Val Baiano não é Ronaldo
segunda-feira - 2/novembro/2009Val Baiano, 28 anos de idade, 12 gols marcados, é artilheiro do Barueri no Campeonato Brasileiro.
Não jogou contra o São Paulo supostamente punido por ter confirmado que o Cruzeiro mandou dinheiro (mala branca) para o Barueri derrotar o Flamengo, na semana passada.
Trato feito, trato cumprido. O Barueri derrotou o Flamengo por 2 x 0.
Não se sabe se foi pago. Talvez ainda não.
O goleiro Renê viveu a mesma situação do atacante. Foi afastado da equipe no sábado pelo mesmo motivo.
Houve a ameaça do “rigoroso” STJD contra o clube e os jogadores por causa do chamado “suborno branco”.
Andres Sanchez, presidente do Corinthians, que não tem mais interesse no Campeonato, aproveitou e cutucou os dirigentes do Morumbi.
“O São Paulo trabalha bem os bastidores”, dando a entender que a retirada dos jogadores foi acertada entre o tricolor e o Barueri.
Mas quando questionado se é isso mesmo que quis dizer, sai pela tangente e não responde diretamente.
Perguntado se o Corinthians poderia receber dinheiro para ganhar do Palmeiras ontem, em Prudente, se esquivou dizendo que isso é coisa entre os jogadores. A diretoria não participa.
O Palmeiras achou estranha a situação. Gilberto Cipullo, no entanto, disse que o São Paulo não tem nada a ver com isso e aproveitou para elogiar a postura dos dirigentes do Barueri.
Então, quem é o responsável?
Muricy Ramalho pede explicações aos jogadores envolvidos. Eles é que tem que dizer o que houve.
O próximo jogo do Barueri é domingo contra o Internacional, na Arena, e se Val Baiano e Renê entrarem em campo aí vai ficar mais estranho ainda.
Mas o Barueri poderá alegar que a punição foi apenas por um jogo. Foi uma espécie de STJD interno sem precisar dos préstimos do Dr. Paulo Shimidt.
O São Paulo ganhou do Barueri, gol de Jorge Wagner, e chegou aos 58 pontos no Brasileiro.
Agora divide a liderança com o Palmeiras e só perde no saldo de gols.
Mas cá entre nós. Acho que o São Paulo ganharia do Barueri mesmo com Renê e Val Baiano em campo.
Estão tratando os desfalques como se fossem jogadores geniais.
Devo informar que não são. Longe disso.
Renê não é Marcos nem Rogério Ceni. Nem mesmo Felipe ou Bruno, do Flamengo.
Aos 32 anos de idade está no ocaso da carreira e foi muito “juvenil” no caso do “suborno branco”.
Márcio, que jogou no seu lugar no sábado, deu conta do recado.
Val Baiano não é Ronaldo. Não faz toda essa diferença, não.
A única coisa que fica no ar é se houve ou não a “Mala” cheia de dinheiro do Cruzeiro para os jogadores do Barueri.
Se houve, foi uma incrível ironia. Não adiantou nada. O time que pagou para o outro ganhar não conseguiu melhorar muito na classificação e ontem se esqueceu de vencer o então lanterna Fluminense, no Mineirão.
Acho que a mala vai começar a viajar mais nas últimas três rodadas do Campeonato. Agora ainda é cedo.
Em duas semanas será uma briga forte em cima e embaixo e não haverá segunda chance para mais ninguém. O Campeonato acaba de vez.
E vamos deixar de hipocrisia. A mala preta, branca, suborno branco, compra de vitórias ou coisa que o valha, sempre existiu no futebol e não adianta fingir que não existe.
Muita gente que está esperneando hoje já passou pela mesma situação. De uma maneira ou de outra.
Só os rodados Val Baiano e Renê ainda não tinham passado pela experiência.
Será que foi a primeira vez deles? Quanta ingenuidade, não?


Luís Carlos Quartarollo está na Jovem Pan desde o dia 3 de Novembro de 1989. Natural de Piracicaba, onde começou carreira em fevereiro de 1972, sempre trabalhou no esporte, principalmente futebol. Gosta mesmo é de futebol. Mas não dispensa um bom livro e bons filmes. Acha a política a coisa mais falsa que existe.