9 técnicos em 12 rodadas: futebol brasileiro não apresenta evolução

Felipe Altarugio   12/07/2017   Comentários desativados em 9 técnicos em 12 rodadas: futebol brasileiro não apresenta evolução

(Foto: Reprodução / Site Oficial)

Na última segunda-feira, o técnico Eduardo Baptista foi demitido do Atlético Paranaense após treze jogos no comando do Furacão. Ele se juntou a Dorival Júnior (Santos), Ney Franco (Sport), Marcelo Cabo (Atlético Goianiense), Paulo Autuori (Atlético Paranaense), Petkovic (Vitória), Guto Ferreira (Bahia), Rogério Ceni (São Paulo) e Vágner Mancini (Chapecoense) na lista de técnicos que deixaram o clube no decorrer do campeonato.

Ao fim da 12ª rodada do Campeonato Brasileiro 2017, foi a nona troca de treinador. Após 120 partidas, a média de mudanças no comando das equipes é impressionante: a cada 13 jogos do Brasileirão, um treinador deixa o cargo.

Isso considerando apenas o Campeonato Brasileiro. Se levarmos em consideração toda a temporada (temporada em que ainda estamos na metade, vale ressaltar), 12 das 20 equipes que disputam a Série A já trocaram de treinador.

Em 2016, no final do ano, apenas o Santos havia mantido Dorival Júnior durante toda a temporada. Os outros 19 times trocaram de técnico ao menos uma vez no ano. Os números são assustadores.

Assustadores e sintomáticos. É um sintoma da falta de planejamento que já faz parte da estrutura do futebol brasileiro. Os clubes trazem profissionais sem a menor percepção de qual seja o conceito, a filosofia e a metodologia de trabalho do treinador. Contratam nomes, e não projetos.

Quantos técnicos realmente puderam implementar um trabalho no futebol brasileiro? E por trabalho, quero dizer no mínimo um ano. É o tempo mínimo dos mínimos para se analisar com algum grau de precisão o projeto de um técnico de futebol. Foram poucos. São poucos, ainda.

Os dados comprovam que criou-se um mito nas últimas temporadas. O mito de que o futebol brasileiro “aprendeu com os 7 a 1”. Que os clubes mudaram. Que a visão de futebol mudou no país. Ilusão que é alimentada pelo bom momento da Seleção Brasileira de Tite.

Criou-se o mito de que após a vexatória derrota para a Alemanha em 2014, o pensamento do futebol no Brasil estaria evoluindo. De fato, mais técnicos brasileiros têm se interessado por estudar as novidades táticas e desenvolver uma filosofia de jogo. Mas não adianta muita coisa ter técnicos mais preparados se a cabeça dos dirigentes segue na era medieval da bola.

E não só parecem não evoluir, como apresentam uma piora nos últimos anos.

O número de trocas de treinadores durante o Campeonato Brasileiro cresceu muito em 2015 e 2016:

Brasileirão 2011 – 22 trocas de técnico
Brasileirão 2012 – 20 trocas de técnico
Brasileirão 2013 – 24 trocas de técnico
Brasileirão 2014 – 23 trocas de técnico
Brasileirão 2015 – 32 trocas de técnico
Brasileirão 2016 – 29 trocas de técnico

É sempre válido ressaltar que esses dados consideram apenas as mudanças feitas durante o Brasileirão nas últimas temporadas, sem contar treinadores que foram demitidos ainda no decorrer dos campeonatos estaduais.

Em 2017, já foram 9. Em 12 rodadas. Onde está a evolução? Onde está a tal mudança de pensamento?

Enquanto essa estrutura viciosa e problemática permanecer, vai ser impossível observar uma evolução efetiva do futebol brasileiro. Mas segue o baile.

 

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