O poço não tem fundo no Congresso Nacional
terça-feira - 31/março/2009Amigos do blog, é impressionante a facilidade que o Congresso Nacional tem para se renovar quando os assuntos são escândalos e uso indevido de recursos públicos. São gastos de até 33 mil reais por mês com passagens aéreas, muitas delas distribuídas para familiares e amigos, é salário de empregada doméstica pago com verba de gabinete, é deputado dono de Castelo, são 181 diretores ganhando salários inimagináveis para os cidadãos comuns. Mas calma, sei que esses fatos podem parecer o fundo do poço, mas tenham certeza que não é, talvez hoje ou no máximo amanhã, já apareçam novas denúncias e assim os parlamentares vão, dia a após dia, jogando a instituição que deveria ser o símbolo da democracia na lama, mas não numa lama qualquer, mas naquela que os porcos chafurdam no chiqueiro.



O assunto está na pauta. O fim da reeleição teve um parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. O caminho ainda será longo, mas há empenho do lado de petistas e também de muitos tucanos. A conta dos petistas é simples: no caso do fim da reeleição, Lula poderia se candidatar a um novo mandato, afinal a conta estaria zerada, e o atual presidente poderia ficar mais 5 ou 6 anos no poder a partir de 2011. No caso dos tucanos, a defesa do fim da reeleição vem do grupo ligado ao governador mineiro Aécio Neves. A conta de Aécio também é lógica. Em 2010, José Serra seria o candidato natural do PSDB, mas teria que enfrentar Lula, com grandes chances de derrota. A partir daí, com duas derrotas nas costas, Serra deixaria de ser o nome natural dos tucanos para a sucessão de Lula lá na frente. Na verdade, tudo não passa de “futurologismo”, já que muito dificilmente as coisas na política ocorrem como o planejado. Eu pessoalmente acho que tudo não passa de balão de ensaio. O fim da reeleição não vai passar, e em 2010 teremos José Serra contra alguém do PT, mais provavelmente Dilma Roussef, e aí seja o que o eleitor quiser…

Parte do PMDB continua flertando com o governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves. Dessa vez, o interlocutor é o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que inste em tentar convecer Aécio a migrar para o PMDB, utilizando o argumento que no PSDB a vaga à sucessão de Lula ficará mesmo com o governador paulista, José Serra. Até agora, Aécio tem agradecido o convite sempre com a mesa resposta: está bem no PSDB. Na verdade, pouca gente confia no PMDB quando o assunto é eleição presidencial. Boa parte do partido está mais preocupada em grudar nos candidatos com mais perspectivas de vitória, ou em outras palavras, o candidato de Lula, seja ele quem for, ou e próprio tucano José Serra. Aécio sabe disso e correria o risco de enfrentar situação semelhante a vivida por Itamar Franco, em 2002, ou mesmo Garotinho, em 2006. Diante desse quadro, Aécio vai mesmo tentar minar a candidatura de Serra dentro do PSDB, sabendo que isso é difícil, mas está longe de ser impossível, como já provou o também tucano Geraldo Alckmin.
