O Superior Tribunal de Justiça Desportiva foi o único que puniu de alguma forma a Máfia do Apito, que tinha como principais protagonistas os árbitros Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon, além dos apostadores que compravam os resultados do Brasileiro-2005.
No dia 2 de outubro de 2005, o então presidente do STJD, Dr. Luiz Sveiter, anunciou que os 11 jogos apitados por Edílson estavam anulados e teriam que ser realizados novamente.
Você se lembra dos jogos anulados?
Vasco da Gama 0 x 1 Botafogo, na terceira rodada.
Paysandu 1 x 2 Cruzeiro, na décima segunda rodada.
Juventude 1 x 4 Figueirense, na décima quarta rodada.
Santos 4 x 2 Corinthians, na décima sexta rodada.
Vasco da Gama 2 x 1 Figueirense, na décima oitava rodada.
Cruzeiro 4 x 1 Botafogo, na décima nona rodada.
Juventude 2 x 0 Fluminense, na vigésima rodada.
Internacional 3 x 2 Coritiba, na décima primeira rodada.
São Paulo 3 x 2 Corinthians, na vigésima quarta rodada.
Fluminense 3 x 0 Brasiliense, na vigésima quinta rodada.
Estes jogos foram anulados numa canetada só.
O curioso é que praticamente a cada duas rodadas o árbitro Edilson Pereira de Carvalho estava escalado.
Ele era considerado um dos melhores do país na época.
Lembram-se dos resultados quando os jogos foram realizados novamente?
Vasco da Gama 1 x 0 Botafogo.
Ponte Preta 2 x 0 São Paulo.
Paysandu 4 x 1 Cruzeiro
Juventude 2 x 2 Figueirense.
Santos 2 x 3 Corinthians.
Vasco da Gama 3 x 3 Figueirnese.
Cruzeiro 2 x 2 Botafogo.
Juventude 3 x 4 Fluminense.
Internacional 3 x 2 Coritiba.
São Paulo 1 x 1 Corinthians.
Fluminense 1 x 1 Brasiliense.
A justiça que absolveu Edílson e Paulo José Danelon devia resgatar os jogos anulados por Sveiter, já que não houve crime na ação do árbitro no entender dos desembargadores que julgaram o caso.
Com os jogos anulados, a classificação final do Campeonato teria o Internacional campeão, com 78 pontos ganhos contra 77, do Corinthians, vice-campeão.
Por causa dos jogos refeitos, o Corinthians ganhou 4 pontos que tinha perdido anteriormente e terminou a frente do Inter um ponto.
O Fluminense teria 67 pontos ao invés de 68.
o Cruzeiro teria 65 ao invés de 60.
O Botafogo 61 ao invés de 59.
O Santos 62 ao invés de 59.
O São Paulo teria 60 ao invés de 58.
O Juventude saltaria para 57 ao invés de 55.
O Figueirense teria 54 ao invés de 53.
A Ponte Preta teria 49 ao invés de 51.
O Paysandu ficaria com os mesmos 41 e cairia do mesmo jeito.
O Brasiliense teria 40 e cairia também do mesmo jeito.
Não haveria mexida no rebaixamento e nem na classificação para a Copa Sul-Americana, mas alteraria justamente o campeão.
O Internacional só teve um jogo anulado, mas venceu o Coritiba pelo mesmo placar, 3 x 2, na partida refeita, portanto manteria os 78 pontos conquistados.
Já o Corinthians perdeu para o Santos, 4 x 2, e para o São Paulo, 3 x 2, e quando jogou de novo venceu o Santos, 3 x 2 e empatou com o São Paulo, 1 x 1.
Como terminou o Campeonato com 81 pontos ganhos contando com os jogos refeitos, perderia os 4 pontos que ganhou “indevidamente” e cairia para 77 pontos, sendo então só o vice-campeão.
É claro que se o Campeonato continuasse normalmente sem anulação das partidas as coisas poderiam se alterar e Corinthians, Goiás que terminou com 74 e Palmeiras, com 70, poderiam ter outros resultados e também brigar pelo título.
A favor do Internacional ainda teve o jogo do Pacaembu contra o Corinthians quando Márcio Rezende de Freitas não deu um pênalti de Fábio Costa em Tinga e ainda expulsou o jogador do time gaúcho por suposta simulação.
O jogo terminou 1 x 1, no Pacaembu.
Analisando tudo isso dá para dizer que Alberto Dualib tinha razão quando disse que o título de 2005 deveria ser dado ao Internacional.
Dualib fazia questão de deslustrar a conquista da então parceira MSI que se anunciava grande participante da conquista.
O nefasto ex-presidente confirmou o que já se desconfiava: “o título de 2005 era do Internacional, a MSI não conquistou nada. Todo mundo sabe como o Corinthians ganhou”, dizia ele.
Mas agora é tarde para voltar atrás.
Ficou apenas na história como um dos Campeonatos mais cheios de erros e vendidos de todos os tempos.
Em tempo: a frase completa de Dualib contida numa gravação clandestina foi a seguinte:
“Olha se não tivesse aquela m… daquela anulação de 11 jogos, nós estaríamos fora… porque o campeão de fato e de direito seria o Internacional”, disse Dualib em conversa com Renato Duprat, empresário que intermediou a parceria do fundo estrangeiro MSI com o clube.
A do texto acima foi para os seus “amigos e correlegionários” nos corredores de Parque São Jorge.
Dualib sabia o que dizia.