Rogério Micale demitido: mais um passo para trás no futebol brasileiro

Felipe Altarugio   20/02/2017   Comentários desativados em Rogério Micale demitido: mais um passo para trás no futebol brasileiro

Uma das coisas que a gente aprende na vida é a não criar muitas expectativas com algumas coisas. E uma dessas coisas é o futebol brasileiro. Já perdi a conta de quantas vezes nos últimos anos me animei com o prognóstico do nosso futebol para depois ser frustrado. A última foi agora há pouco, com a demissão de Rogério Micale das categorias de base da Seleção Brasileira.

Apenas meio ano depois da conquista do inédito ouro olímpico, Micale perdeu o emprego após a fraca campanha no Sulamericano Sub-20 – em que o Brasil não conseguiu a classificação para o mundial da categoria.

O desempenho da garotada foi mesmo pífio: com os jovens jogadores mais valiosos do continente, terminamos em quinto lugar em um hexagonal onde quatro seleções se classificaram ao mundial.

Mas isso não é, nem de longe, motivo para destruir um trabalho que vinha sendo muito bem feito por Micale. Padrão de jogo, filosofia tática – coisas que nunca havíamos sonhado nem na seleção principal – perderam, mais uma vez, o lugar para o imediatismo do resultado. O diagnóstico cru e mentiroso que é feito no futebol brasileiro quando os resultados começam a ser diferentes do esperado. Mais uma vez, a superficialidade na análise do esporte nos faz voltar vários passos.

O cenário era bom, e o futuro, promissor. Sem Micale, o trabalho terá de ser recomeçado. Fala-se em André Jardine, do São Paulo; Osmar Loss, do Corinthians; e Sylvinho. Nenhum dos três nomes é ruim. Pelo contrário, parecem ser profissionais alinhados com o que há de mais moderno no futebol.

Mas apenas ser moderno não adianta, se não houver respaldo e estrutura para que qualquer um desses realize seu trabalho. Independente de quem assuma a Seleção – Loss, Jardine ou Sylvinho – estará sujeito a esse imediatismo e a ser demitido.

E aí, mais uma vez, o trabalho recomeça do zero.

E aí fica essa sensação de que damos um passo à frente para recuar três passos depois. Perde o futebol brasileiro, cada vez mais atrasado.

Ainda sobre expectativas

Temos em São Paulo um cenário animador: três treinadores promissores – Rogério Ceni, Fábio Carille e Eduardo Baptista – comandam o trio de ferro.

Rogério talvez ainda tenha um respaldo de sua história no clube, mas Carille e Baptista devem sofrer, infelizmente, com a pressão. Não tivemos nem cinco jogos na temporada e já temos torcedores pedindo as cabeças de seus técnicos. Tenho boas expectativas para os times paulistas em 2017, mas fico com a sensação que essas expectativas serão, novamente, frustradas.

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