o ministro da Cultura? Respondi que não, até porque eu não sei mesmo. Mas tem que ter um ministro da Cultura. País que se preze como país tem de ter um ministro da Cultura. Não sei se conseguiram descobrir quem é o ministro da Cultura do Brasil. Também não estou interessado em saber. Só digo o seguinte: se a Bolívia, que não tem mar, tem ministro da Marinha, porque é que o Brasil não pode ter ministro da Cultura ? Por que ?

Clique aqui e assista ao vídeo do Poeta na Jovem Pan Online

A mãe que lembra a vida quase ausente de si

terça-feira - 24/novembro/2009

a_chuva_e_a_portaA conversa com a mãe. O corpo frágil, na cama. Noventa e cinco anos. Signo Aquário, como seu filho. A conversa. A fragilidade que a vida impõe com o tempo. Minha mãe lembra coisas e chora. Fala de meu irmão. De meu pai. Minha mãe, as mãos magras, os sonhos distantes. As plantas de minha mãe, que ela não pode mais regar, nem mexer. O domingo se arrasta quente, mas chove um pouco. Ouço pássaros. Seu quarto pequeno, seu rádio, suas imagens de santos, seus remédios. E a voz cansada. Fala comigo como se eu tivesse 12 anos. Ela não sabe que tenho menos. Fala comigo palavras antigas que ainda guarda de Portugal. Fala da vida toda que caminhou, todas as dificuldades, as dores. Lembra que, com oito meses de vida, eu fui dado como morto, no colo de uma tia chamada Emília. Estavam num hospital por minha causa. Minha tia comigo no colo. Ela disse: “Lucília, o menino morreu”. Chorou. Veio o médico. Observou. Tia Emília tinha razão. Esse era o quadro numa noite qualquer já ausente na própria memória. Até que descobriu-se que o pequeno menino respirava. E o menino viveu. Esse menino sou eu, diante de minha mãe, que lembra, lembra, lembra, lembra, lembra de todas as coisas. Pego na sua mão trêmula. Sei que meu coração se corta por dentro. Os barcos de meu porto partem para sempre, ao meio das gaivotas. As fotos de minha mãe. Minha mãe tem frio. Cubro seus pés. Chora mas também sorri, ao lembrar de coisas que passaram, que deixaram marcas felizes. O domingo se arrasta quente, mas chove. As plantas estão molhadas, mãe. As suas plantas.
A infância está dentro de mim. A infância que está nas fotografias. As pessoas que já se foram. Minha mãe sente-se cansada. Eu saio devagar. Minha mãe está triste. O domingo se arrasta quente. Chove um pouco. Andro entre as árvores de uma estrada que não existe. Há folhas no chão. Meus sapatos me levam para lugar nenhum.

O poeta Carlos Drummond de Andrade quer ficar de frente para o mar

sábado - 21/novembro/2009

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Tenho, acredito, uma boa notícia para os meus 19 leitores. Acho que é boa. Na verdade eu já não sei avaliar coisa nenhuma. Mas acredito que esta notícia seja boa, especialmente para pessoas como meus 19 leitores. Faz algum tempo eu escrevi uma crônica sobre o poeta Carlos Drummond de Andrade e falei de sua estátua, no calçadão da praia de Copacabana. Falei muita coisa do poeta. Sempre tenho alguma coisas para falar. Sempre. Talvez seja esse o meu problema. E entre as coisas que escrevi sobre o poeta é que a estátua dele em Copacabana deveria estar de frente para o mar, não de costas. Não consigo imaginar ninguém de costas para o mar. Ninguém. Especialmente um poeta. Comentei isso na minha crônica. No banco em que Drummond está sentado, de costas para o oceano, está escrito uma frase-verso dele, que diz o seguinte: “No mar estava escrita uma cidade”. Por que colocaram o poeta de costas para o mar ? Quem consegue ficar de costas para o mar ? Pois o poeta meu amigo querido Celso de Alencar enviou a crônica para um poeta do Rio, Tanussi Cardoso, dono de belíssima poesia. O Tanussi levou a idéia a seus amigos poetas. E a observação da minha crônica chamou a atenção dos poetas cariocas. Já está havendo uma movimentação para mudar a estátua de Drummond e deixá-lo de frente para o mar. Tanussi adianta que é difícil lidar com os políticos que pouco se importam com sonhos de poetas e com a poesia que vai aos poucos desaparecendo de tudo. Mas quem sabe de repente Carlos Drummond de Andrade fique de frente para o mar, observando o oceano dia e noite, no seu silêncio de bronze, observando os banhistas, as crianças, o sal das águas, os navios que pode imaginar partirem para sempre. Claro que isso não modificará em nada a ordem das coisas. Mas eu tenho certeza de que o poeta ficaria mais feliz.

As semelhanças naturais

quarta-feira - 18/novembro/2009

chuva

Sou absolutamente igual ao Sistema Elétrico Nacional: em qualquer ventinho ou chuva eu apago…

(Moral da história: são todos infalíveis, mas na mentira de todos os dias, no engodo de todos os dias, no discurso de todos os dias: a culpa é sempre do outro, nunca ninguém assume nada, são todos donos da verdade, de todas as verdades, em todos os setores da vida brasileira, como nunca antes na história deste país).

A sabiá: um poema de luz num tempo de brutalidades

terça-feira - 17/novembro/2009

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A sabiá continua no seu belo ninho. Parece-me imóvel. No domingo fiquei preocupado com a chuva forte da madrugada e da manhã. Fui vê-la da janela de minha biblioteca. A chuva caindo e ela imóvel. Como protegê-la? Não sei se posso interferir nisso. Fico então observando comovido. A chuva passa. E ela imóvel. Depois de muito tempo ela está com as penas secas. Mas imóvel. Penso: quando será que ela sai para se alimentar ? Não consigo ver, porque está sempre no ninho, com seus ovinhos, gerando a vida. Ela me deixa chegar bem perto, não se mexe. O sabiá tornou-se a ave-símbolo do Brasil em 2002. Antes era a ave-símbolo de São Paulo, desde 1966. Ave-símbolo por sua popularidade, citada em muitos poemas, em canções, um pássaro que canta especialmente na Primavera, quando amanhece e quando a noite começa a chegar. Seu canto se assemelha ao som de uma flauta. Gosta de viver nos quintais das casas, já que a cidade foi destruindo as árvores. Convive bem com as pessoas, desde que encontre um abrigo para viver. E vive em torno de 30 anos. Não sei quantos anos tem minha sabiá, nem tenho o direito de saber. Nem tenho o direito de usar o termo “minha”. Está lá no seu ninho construído em dois dias, no meu pé de pitanga, diante da janela de minha biblioteca, de onde a vejo sempre, esperando seus filhotes, chocando os ovinhos para dar vida ao que está por nascer. Não sei quanto tempo dura. Sei apenas que é comovente. É uma espécie de lição, que não sei explicar bem. Uma lição de vida. Da natureza. Das folhas que a protegem. Não posso interferir em nada. No máximo, só posso observar. Observar e receber essa lição de todos os dias, quase uma prece, acho que um poema,  um poema verdadeiro, feito de luz num tempo de brutalidades.

O goleiro da Seleção da Alemanha

segunda-feira - 16/novembro/2009

depressao-710186Há notícias que me assustam. E muito. Na semana passada, vi a informação de que o goleiro da seleção alemã de futebol tinha falecido. Pensei em acidente, qualquer coisa assim. Até porque a pequena notícia não trazia  esclarecimentos. Mas neste final de semana tive conhecimento de alguns detalhes da morte de Robert Enke, de 30 anos, que defenderia a Alemanha na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Ele vinha sofrendo de profunda depressão, desde 2003. A doença agravou-se em 2006, depois da morte de sua pequena filha, de apenas dois anos, por problemas cardíacos. Robert Enke não conseguiu segurar a angústia. E os problemas foram se agravando, embora continuasse a jogar no Hannover-96. E se agravaram de maneira terrível. Ele se atirou diante de um trem que trafegava a 160 quilômetros por hora. Acabou. E muita gente, muita gente mesmo, acha que depressão é uma “frescura” – desculpe-me a expressão, mas eu a uso para deixar claro como muitos veem essa doença que atinge tanta gente que se isola do mundo, que chora sozinha, que se desespera. Um atleta de 30 anos, um dos melhores do mundo, com todas as luzes em sua direção, mas dentro dele, lá no fundo, aquela escuridão insuportável, que não se consegue vencer. Uma sombra que vai cortando a alma. Que vai cortando a vida. Uma sombra que faz tudo desaparecer. Muitas vezes para sempre.

Pintim, minha experiência apaixonada

quinta-feira - 12/novembro/2009

17Estou apaixonado pelo Pintim. Aquele desenho pequenininho que eu faço há muitos anos, que nos anos 70 eu publicava no suplemento cultural Jornal de Domingo, dos Diários Associados, que eu editava. O jornal acabou e o Pintim desapareceu. Mas agora ele está de volta. Eu peço desculpas aos meus 19 leitores por falar assim do Pintim, com tanto amor. Sinto muito amor por esse passarinho triste. Colocar o Pintim no site da Jovem Pan todos os dias representa, para mim, muito mais que uma honra. A idéia foi da Sílvia Carvalho, que é minha amiga há muitos anos, que hoje dirige a Jovem Pan Online, onde também faço aquele quadro diário, que a Silvinha também inventou para mim, com a direção de Nilton Travesso. O Pintim é uma ternura que não existe mais. Estou apaixonado, muito apaixonado, porque o Pintim também é uma forma de fazer poesia, de dizer que a poesia ainda é possível, que a solidariedade ainda é possível, que a generosidade ainda é possível. Tudo é possível. Na historinha de ontem e na de hoje, consegui passar o meu sentimento poético em duas histórias de quatro quadrinhos cada uma sem nenhuma palavra. Isso que me apaixona. Me apaixona, o que é que eu vou fazer ? Sei que alguém poderá me criticar por eu falar assim sobre algo criado por mim. Mas não faz mal. Na importa, embora tudo seja importante. Faço e desenho as historinhas do Pintim com um zelo que me deixa maravilhado. Eu me sinto feliz, ao desenhar o Pintim, o que faço, geralmente, nos finais de semana. Eu gostaria muito que os meus 19 leitores acompanhassem as historinhas do Pintim, até porque no ano que vem vou publicar um livro com centenas de tiras dele. Basta entrar no site da Jovem Pan e clicar no quadrinho do Pintim, quase ao pé da página. Clique e a historinha aparece. O Pintim revela a minha palavra mais íntima. O que ainda resta de mim.

Um sinal de luz na escuridão e na dor

terça-feira - 10/novembro/2009

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Um dia após a morte de meu cachorro Guga e de minha porquinho
da Índia Belinha - os dois morreram no mesmo dia - minha cachorra
Bebel se pôs debaixo do pé de pitanga que fica exatamente diante
da janela de minha biblioteca. Bebel olhava para a árvore, olhava, olhava.
Fui ver. Era uma sabiá que começava a fazer um ninho no meu pé de
pitanga. Fiquei observando: a sabiá voava e voltava a seguir com um
pequeno ramo no bico. E o ninho foi sendo construído. No outro dia,
lá estava ele, pronto. Um belo ninho construído com um zelo que
comove. É quase inacreditável que um pássaro seja capaz de fazer
aquilo, com tanto cuidado, com tanto esforço. Agora ela está lá dentro
chocando os ovinhos. Sei que terei de ajudá-la a alimentar os filhotes,
como já fiz outras vezes. Contei isso para uma amiga
e ela me chamou a atenção para uma coisa, que aceitei imediatamente:
meu cachorro Guga e minha “ratinha” morreram no mesmo dia. E no
outro dia, minha cachorra Bebel me mostrou que uma sabiá construía
um ninho no meu pé de pitanga, preparando um lugar para as pequenas
vidas que nascerão. Um sinal de que a vida é assim. Um sinal de luz na
escuridão da dor. Um sinal que me emocionou e emociona
agora ao ver sabiá dia e noite no seu ninho, no sol e na chuva, à
espera de seus filhotes que nascerão no meu quintal e lá voltarão
depois para se alimentar todos os dias. Eu agradeço.

Fazia tempo que eu não lia uma entrevista tão arrogante

segunda-feira - 9/novembro/2009

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É, fazia muito tempo. Eu me refiro à entrevista de um certo Bruno Senna na revista Veja. O título é “Ayrton não é meu ídolo”. Tudo bem, que não seja. O certo Bruno Senna vai pilotar um carro de Fórmula 1 no ano que vem, pela equipe espanhola Campos Meta. Li a entrevista até mesmo, confesso, pela admiração que sempre tive por Ayrton Senna, o tio do certo Bruno Senna. A entrevista é uma aula de como ser um arrogante perfeito. O certo Bruno Senna, pelo que senti, está acima de tudo.  Na foto de Veja ele está sorridente, tendo atrás uma foto o campeão Ayrton Senna, que morreu num acidente em 1994. Foi um dos poucos momentos em que este país parou. Mas voltemos à aula de arrogância. O certo Bruno Senna se refere a algumas pessoas com absoluto desdém. Ayrton Senna não é um ídolo, apenas uma referência. Sendo assim, não deveria usar o sobrenome de Ayrton Senna. Prá que ? O certo Bruno Senna fala das dificuldades de conseguir entrar para o circo da Fórmula 1, no qual, quase sempre, é o piloto que tem de arcar com muito dinheiro. Mas ele não vai pagar nada para a nova equipe espanhola. Lembra o episódio da equipe Brawn, em que seu nome foi preterido e o escolhido foi Rubinho Barrichello para pilotar o carro em 2009. Ele diz assim: “Quase fiquei com uma vaga na equipe, mas, como eles tiveram poucos dias pra treinar antes de o campeonato começar, acharam temeroso colocar um estreante. Fecharam com o Rubinho Barrichello, que é muito mais experimente. Mas eu quase fiquei no lugar dele”. Nesse ponto da entrevista os repórteres Fábio Portela e Sandra Brasil perguntam o seguinte: “Você ficaria chateado se tivesse tirado a vaga de outro brasileiro?”. Ele responde assim: “Nessa hora não tem amigo. Você está fazendo a sua carreira, disputando com outro piloto. Se é o Rubinho ou outra pessoa não importa”. É monossilábico em algumas respostas: Pergunta: “Você é amigo de algum piloto brasileiro na Fórmula 1?”. Resposta: “Não”. É uma aula de arrogância do começo ao fim. Gosto de corridas de Fórmula 1. Gosto muito. Tenho um defeito que já marcou muitos períodos na minha vida. Sou sincero demais em tudo que faço. Em sendo assim, quero usar de toda minha sinceridade. Vou ficar torcendo. Torcendo para o carro da arrogância quebrar sempre na primeira volta de todos os Grandes Prêmios do ano que vem.