As possibilidades de Aguirre no São Paulo

Felipe Altarugio   19/04/2018   Comentários desativados em As possibilidades de Aguirre no São Paulo

(Foto: São Paulo FC)

Após alguns jogos sob o comando de Diego Aguirre, já é possível identificar alguns padrões e possibilidades táticas para o São Paulo. Aguirre, em suas passagens por outras equipes, privilegiava a rotatividade de jogadores, funções e esquemas. Além do rodízio de jogadores em si, havia também um revezamento de posições e funções táticas de acordo com a necessidade ou as circunstâncias de cada partida.

A partir das escalações e formações do São Paulo nos últimos três jogos (Atlético-PR, Rosário Central e Paraná), é possível, por exemplo, esboçar três formações diferentes com os mesmos jogadores. Mas isso é apenas como um exercício de possibilidades, porque Aguirre não vai ter 11 titulares no São Paulo. Pelo seu entendimento de time e elenco e pelo que fez em outras equipes, Aguirre terá um grupo de 15 ou 16 jogadores que vão atuar constantemente, além de outros jogadores que participarão pontualmente de alguns jogos.

Escolhi onze desses 15 ou 16 para ilustrar os esquemas táticos.

Para esse exercício, vou utilizar Sidão, Militão, Rodrigo Caio, Arboleda, Régis, Jucilei, Petros, Liziero, Nenê, Tréllez e o recém-chegado Everton. Mas é importante ressaltar que o Tricolor ainda tem em seu elenco Reinaldo, Júnior Tavares, Bruno Alves, Cueva, Marcos Guilherme e Valdívia como jogadores que têm sido bastante utilizados por Aguirre. Em contrapartida, nomes como o de Diego Souza, Brenner, Edimar, Caíque e Anderson Martins, que foram constantes com Dorival Júnior, têm aparecido menos nas escalações.

Observações importantes:

As formações abaixo não são as escalações que eu considero “ideais” para o time. São apenas um exercício de variação tática dentro de um grupo reduzido de peças.

A ideia dessa projeção é mostrar a versatilidade de esquemas com as mesmas peças, o que não quer dizer que Sidão, Militão, Rodrigo Caio, Arboleda, Régis, Jucilei, Petros, Liziero, Nenê, Tréllez e Everton serão titulares, e muito menos que eu ache que devam ser titulares. O ponto é que, somente com esses onze jogadores citados acima, podemos montar três grandes formações diferentes: 3-4-3, 3-5-2 e 4-3-3 – formações que já foram ensaiadas e até utilizadas por Aguirre nesse começo de trabalho no São Paulo em jogos diferentes e até mesmo em momentos diferentes dentro do mesmo jogo.

Esse tipo de versatilidade permitiria ao técnico do São Paulo, por exemplo, alterar o esquema tático com o mínimo de substituições necessárias durante o decorrer da partida.

O São Paulo jogou com uma formação parecida com o 3-4-3 no segundo tempo do jogo contra o Atlético Paranaense na Arena da Baixada. Com uma desvantagem de 2 a 0 no placar, o São Paulo precisou chegar com mais volume na área ofensiva. Nesse jogo, a entrada de Régis recuou Militão para a zaga. Régis e Reinaldo se tornaram jogadores extremamente ofensivos cada um ao seu lado, enquanto Cueva, Nenê e Tréllez jogavam em uma linha ainda mais avançada.

Nessa projeção, Liziero poderia atuar no meio mais aberto pela esquerda, com Régis pelo lado direito. Rodrigo Caio, Militão e Arboleda poderiam compor uma linha de três zagueiros, com Petros e Jucilei mais centralizados no meio-campo. Na frente, Everton avançado pelo lado esquerdo, Nenê na direita e Tréllez mais centralizado, com a importante ressalva de que os três podem alternar de posição entre si, com, por exemplo, Nenê eventualmente aparecendo como opção centralizado e Tréllez mais aberto pela direita.

Outra opção de formação semelhante ao 3-4-3 seria o 3-5-2. Uma formação parecida com essa foi utilizada contra o Rosário Central na Argentina (pelo menos até o momento da expulsão do Rodrigo Caio). A diferença é que contra o Rosário o São Paulo começou com Reinaldo na esquerda, Liziero no meio e Nenê na frente. É possível utilizar os mesmos jogadores da projeção do 3-4-3 nesse esquema. Para isso, Nenê seria recuado um pouco mais para o meio, deixando Everton e Tréllez na linha ofensiva.

Outra possibilidade, ainda usando os mesmos jogadores, é o 4-3-3. Dentro do 4-3-3, existem algumas variações (podendo ser um 4-2-3-1, 4-2-1-3 ou 4-1-2-3) que podem ser usadas por Aguirre. No começo do jogo contra o Paraná, Régis atuou como lateral-esquerdo em uma linha de quatro jogadores na defesa, com Éder Militão fazendo a função de lateral-direito e Bruno Alves e Rodrigo Caio como zagueiros. Jucilei e Hudson jogaram um pouco à frente da zaga, com Cueva mais adiantado e Lucas Fernandes, Marcos Guilherme e Brenner compondo a linha ofensiva.

Nessa projeção, Everton poderia jogar aberto pela esquerda no ataque com Nenê na direita e Tréllez centralizado. Jucilei, Petros e Liziero comporiam o meio-campo e a linha de zaga seria formada por quatro jogadores: Militão e Régis como laterais e Rodrigo Caio e Arboleda como zagueiros.


O objetivo desse post é mostrar que Diego Aguirre tem peças no elenco do São Paulo para manter as suas características de trabalho, sendo talvez a mais importante a possibilidade de variar jogadores, funções e esquemas inteiros entre ou durante os jogos. Com esses 11 jogadores, já foi possível montar três esquemas diferentes; mas o time possui ainda outras opções tão versáteis quanto essas em seu elenco.

O mais importante para o futuro do São Paulo nessa temporada e a longo prazo é que exista uma continuidade. O time não pode sofrer o desmanche que sofreu nos últimos anos, nem a interrupção do trabalho. O São Paulo ainda tem um caminho a percorrer antes de voltar a brigar definitivamente pelos títulos. E isso pode demandar algum tempo.

Como já falei em outro texto, a paciência vai ser fundamental, e o clube precisa saber onde está e onde quer chegar, e esse tipo de trabalho não é imediato. Mas mesmo que o time ainda não esteja em seu ápice, já é possível fazer um Brasileirão mais digno que nos últimos anos, e a partir daí, começar a recuperar o prestígio que foi praticamente esgotado nas últimas temporadas.

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