Serra e o PSDB: nem Freud explica
sexta-feira - 29/agosto/2008
A situação do governador de São Paulo, José Serra,  dentro do PSDB tem sido curiosa nos últimos anos. Sempre colocado como uma das principais lideranças do partido, não consegue transformar isso em vitórias internas. Em 2006, foi derrotado por Geraldo Alckmin dentro da legenda, perdeu a candidatura à presidência da República e teve que se contentar em concorrer ao governo paulista. Venceu, com larga vantagem, enquanto via Alckimin tomar uma lavada de Lula. Saiu fortalecido, com o comando do estado e a manutenção de muitos aliados na prefeitura da capital, entre eles o próprio prefeito Gilberto Kassab. Com o quadro totalmente favorável resolveu apoiar a candidatura à reeleição de Kassab, para definitivamente fechar uma aliança com o DEM para 2010. Tudo perfeito, mas aà nova derrota interna para Geraldo Alckmin, que bateu o pé e saiu candidato à prefeitura de São Paulo, deixou Serra novamente em situação não tão confortável dentro do PSDB. Agora, ninguém parece acreditar que José Serra não será o candidato do PSDB à presidência em 2010. Lidera as pesquisas, é o nome mais conhecido do partido, é o único com lastro suficiente para enfrentar o candidato de Lula, mas novamente começa perder espaço dentro da legenda. O governador Aécio Neves, mineiramente, vai comendo pela beiradas, arrumando apoios aqui e acolá, e pode se tornar um pedregulho no sapato de José Serra. Talvez algum cientista polÃtico, ou quem sabe um psicólogo experiente possa explicar a relação do PSDB com José Serra. Eu confesso que não consigo entender.    Â


Amigos do blog, daqui até o dia 5 de outubro, quando acontecerá o primeiro turno das eleições municipais, os candidatos vão definir suas estratégias baseados em duas variantes: o horário eleitoral e as pesquisas. Todos sabem que faltando pouco mais de um mês para o pleito, pouco vai adiantar o corpo a corpo nas ruas da periferia ou o encontro com organizações sociais. O que vale agora é um programa bem feito no horário eleitoral, vender o peixe, mostrar as obras que muito provavelmente não vão sair do papel, a vontade de trabalhar, o currÃculo que nem a famÃlia do candidato conhecia, para depois sentar e esperar que o resultado venha nas pesquisas eleitorais. Quando os números saem é que os candidatos sabem se conseguiram vender seus peixes, se conseguiram convencer os eleitores, se vão ter chance de vitória. Os números do Ibope e do Datafolha são aguardados pelos candidatos, assim como uma mulher espera o resultado de um teste de gravidez: com as mãos suando e o coração acelerado. Quando o resultado aparece é uma alegria sem fim ou o desespero de ver a campanha estar chegando ao fim. A vida dos candidatos não é fácil, mas acho que para quem vence vale a pena, afinal eles gastam forturas tentando se eleger.        Â
Passados alguns dias do inÃcio do horário eleitoral gratuito no rádio e na tv já é possÃvel perceber a sua importância para os candidatos. As pesquisas mostraram que a ferramenta quando usada de forma razoavelmente competente pode alterar os caminhos dos eleitores rumo as urnas. Bastou o horário começar para quem tem mais tempo iniciar o crescimento nas pesquisas. Está sendo assim em São Paulo, com Gilberto Kassab, no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes, em Belo Horizonte, com Márcio Lacerda, em Recife, com João da Costa e em Fortaleza, com Luizianne Lins. Vamos ver daqui prá frente no que vai dar.
O Datafolha também fez um levantamento de opinião levando em conta as possibilidades de emparelhamento no segundo turno. Na disputa entre Marta Suplicy e Geraldo Alckmin a vantagem, segundo o Instituto, é da petista: 49% a 44%. No caso de Marta e Kassab a vantagem da petistas é ainda maior: 55% a 35%. Na terceira projeção do Datafolha, entre Alckmin e Kassab, a vitória seria do tucano por 57% a 28%.    Â
