O Palmeiras não fazia um mau primeiro tempo. Tinha criado uma chance numa boa jogada de Diego Souza, que depois de várias partidas no ostracismo mostrava um bom futebol, e poderia virar o primeiro tempo pelo menos com o empate.
Eis que já no apagar das luzes toma o gol de Rafael Marques numa bobeada do zagueiro Maurício Santos.
Obina cobra forte o companheiro, é empurrado e revida com violência. Resultado: Ambos são expulsos na volta para o segundo tempo.
Obina nem voltou. Malandramente Muricy Ramalho tentou substitui-lo por Vágner Love, mas a alteração não foi permitida pelo árbitro Heber Roberto Lopes.
A não ser que Love entrasse na vaga de outro. Do expulso Obina, não.
Maurício voltou para campo só para receber o cartão vermelho.
Para contornar, Muricy teve que tirar Ortigoza e colocar o terrível Marcão para arrumar a zaga.
O Palmeiras tomou mais um gol no segundo tempo. Max Lopes aproveitou-se da falha de Marcão e Armero e completou paras as redes.
Placar final: 2 x 0, para o Grêmio, que ainda teve dó do Palmeiras, pois jogou todo o segundo tempo contra 9 e não forçou muito. Se segurou, respeitou o combalido Palmeiras.
Foi um vexame para a história do clube. A diretoria agiu rápido e assim que a partida terminou, o vice-presidente Gilberto Cipullo informou no microfone Jovem Pan: “Maurício Santos e Obina não vestem mais a camisa do Palmeiras. O que eles fizeram jamais poderia ter ocorrido. É um desrespeito a entidade e aos companheiros. Estão fora e é irrevogável”.
Muricy Ramalho, claramente contrariado e chateado com a situação, admitiu que quando chegou nos vestiários após o jogo a decisão já tinha sido tomada pela diretoria e ele só pôde acata-la.
Deixou no ar que se dependesse dele, talvez tomasse uma decisão hoje com a cabeça mais fria analisando a situação dos dois.
“O Obina tem uma carreira consolidade e volta para o Flamengo. Vai tocar sua vida, mas o Maurício é um garoto que subiu este ano, é da base e não sei como vai ser”, completou um decepcionado Muricy.
A diretoria do Palmeiras e o técnico Muricy Ramalho fazem questão de dizer que o elenco tem boa convivência e que nunca esperavam essa atitude dos dois jogadores. Mas ao mesmo tempo especula-se que os últimos resultados transformaram o ambiente num barril de pólvora.
A cobrança é por melhores resultados e ontem ela passou do ponto de forma muito extremada.
Alguns, como o Flávio Prado e o Nílson César, acharam que a diretoria agiu de forma irracional, no calor do momento.
Eu já acho que a diretoria tomou a decisão certa e resolveu logo a questão. Os jogadores cometeram uma falta grave e foram afastados. Acabou esse problema. Agora tem que resolver os outros.
Os outros são buscar a explicação porque um time que teve toda a retaguarda praticamente entregou o Campeonato na reta de chegada e dos últimos 27 pontos disputados só consequiu 6.
Por que esse time sente tanto a hora da decisão? Por que jogadores importantes como Diego Souza caíram de produção? Por que Vágner Love não conseguiu jogar o que dele se esperava? Essas e muitas outras perguntas tem que ser respondidas.
O goleiro Marcos disse que não vai enganar a torcida e avisa que o título não faz mais parte do sonho: “Eu não vou ficar aqui enganando ninguém. O título já era. Agora temos que lutar por vaga na Libertadores”, disse o capitão na saída do gramado.
Muricy Ramalho não o desmentiu e também admite que agora a briga é por vaga na Libertadores embora haja chance matemática de título, mas as dificuldades são imensas.
O Palmeiras terá 10 dias até o próximo jogo contra o Atlético Mineiro, dia 29, no Palestra Itália. Nesses dias, Muricy terá que lamber as feridas, colocar a cabeça no lugar e convencer o elenco que o ano ainda não está totalmente perdido.
Mas haverá a pressão da torcida, da imprensa, de dentro do Palmeiras e dos adversários já neste fim de semana.
Se São Paulo e Flamengo vencerem seus respectivos jogos contra Botafogo e Goiás, ambos no Rio de Janeiro, o Palmeiras ficará a 6 pontos do tricolor e a 4 do rubro-negro na classificação. É muita coisa para tirar somente nas rodadas que faltam para o fim do Campeonato.
Não bastasse isso, em Belo Horizonte tem o jogo Atlético Mineiro e Internacional e se houver um vencedor, o Palmeiras cairá para a quarta posição, pois será ultrapassado pelo vitorioso no número de vitórias, 17 a 16 já que empatarão com 59 pontos ganhos.
A vida do Palmeiras será difícil nas últimas rodadas. O fim de ano não é o esperado pela sua torcida.