Washington voltou a fazer gol pelo São Paulo, mas saiu chateado com parte da torcida que o vaia a cada jogada.
O atacante não entende bem o que acontece, mas diz que um dia conquistará também o torcedor que é contra ele.
A verdade é que Washington faz gols.
Não faz em todos os jogos, mas é artilheiro.
Se coloca bem na área, oferece opção para a bola aérea e é perigoso para os zagueiros adversários.
Nos escanteios contra e a favor ajuda muito.
Mas não esperem de Washington nenhuma jogada genial.
Ele não é genial. É um centro-avante a antiga, um pivô, um jogador que faz a parede.
De vez em quando também consegue fazer bons passes e até tabela com os companheiros, mas esta não é a sua principal característica.
Muricy sempre gostou de jogar com um grandão fazendo o pivô a frente, por isso também Washington foi contratado.
Antes dele jogava Aloisio e até Lenílson chegou a ser escalado na função por causa da altura.
São as predileções dos técnicos.
Scolari também gostava de ter um pirolão na frente para resolver pelo alto.
O São Paulo viveu muito tempo do expediente da segunda bola.
Rogério Ceni quebrava no grandão da frente e os companheiros do meio-campo ficavam esperando a bola espirrada para reiniciar a jogada pertinho do gol adversário.
Muitas vezes deu certo, muitas vezes deu errado.
Quem tem Washington não pode ficar esperando jogadas de Careca, de Romário, de Mueller, de Ronaldo.
Isso ele nunca fará, mas estará lá sempre disposto a dividir todas com os zagueiros, abrirá espaços para os companheiros e jogará para o time.
Washington é daqueles atacantes que ou é o melhor em campo ou um dos piores.
Se ele não fizer gol, vão dizer que não serve para nada, mas quando fizer será o centro das atenções.
Essa é a vida do artilheiro nato, aquele que joga para o gol.
Washington ainda fará muitos gols pelo São Paulo, mas tropeçará ainda muito na bola.
Mas a cada tropeção terá mais uma motivação para se levantar e tentar de novo.
A vida do próprio jogador mostra que ele é um guerreiro.
E podem ter certeza, é também boa gente.
Tem se esforçado demais para se aproximar dos companheiros de ataque tentando demonstrar que há boa convivência entre eles, mesmo com a disputa pela posição.
Ontem foi substituído no segundo tempo e foi para o banco de reservas.
Mas fez questão de cumprimentar Borges pelo gol no apagar das luzes.
Assim Washington vai abrindo o caminho e tentando ser útil para o técnico Ricardo Gomes, que embora faça o time jogar com bola no chão, também não desperdiça uma bolinha por cima.
Foi assim que ele fez dois gols ontem contra o forte time do Goiás e ganhou o jogo no Morumbi.