Prendam Belluzzo. O inimigo público número 1
quarta-feira - 18/novembro/2009O STJD deu 270 dias de suspensão para o presidente Luiz Gonzaga Belluzo por ofensas e “ameaças” ao árbitro Carlos Eugênio Simon após a derrota do Palmeiras para o Fluminense, no Maracanã.
Foi uma derrota doida com erro do árbitro contra o Palmeiras.
Belluzzo perdeu a compustura e foi punido.
Só voltará ao comando do Palmeiras no dia 6 de agosto de 2010.
Tem direito a recurso ou tentar trocar a pena por cestas básicas, como se diz por aí, depois de cumprir pelo menos metade do prazo.
O Departamento Jurídico do Palmeiras buscará a comutação via recurso, o que é seu direito.
Não discuto o tamanho e nem rigor da pena. O que discuto aqui é transformar Belluzzo em vilão de uma hora para outra.
Ele cometeu um erro, fugiu até da liturgia do cargo e tinha que ser punido mesmo.
O que não pode agora é o Ministério Público querer processa-lo, enquadra-lo como se fosse um bandido de rua.
Belluzzo extrapolou. Falou como torcedor fervoroso, desgostoso com os erros contra seu time e passou do límite, foi direto para a arquibancada.
Mas o límite para por aí. É uma figura pública reconhecida que nunca matou ninguém, não robou ninguém e nem bateu, embora tenha prometido se o encontrasse, em Carlos Eugênio Simon.
Várias vezes já disse que vai responder pelo seu erro. Não fugiu das repercussões do seu ato, ao contrário confirmou tudo e não jogou nas costas da imprensa como muitos fazem.
As frases “Não foi isso que eu disse” ou “Eles me entenderam mal” não apareceram em nenhum momento. Ele não gosta de Simon, tem suas razões e são respeitáveis.
O resto fará parte do processo envolvendo Simon como ofendido e Belluzzo como réu. É para isso que existe justiça.
Na esfera esportiva ele já tem a sua pena. O outro processo demorará mais e é até passível de acordo, de pedido de desculpas ou coisa que o valha.
Portanto, não transformem Belluzzo em inimigo público número 1. Ele não é.
Há outros muitos mais perniciosos e perigosos que infestam este mundo e que não valem uma manchete e nem a perseguição eterna dos nossos poderes.
Tem muito Procurador querendo aparecer em cima dos fatos ligados ao futebol. É manchete certa. Aqui não vai ser.
Para Belluzzo já basta a pena do STJD, basta o processo de Simon. Tenho certeza que ele também já se culpou bastante e vai se culpar ainda por muito tempo.
Assim fazem aqueles que sabem que erraram, mas que não recuam nem desmentem por pressão do politicamente correto. Apenas respondem pelos seus erros. Não deixa de ser um exemplo para a hipocrisia reinante.


Luís Carlos Quartarollo está na Jovem Pan desde o dia 3 de Novembro de 1989. Natural de Piracicaba, onde começou carreira em fevereiro de 1972, sempre trabalhou no esporte, principalmente futebol. Gosta mesmo é de futebol. Mas não dispensa um bom livro e bons filmes. Acha a política a coisa mais falsa que existe.