Mesmo com a eliminação, o trabalho precisa continuar no São Paulo

Felipe Altarugio   29/03/2018   Comentários desativados em Mesmo com a eliminação, o trabalho precisa continuar no São Paulo

(Foto: Rubens Chiri /Divulgação SPFC)

É inegável que a eliminação do São Paulo no Campeonato Paulista tenha sido dolorosa para o torcedor tricolor. Sofrer o gol de Rodriguinho nos acréscimos do segundo tempo e queda na sexta rodada da cobrança de pênaltis dão um toque ainda mais dramático à derrota. Mesmo assim, existem – e talvez pela primeira vez em muitos anos – coisas realmente positivas a se destacar das últimas atuações do time, e aquela perspectiva de que talvez as coisas possam melhorar.

Primeiro, a vibração. O São Paulo foi intenso no jogo. Tinha uma proposta e a defendeu até o minuto final. Com dedicação e concentração total. Talvez seja, inclusive, concentração a palavra-chave aqui. Para quem se acostumou nos anos recentes a ver um São Paulo desatento, apático, quase alheio às partidas em que jogava, fossem jogos decisivos ou não, é uma mudança de postura considerável. O time esteve ligado, atento, durante quase todo o jogo.

A intensidade do São Paulo ontem não se resume apenas à entrega, raça, ou força de vontade. É uma intensidade também física, tática, de ocupação dos espaços (ontem, espaços defensivos) e de se manter fiel a uma proposta. Proposta de jogo, aliás, é outra coisa que o São Paulo parecia não ter nos últimos anos. Era como se o time fosse um apanhado qualquer de jogadores se movimentando de maneira aleatória pelo campo, à espera de um lance casual para tentar quem sabe marcar um gol. E é óbvio que isso era muito pouco.

Sobre Liziero, uma fatalidade ter perdido o pênalti decisivo, porque é um dos jogadores que representam essa nova fase do time. Tem um potencial excelente e pode ser muito importante para o São Paulo. É importante que a diretoria tenha também a consciência de que é preciso manter uma espinha dorsal para o time durante a temporada, e que não se desfaça de Liziero, Lucas Fernandes, Caíque, Brenner, Paulinho, Militão – todos jovens e bons jogadores – com a mesma facilidade que desfez os últimos elencos com a temporada em andamento.

Que não contrate jogadores a esmo, como fez com Thomaz, Róbson, Jean Carlos, Marcinho, Denílson e outros nos últimos anos. Esse tipo de contratação, além de ser um desperdício financeiro, já que não são jogadores que chegam para jogar, ainda inibe o crescimento dos jovens do elenco. As contratações precisam ser pontuais e planejadas, diferente do que foi feito até aqui, especialmente no começo deste ano, quando o São Paulo contratou muito mal. Foram contratações também aleatórias, sem uma preocupação em como esses jogadores iriam se encaixar dentro de um time. Até porque o time não tinha um conceito definido. Que todos esses erros do passado sirvam de lição para que não se mate um trabalho promissor, mas que ainda está no seu estágio mais básico e inicial.

O time ainda está longe do ideal, mas a mudança de postura parece deixar o São Paulo um pouco mais próximo de sair da crise que há quase uma década existe no clube. É o primeiro passo de uma longa caminhada. O São Paulo não vai voltar a conquistar títulos da noite para o dia, e é extremamente necessário que torcedores e diretores tenham ciência disso. A jornada até lá é longa, e vai ter altos e baixos. E torcida e diretoria – especialmente a diretoria – vão precisar ter a paciência que não tiveram nos últimos 10 anos e deixar que Aguirre desenvolva um trabalho. Trabalho que nenhum outro conseguiu desenvolver, justamente pela falta de paciência.

 

 

 

 

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