FÓRMULA 1

18/outubro/2009 por Poeta Álvaro Alves de Faria

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Aproveitando uma frase acho que do ano passado, mas que quero dizer de novo
para que tudo fique mais claro em relação ao meu destino:

EU TAMBÉM TENHO VONTADE DE SAIR CORRENDO…


SOBERBA

16/outubro/2009 por Poeta Álvaro Alves de Faria

soberbaEu achava que já tinha visto tudo na minha vida. Achava. Mas diante das cenas da política deste pobre país, às vezes acredito que não estou acordado. Devo estar sonhando. A realidade que se mostra vai além do que qualquer mente romântica poderia imaginar. Principalmente quando essa mente romântica conheceu de perto, bem de perto, muitos dos personagens que uivam por aí como lobos doentes e famintos. Todas as barreiras da ética e da vergonha foram destruídas. Todas. Toda a pregação de tantos anos foi esquecida. A soberba impera como uma doença maligna. Eu achava que já tinha visto tudo. Mas não vi não. Acho agora que falta muito ainda por ver. As pessoas se transformam completamente de maneira que chega a ser inacreditável. Em nome do poder vale tudo, mas vale tudo mesmo. A ordem é passar por cima de tudo, burlando leis de todas as maneiras, num jogo perverso que não respeita nada. O passado não existe. Esqueçam. Os personagens grotescos caminham triunfalmente. Eu pensava que já tinha visto tudo. Estava enganado.

O DIA PROFESSOR

15/outubro/2009 por Poeta Álvaro Alves de Faria

violenciaHoje é o Dia do Professor, entre tantos outros dias dedicados a tantas categorias profissionais, a personalidades, a santos, a coisas. Mas na questão do Professor o dia tem de ser especial. Guardo belas lembranças de professores e professoras que habitaram minha vida desde a infância. Uma figura ainda singela que guardo em mim, as primeiras palavras de ensinamento e também, desde criança, aqueles pequenos poemas que eu nem sabia o que eram. Depois o ensino médio, já nos anos que antecederam a efervescência política. As professoras de Português, dona Ana, dona Rosário, dona Irma. “Dona” digo agora, porque éramos todos jovens, se é que cabe a expressão. Da professora Irma guardo muitos risos de minhas provas de História em que, não sabendo ao certo responder, inventava coisas alucinadas nas respostas e ela me dava a nota necessária e depois lia minhas provas para outras classes. Era uma aula de muitos risos. Eu distorcia os fatos históricos e invertia os papéis dos personagens. De alguma maneira isso me tornou conhecido na escola que era dirigida pela irmã de um ex-vice-governador de São Paulo. Uma escola em que um dia liderei uma greve contra o aumento das mensalidades. Era uma loucura total. Já as professoras de Português Ana e Rosário apenas liam minhas provas com aquela linguagem que elas diziam ser “demais” para um adolescente. Lembro-me bem dessas pessoas que me marcaram a vida. Mas hoje a figura do professor é a de um homem e de uma mulher acuados pela delinqüência de alunos violentos, especialmente na periferia, onde as tais autoridades não põem os pés e fazem de conta que não existe. A periferia só existe nos discursos. Aqui em São Paulo, por exemplo, dentro de escolas sujas, pichadas, caindo aos pedaços, os professores são agredidos fisicamente. É impossível dar uma aula decente. E se o professor reclamar pode morrer. Droga, muita droga. Armas. Violência em tudo. Os alunos que estão interessados nas aulas são também vítimas dessa violência. E não acontece absolutamente nada. Ninguém mais é reprovado então a gente vê adolescentes de 14,15 anos, que não sabem formar uma frase. Com toda sinceridade, tenho pena dos professores de hoje que vão à periferia dar aulas. Pena e respeito. Muito respeito. Um ensino péssimo feito em condições péssimas, um beco sem saída. Talvez isso interesse. Interessa manter escolas municipais ou estaduais caindo aos pedaços. Talvez interesse a alguém.

SÉCULO XVIII

14/outubro/2009 por Poeta Álvaro Alves de Faria

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Eu sou um cara do século XVIII. Não dá mais para voltar atrás.

ENGANO

13/outubro/2009 por Poeta Álvaro Alves de Faria

tunel

Estou chegando como quem está indo embora.

DIA DA CRIANÇA

10/outubro/2009 por Poeta Álvaro Alves de Faria

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Infelizmente, hoje os Chapeuzinhos já não são tão Vermelhos e os Lobos Maus tomaram conta de tudo.

LENNON

9/outubro/2009 por Poeta Álvaro Alves de Faria

para começar eu não acredito em acaso, em coincidências, essas coisas, porque de repente a gente percebe que por trás desses “acasos” e dessas “coincidências” existe uma coisa maior que não sei explicar, nem é preciso.

ontem eu e meu amigo sérgio, aqui da jovem pan, começamos a falar sobre John lennon. falei da profunda admiração que tenho por lennon. tenho quase tudo dele, particularmente dele. dos beatles também. mas ontem a nossa conversa era sobre o john lennon, tudo sobre ele, as coisas que lembrávamos, músicas, atitudes. disse então ao meu amigo que há uma música cantada por lennon que me toca muito, é contagiante.

meu amigo sérgio procurou no you tube e eu vi lennon cantando essa canção que me comove tanto, stand by me, contagiante, mágica. não é dele,

é de bem e.king, que lennon gravou como ninguém.

conversamos muito sobre lennon e essa conversa surgiu do nada.

vi algumas vezes o vídeo de lennon e stand by me.

depois começamos a escrever nossas notícias ridículas de todos os dias, as mesmas coisas, aquelas coisas que a mim já cansaram, que não suporto mais ouvir, escrever, passar para frente.

mas nesta madrugada o “acaso” e as “coicindências” me assustaram.

madrugada já do dia 9, hoje. descobri que hoje seria aniversário de lennon.

nasceu em liverpool no dia 9 de outubro de 1940.

morreu assassinado em nova york no dia 10 de dezembro de 1980.

nisso não preciso nem quero falar.

como não acredito nem em coincidências nem em acaso, passo aos meus 19 leitores do vídeo de lennon cantando stand by me.

um momento de absoluto encantamento.

ARREPENDIMENTO

8/outubro/2009 por Poeta Álvaro Alves de Faria

poeta

Numa dessas noites alucinadas, em que saí em desvario, andei pelos becos da cidade, lugares onde ninguém entra. Caminhei tropeçando nas pedras e me agarrando nas coisas possíveis. Mas não existem mais coisas possíveis. E no auge dessa angústia extraordinária nada poética, encontrei uma figura quieta escondida do mundo. Apresentei-me falando baixo, até porque minha voz começa a desaparecer. Ele me disse, então, que era Pedro Álvares Cabral, o navegador português. Conversamos um pouco e ao nos despedirmos, pediu-me desculpas pelo que fez em 1500, dizendo que não sabia que ia terminar assim.

PERGUNTA

7/outubro/2009 por Poeta Álvaro Alves de Faria

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Foi mesmo uma grande festa a escolha da cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos em 2016. O presidente até chorou. E garantiu que o Brasil fará uma Olimpíada como o mundo nunca viu. Já a ministra Dilma dizia dentro de uma camisa da Seleção Brasileira de Futebol que o Brasil será uma potência internacional. O presidente garantiu que todos os gastos serão rigorosamente fiscalizados. A ministra disse o mesmo. Não foi assim nos Jogos Panamericanos. Até hoje não se sabe para onde foi tanto dinheiro. Em Compenhague, onde a cidade do Rio foi anunciada, o ministro dos Esportes, que tem nome de cantor, Orlando Silva, chegou a cantar para uma platéia extasiada. Na Praia de Copacabana houve festa que atravessou a madrugada, com muita música e declarações de amor à cidade. Já ao presidente afirmou que naquela noite se beliscou várias vezes para saber se era mesmo verdade. Festa, festa, festa, muita festa, todo mundo feliz. Os Jogos Olímpicos serão realizados na cidade do Rio de Janeiro, com um carnaval ininterrupto. E tem ainda a Copa do Mundo de 2014. Quer dizer: muita gente terá um bom tempo para enriquecer com muita facilidade. Mas o que vale mesmo é a festa, a festa dia e noite, noite e dia, sem parar. O Brasil no primeiro mundo. Mesmo diante de um quadro tão feliz, eu gostaria de fazer uma pergunta. É a seguinte: Já está tudo combinado com os traficantes ?

MERCEDES SOSA

5/outubro/2009 por Poeta Álvaro Alves de Faria

mercedessosa

Quando Mercedes morreu

era dia 4 de outubro de 2009

primavera do Brasil

dia de São Francisco de Assis

quando Mercedes morreu

morreu com ela a América Latina

do sonho e da traição

do desespero e da luta

do sangue e da terra

quando Mercedes morreu

num dia 4 de outubro

morreu com ela a canção do povo

o grito das ruas

um pedaço do coração

quando a juventude era o espelho da angústia

morreu com ela

quando Mercedes morreu

La Negra com seu próprio grito

a lenda que era de si mesma

essa mulher

essa voz latino-americana

do exílio e de todas as mortes

morreu um pedaço de tudo

morreu outra vez Violeta Parra

que matou-se em fevereiro de 1967

Gracias a la vida

Volver a los 17

morreu um pedaço do sonho

morreu a poesia amarga

contra todas as injustiças

morreu a palavra muda dos oprimidos

morreu um aceno que se perdeu

num tempo de amargura

quando Mercedes morreu

morreu com ela um poema que não se fez

morreu com ela o gesto solidário do mais fraco

morreu com ela a dor da tortura

morreu com ela a própria morte do sonho

num dia 4 de outubro

primavera no Brasil

dia de São Francisco de Assis.

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