Para além da vida
Ouço cantar os fados de uma fadista que eu não conhecia. Ganhei o CD de presente de um amigo de Coimbra. Chegou pelo correio. Ouço. O fado me envolve. Dependendo o dia, assalta-me e me invade como o mar. Como ando um pouco triste, estes fados entram em meu silêncio como o corte de uma vada. A fadista chama-se Aldina Duarte. O título do CD: “Apenas o amor”. Ouço muitas vezes um fado que diz assim: “Qualquer coisa de beleza/ tem de haver para além da vida”. Ouço, ouço, ouço. Sinto as palavras profundamente. O poema é da própria fadista, a música é popular. O título do fado é “M.F.”.
Não discuto valores literários. Não. Estou cansado disso. Falo para mim mesmo da importância deste fado neste momento, neste instante, agora já madrugada que atravessa as coisas, tanto silêncio em minha volta, tantas figuras que não existem mais e que permanecem em mim, os acenos que se perderam, a lágrima que se deixou morrer, o riso que deixou de existir e o poema que não existe mais. Importa o agora. Qualquer coisa de beleza tem de haver para além da vida.
Na memória uma voz triste
Não para de me dizer
Tudo aquilo que hoje existe
Um dia há de morrer.
Eternamente a tristeza
Prevalece desmedida
Qualquer coisa de beleza
Tem de haver para além da vida.
Devagar o esquecimento
Persuade o coração
Na corrida contra o tempo
Volta sempre a solidão.












4/novembro/2009 at 3:20 pm
Caro poeta, como você já bem disse: não acontece por acaso.
ABraço
4/novembro/2009 at 3:21 pm
Mensagem lindíssima poeta, belíssima.
Imagino você, sua imagem descrita, ouvindo seus fados…
Adorei…
Mil beijos para você.
4/novembro/2009 at 3:24 pm
Prezado poeta Álvaro Alves de Faria: adoro tudo que escreve e essa mensagem de hoje
também me pega pelo coração, o fado que você ouviu da fadista que não conhecia.
Parabéns pelo seu blog, que caminho todos os dias com pés descalços.
4/novembro/2009 at 3:51 pm
“Qualquer coisa de beleza tem que haver para além da vida.” Talvez, talvez… algo desta “qualquer coisa que tem que haver para além da vida” tenha a explicação para pelo menos algumas das coisas tantas, quase todas, de beleza, que se perderam nesta vida. Talvez, quem sabe, que de alguma esperança se tem que viver, se tem que viver, ainda que seja apenas da esperança desta “qualquer coisa de beleza que tem que haver para além da vida”.
4/novembro/2009 at 4:04 pm
Cara leitora Zuleika: não compreendi nada do que você quis dizer.
Afinal você gostou ou não gostou.
Sei que você está sempre presente no blog do poeta, com comentários bonitos mesmo,
principalmente poéticos.
Mas hoje não compreendi. Pareceu-me uma reprovação.
Se eu estiver errada me perdôe.
Abraço para você.
4/novembro/2009 at 4:17 pm
Querido Poeta Alvaro,
Belissimo este poema de hoje,
nos leva a refletirmos sobre a vida
e do outro lado da vida com esperança
beijos
Sandra
4/novembro/2009 at 4:23 pm
Não, querida Regina. Como poderia não gostar? Muito pelo contrário. Se não ficou claro o que eu quis dizer, vou tentar tornar o que disse, na medida do possível, um pouco mais claro. Eu pretendi dizer que, talvez, nesse além da vida, na beleza que reste neste além da vida, se possa compreender o que se perdeu de beleza NESTA VIDA. Desculpe se não me torno, ainda aqui, clara o suficiente. Também eu amo os fados, que eles sempre falam de destinos e este fado, sua letra é linda. A letra, linda, de um fado que eu não conheço, que quem sabe ainda possa vir a conhecer.
Beijo
Zuleika.
4/novembro/2009 at 6:33 pm
Querido Poeta
Ainda que o tempo voe
ainda que volte sempre a solidão
figuras que não existem mais
permanecem em ti
porque sorveste a essência daqueles momentos
porque amou intensamente.
Importa o agora
importa o amor!
Aqui há tanta beleza
além da vida também
com certeza.
Abraço da Bel
4/novembro/2009 at 9:46 pm
Desculpe-me Zuleika, pelo mal entendido.
Puxa vida, é a primeira vez que participo do blog do poeta e já crio um caso.
Desculpe-me.
4/novembro/2009 at 10:10 pm
Querida Regina, você tem todo o direito de buscar o entendimento de algo que não ficou claro. Não sei se esclareci o suficiente mas, tenha certeza: você não criou nenhum caso, espero que minha resposta não lhe tenha dado esta impressão; criar um caso é coisa muito diferente e eu nos vejo e nos considero, a ambas, pessoas abertas a diálogo feito de respeito mútuo e de mútua consideração. Espero também ter esclarecido, a você e a quem mais não tenha compreendido, o possível a esclarecer do que escrevi naquele meu primeiro comentário. Não me peça desculpas, por favor; não há nada a desculpar.
Beijo
Zuleika.
4/novembro/2009 at 11:05 pm
Poeta, penso em você ouvindo fado, o fado de Portugal com sua tristeza,
quase todos os fados são muito tristes.
Mas esse verso que você destaca é mesmo muito bonito.
Por isso lhe chamou atenção, especialmente neste momento.
Gostei demais do que você escreveu, como sempre.
4/novembro/2009 at 11:08 pm
Parabéns, poeta, mais uma vez parabéns.
Você tem o dom de mexer com as pessoas.
De abrir o coração das pessoas.
5/novembro/2009 at 12:47 am
POETA,temos que acreditar que existe alguma coisa além da vida.
seguramente algo belo. estamos aqui de passagem e ficaria difícil
viver sem a esperança de que algo de bom nos reserva após a morte.
creio que a alma é imortal. DEUS,através das coisas lindas da natureza,
nos mostra o jardim que iremos encontrar após a alma se separar
do corpo. temos que acreditar.
amigo,como bom português que sou,também adoro fados.
Amalia Rodrigues, Carlos do Carmo e outras feras como a citada por
voce,nos fazem chorar. o fado é triste,sim,mas quanta beleza e quanta
verdade em suas letras!
só voce, com essa sua sensibilidade,para nos presentear com algo
tão belo e profundo.
grande abraço.
5/novembro/2009 at 1:23 am
BÔA NOITE, POETA
BÔA NOITE, AMIGOS.
Linda sua página de hoje, triste, sofrida mas….. muito linda.
Viemos a esse mundo com alguma missão a cumprir, acredito muito na vida após a morte, uma nova vida.
Lá encontraremos nossos entes queridos, nossos acenos, não teremos lágrimas a derramar, não levaremos
nenhuma lembrança do que vivemos aqui, tudo será apagado. Teremos um recomeço, teremos o que tanto
almejamos, é preciso acreditar nisso para podermos enfrentar os novos e grandes desafios que teremos
amanhã e depois e depois….
MUITO LINDA SUA PÁGINA DE HOJE
UM ABRAÇO POETA.
UM ABRAÇO AMIGOS
ROSA CARDOSO
5/novembro/2009 at 1:31 am
“LIRIO QUEBRADO”
Entreguei ao vento a morte
Para ver se me esquecia
Nem mais sou nem movimento
Acalmaram o meu tempo
No deserto em que vivia
Corri praças roubei flôres
Em jardins cheios de gente
Cruzei as rosas com lírios
Numa teia de martírios
Quase leve e transparente
Letra de ALDINA DUARTE
MÚSICA DE ALFREDO MARCENEIRO
UM ABRAÇO POETA
UM ABRAÇO AMIGOS.
5/novembro/2009 at 1:55 am
Grande abraço a ti, querida Rosa, e a todos os amigos.
Zuka, ou aquela que em algum tempo e lugar, muito para além da presente vida, virá ainda a reconhecer o próprio rosto em algum pleno espelho. Que o Pai nos seja para sempre louvado, amém.
5/novembro/2009 at 2:18 am
Este poeta Álvaro é genial ! Muito além do nosso tempo!
5/novembro/2009 at 2:29 am
BÔA NOITE, ZUKA.
Sai dessa amargura ZUKA, admire as flôres, se encante com os lindos pássaros veja a beleza do
CÉU E DO MAR, olhe para o espelho e veja quanta beleza tem em você.
UM BEIJO ZUKA.
ISABEL NEPOMUCENO CADÊ VOCÊ?
ROSA CARDOSO.
5/novembro/2009 at 2:40 am
POETA,
Seu video de hoje um show, CARLA MACEDO simplesmente fantástica.
Nota 1000 CARLA MACEDO. UM SHOW.
UM ABRAÇO A VOCÊS.
ROSA CARDOSO.
5/novembro/2009 at 2:46 am
“Apenas o amor
5/novembro/2009 at 2:48 am
Obrigada sempre, querida Rosa, por suas palavras de afeto e ternura. Deixa-me dedicar-te três poeminhas que escrevi há mais de vinte anos e que estão no meu livro Espelhos em Fuga, de 1989. De repente, bateu uma saudade sem remédio daquela Zuleika, que reconhecia alguma beleza em si mesma, sim.
ABELHA
Entre favos de mel se move
a flor dos bichos pequenos.
O POETA SÁBIO
O poeta sábio
repartindo
com o outro
o arroz integral
do silêncio.
E um último:
SOLAR
Acolher o dia
pacientemente
(a alegria é um produto artesanal).
Brotar em sobressaltos de verde
(o Sol que me aquece
não é um sol mineral).
Desculpem, amigos, só quis me lembrar, por um instante, de mim.
Zuka.
5/novembro/2009 at 3:51 am
Não peça dsculpas de nada ZUKa, você é de carne e osso tem seus sentimentos sempre a flôr da pele
Lindos poemas, essa é a ZUKA que brilha e continuará brilhando
OBRIGADA ZUKA.
UM BEIJO
( aqui em casa todos dormem vou um pouco de música no fone de ouvido)
ATÉ AMANHÃ.
ROSA CARDOSO
5/novembro/2009 at 4:23 am
Até amanhã, querida Rosa. Durma bem.
Todo carinho
Zuka.