Foi literalmente no apito. A frase tão peculiar no futebol apareceu por inteiro ontem no fim do jogo, no Palestra Itália, no empate de 2 x 2 entre Palmeiras e Sport Recife.
O time da casa perdia por 2 x 1, quando aos 39 do segundo tempo a bola sobra para Armero na entrada da área e ele toca por cima para Danilo.
Parecia que o zagueiro estava em impedimento, mas não estava. Elder Granja lhe dava condições.
O problema é que o árbitro Elmo Alves Resende Cunha, de Goiás, apitou e a defesa do Sport parou. O goleiro Magrão nem foi para a bola.
Todo mundo que estava atrás do gol sem fone de ouvido ouviu o apito do árbitro. O companheiro Wanderley Nogueira fala na hora.
Há uma gravação da Jovem Pan, que tem microfone atrás do gol que também mostra o apito. E não foi um só, foram dois.
O árbitro da partida nega que tenha apitado ou paralisado a jogada, mas foi o que aconteceu. O bandeira Fabrício Vilarinho deu uma corridinha para o meio-campo e parou na metade do caminho.
O Palmeiras até merecia o empate pela luta do segundo tempo, mas tudo foi muito estranho.
O Sport protestou veementemente pelo lance. Não dá para falar que o árbitro prejudicou o time pernambucano, ele já estava rebaixado, se houve alguma ação de ajuda foi para o Palmeiras.
Os pernambucanos dizem que valeu a bronca de Belluzzo na arbitragem. Elmo veio assustado para o jogo.
O time de Muricy de novo jogou muito mal e só mereceu o empate por causa da vontade do segundo tempo.
Chegou a estar perdendo por 2 x 0 no primeiro tempo e reagiu.
O Palmeiras agora é líder provisório do Brasileiro com 59 pontos ganhos.
Empata com o São Paulo em pontos e vitórias, mas tem melhor saldo de gols.
Vai depender do jogo São Paulo x Vitória, sábado às 19h30, no Morumbi, para manter a liderança.
O torcedor alvi-verde continua desconfiado e começa a pressionar também Muricy, que admite o mal momento da equipe.
O treinador mesmo em casa começou o jogo com três volantes contra o lanterna do Campeonato.
Sandro Silva, Souza e Edmílson. É homem de marcação demais para quem precisa ganhar a partida.
No intervalo, Muricy sacou Souza e Sandro Silva colocando Deivid Sacony que fez o primeiro gol e é meia, e Pierre, um verdadeiro volante na cabeça de área.
Marcos criticou mais uma vez a falta de personalidade da equipe e disse que o título ficou mais longe apesar de chegar também aos mesmos 59 pontos do São Paulo.
Na saída do estádio alguns jogadores palmeirenses foram hostilizados pela torcida e o presidente da Mancha Alvi-verde, que anda livremente nas dependências de Palestra Itália, fazia ameaças a todo mundo.
Não confudam com Paulo Serdan, o da palestra de Atibaia. É outro.
Mais surreal ainda. Enquanto gritava e ameaçava era protegido por seguranças do Palmeiras que o circundavam.
O digníssimo presidente dizia que ninguém podia por a mão nele. E não puseram.
O Palmeiras tem todas as condições para ser campeão embora não dependa mais só dele.
O problema é que não tem jogado um futebol para chegar ao título.
Em alguns momentos o time chega a ser ridículo. Está afobado demais e se perdendo em coisas simples como jogar futebol.
Muricy alega que perdeu jogadores importantes como Cleiton Xavier, que era seu homem de ligação, mas dos últimos 24 pontos disputados só ganhou seis e alguns com muita dificuldade.
Hoje o Palmeiras, mais do que nunca, vive da ligação direta da defesa para o ataque e da bola parada de Figueroa.
Quando está pressionado o Palmeiras tenta empurrar o adversário para dentro de sua área de qualquer jeito, como se jogasse futebol americano.
Vale dizer que o Sport teve o zagueiro Durval expulso aos 23 do segundo tempo, mais um fato para reclamação do time do Recife, ficou com dez e mesmo assim o Palmeiras quase perdeu o jogo.
Dessa vez o apito fez a diferença e ainda não se sabe se haverá ou não coletiva de Luiz Gonzaga Belluzzo para falar do caso.
Ao mesmo tempo, Gilberto Cipullo, vice-presidente do clube, se manifestou antes do jogo contra o STJD que indiciou o goleiro Marcos em artigo diferente ao de Rogério Ceni, expulso contra o Santos, e que só tomou um jogo.
A jogada de Ceni foi mais violenta, pelo menos plasticamente, que a de Marcos e ele entrou num artigo mais brando.
Marcos pode pegar no mínimo dois jogos de suspensão por uma falta normal contra Jorge Henrique no pênalti cometido em Presidente Prudente.