Palmeiras sentiu demais a falta do volante Pierre ontem na vitória de 2 x 1 sobre o Barueri.
No primeiro tempo a cabeça de área esteve confusa e os zagueiros e o goleiro Marcos foram muito pressionados.
Se o Barueri tivesse um pouco mais de qualidade no ataque teria feito pelo menos um gol.
Aliás, o Barueri continuou com a sua escrita de na maioria das vezes fazer pelo menos um gol no jogo.
Mas quando fez já estava 2 x 0 para o Palmeiras e o jogo praticamente perdido.
Os jogadores reconheceram no intervalo que tudo estava errado na marcação e citavam a ausência de Pierre.
Edmílson gritou demais com todos e principalmente com o garoto Souza que retribuia os gritos acompanhados de gestos mostrando o defeito no meio-campo.
Muricy corrigiu no intervalo.
Voltou com Edmílson como líbero e apostou numa formação de três zagueiros com Maurício Nascimento, Danilo e Marcão, liberando os demais jogadores para o ataque.
Deu certo e ficou provado que talvez seja esta a formação melhor na ausência de Pierre.
Com a volta de Armero domingo contra o Vitória, no Barradão, o time ficará mais equilibrado na defesa, mas talvez os três zagueiros sejam a solução de Muricy.
Da falta que Pierre faz para a falta que não houve e que deu o segundo gol para o Palmeiras.
Diego Souza já tinha aberto a contagem e depois de uma jogada enrolada na área a bola sobrou quase na linha de fundo para Obina.
Este tentou dar o corte e escorregou, o árbitro Cléber Welington Abade deu pênalti.
Como posso condenar o árbitro?
Vendo de trás do gol também achei que foi pênalti indiscutível.
Só na televisão com a câmera invertida vi que Obina escorregou e nem foi tocado pelo volante Ralf.
Se eu vi o que o árbitro viu, errei junto com ele e também teria dado pênalti no primeiro momento, que é quando vale o jogo.
O replay não está na regra.
O bandeira Nílson Monção poderia ter dado uma mãozinho para o árbitro.
A jogada foi na sua frente e ele também não viu.
Ele estava na posição da câmera invertida e passou batido, acompanhou o árbitro.
Vagner Love bateu bem o pênalti sem paradinha e fez o seu gol de número 50 com a camisa alvi-verde já na sua reestréia.
Love foi inteligente quando num primeiro momento partiu para a bola e o goleiro Renê se adiantou.
Ele parou e o árbitro obrigou o goleiro a voltar para cima da linha.
Se toda vez que for bater um pênalti o atacante ficar atento nisso ele complica o goleiro.
Ninguém é obrigado a bater o pênalti se o goleiro já saiu do seu lugar.
Justo ou injusto é o que diz a regra.
Além do pênalti, no qual errei junto com o árbitro, outra reclamação do Barueri é a não expulsão de Edmílson no primeiro tempo.
Abade errou mesmo. O camisa 3 do Palmeiras já tinha amarelo e deu uma entrada merecedora de outro cartão e ele deixou passar em branco.
Nessa eu teria dado amarelo, não acompanharia o árbitro e expulsaria Edmílson por acúmulo de cartões.
Muricy Ramalho ainda reclamou de Abade depois do jogo, mas na verdade ele teve dois erros mesmo contra o Barueri, não errou contra o Palmeiras.
Abade vinha fazendo um ótimo jogo, mas perdeu para a câmera de televisão.
Tem sido assim nos últimos tempos.
A TV vê o que o olho não vê.
Mas para esse lance de pênalti como o de ontem, sou contra usar a tecnologia para corrigir o erro.
O erro faz parte do jogo de futebol.
Assim como os jogadores falham, os repórteres falham, o árbitro também falha.
O futebol ainda é jogado por seres humanos, Graças a Deus.
O dia que a televisão for usada para corrigir tudo vai ficar sem graça.
Vai virar um jogo eletrônico e para isto já existem os Plays Stations da vida.
O que vale é o jogo do campo.
A imagem da TV é apenas uma ilustração para o telespectador.
Lá no gramado é outro jogo.
É o jogo dos humanos que ainda falham e fazem também coisas maravilhosas.
Sou favorável a tecnologia para dirimir dúvidas se a bola ultrapassou a linha de gol, se entrou ou não entrou, para lances interpretativos prefiro os árbitros.
Senão vão pensar em voltar a jogada para que o atacante acerte o chute, para que o goleiro não tome o frango, para que o técnico não erre na escalação e para que os repórteres revejam o que viram a olho nu.
Se bem que hoje tem muito mais gente comentando depois de ver na TV do que ao vivo no estádio.
É o chamado jornalismo burocrático, do escritório, o da bunda na cadeira, preguiçoso, enquanto outros ainda se ralam no campo.
Daqui a pouco vão acabar com as reportagens olho no olho que é quando você sente o entrevistado de perto, percebe se ele está tergiversando ou não.
O olho não finge jamais as emoções do coração, mas às vezes enxerga demais também.
Não é mesmo, Abade? Não é mesmo, Quartarollo?