A coluna do Juca Kfouri na Folha de hoje merece destaque.
Concordo com ele em tudo, só não saberia expressar com tanta clareza meu pensamento.
Juca torce pelo Brasil, torce por um país melhor, sem falcatruas, sem subterfúgios políticos e esportivos.
Juca é apenas um brasileiro que gosta do seu país.
Vai ser criticado por isto, mas já deve estar acostumado.
É mais fácil recolher os remos e deixar o barco ser levado pela correnteza da ignorância, dos malandros que vivem da publicidade fácil, vendendo sonhos, ilusões, roubando o futuro repetindo o que já fizeram no passado.
Esse é um país que confunde disputar sede de Jogos Olímpicos com ser um país olímpico.
Mas não tenha dúvida, meu caro Juca.
Se eles perderam essa já estarão em campanha no fim de semana para a Olimpíada-2020.
Esse é o problema. Eles não param nunca.
Você também não pode parar.
Leia:
Nem Rio, nem Brasil
Mas é triste chegar quase aos 40 anos de profissão e não querer ver uma Olimpíada no país em que nasci
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NEM RIO-2016, nem São Paulo- -2020, nem Brasília-2024.
Quem sabe, e tomara, Rio- -2028. Tomara mesmo.
Mesmo que, tomara outra vez, não esteja aqui para ver. Ou, então, se estiver, desde que apto a cobrir, jovem aos 78 anos.
Porque um país que não dá a menor pelota para o esporte como fator de saúde pública ou de inclusão social não tem por que pleitear ser sede de uma Olimpíada.
E não acho graça nenhuma em dizer isso, prestes a completar 40 anos de jornalismo.
Primeiro, porque quero muito ver o Rio voltar a ser o que um dia foi nas décadas de 50 e 60, quando o conheci, admirado.
Em segundo lugar, porque, por mais que meus conterrâneos paulistas não me perdoem por isso, acho que esse tipo de evento é sim muito mais vocação do Rio, cartão de visita do Brasil.
Quem sabe se o país não tomará juízo com mais uma decepção e começará a fazer a lição de casa com vistas a pensar em ter o Rio como sede olímpica daqui a 20 anos?
Porque terei das maiores surpresas de minha vida se o Rio for escolhido amanhã, por mais que saibamos o que rola por trás desse tipo de escolha e da capacidade de convencimento que nossa cartolagem tem, ainda mais depois dos fracassos das campanhas Brasília-2000, Rio- -2004 e Rio-2012.
Tanto que, convenhamos, desta vez o marketing está tão benfeito que tem gente bem informada que jura que dará Rio na cabeça.
A surpresa será ainda maior depois que a Casa Branca confirmou a presença de Barack Obama em Copenhague, de onde certamente não cogita voltar de mãos abanando.
Sim, é injusto que pela quinta vez os Estados Unidos sediem a Olimpíada, enquanto a América do Sul continue a chupar os dedos.
Mas a América do Sul é um continente sem tradição esportiva e, portanto, sem tradição olímpica. E nem pode mesmo, porque não tem política esportiva, não tem que correr atrás de medalhas se nem garante educação física nas escolas, coisa obrigatória.
A Espanha, por exemplo, quando resolveu fazer Barcelona-92, trouxe junto uma política cujos frutos rendem até hoje e renderão provavelmente para sempre, como rende a dos Estados Unidos desde há muito tempo e passou a render a da China.
E há ainda, contra nós, a corrupção, a sangria dos cofres públicos.
Respeito o argumento dos que dizem que, se deixarmos de fazer as coisas por causa de corrupção, não faremos mais nada no Brasil.
Até porque o fenômeno não é monopólio nacional, embora a impunidade quase seja -basta dizer que os mesmos que pleitearam Brasília- -2000 estão aí pleiteando a Rio-2016, porque só de candidaturas gerações inteiras enchem o papo, algo em torno de, calcula-se, R$ 180 milhões, boa parte sem prestação de contas até hoje.
Aliás, outro bom motivo para torcer contra a vitória nacional está em que, ao que tudo indica, a derrota significará o fim do reinado de Carlos Arthur Nuzman, o déspota perfumado, que viveria sua derradeira oportunidade. Tomara, tomara.
O Pan-2007 já foi o que foi. Nem tem mais quem o defenda. Chega!