O DIA DO CIRCO - 2

Nesta madrugada me ligou um cara com tanta raiva que ouvi xingos como nunca.

Disse várias que eu era o maior palhaço do Brasil.

Agradeci.

Xingou-me a de tudo quanto é nome e pediu que eu fosse embora do país, que é sua Pátria amada e idolatrada.

Concordei.

E gritou enlouquecido que um brasileiro não pode comparar seu país a um circo.

Chamou-me de palhaço muitas vezes aos gritos, fora outros xingos mais sofisticados e aqueles

que a gente ouve nas brigas de bar, entre bêbados.

Bateu-me o telefone na cara e disse que ainda vai me pegar.

Fiquei pensando depois.

Pensei, pensei, pensei, pensei, pensei, pensei, pensei, pensei, pensei, pensei, pensei.

Aí surgiu-me uma pergunta que não consigo responder:

Se o Brasil não é um circo, por que é que tem espetáculo todos os dias?