Como o Liverpool pode complicar a vida do Manchester City na Champions League

Felipe Altarugio   03/04/2018   Comentários desativados em Como o Liverpool pode complicar a vida do Manchester City na Champions League

Estilo de jogo dos times de Jürgen Klopp costuma ser dor de cabeça para Guardiola (Foto: Peter Powell/EFE)

Manchester City x Liverpool talvez seja o duelo mais equilibrado dessas quartas-de-final na Champions League. Os Reds foram o único time a bater o invencível City de Pep Guardiola na Premier League. E esse resultado não foi à toa. O estilo de jogo dos times de Jürgen Klopp historicamente têm sido o melhor antídoto ao futebol praticado por Pep.

Guardiola gosta de manter a posse de bola. Em sua filosofia de jogo, o ataque não começa a ser construído apenas no campo ofensivo. A jogada começa com qualquer posse de bola, seja ela um tiro de meta, um impedimento próximo à área defensiva, um lateral – não importa. Para Guardiola, toda posse de bola é o início de um ataque.

Funcionou assim no Barcelona e também no Bayern de Guardiola, e agora é muito semelhante no Manchester City. Quando o adversário se encolhe e espera pelos ataques do City, como fizeram, por exemplo, Chelsa e United, o City passa a ter o controle quase absoluto do jogo. A jogada começa a ser trabalhada desde o campo de defesa e já chega à metade ofensiva do gramado bem composta. O ataque do City começa na saída de bola defensiva (por isso a busca de Guardiola desde o começo por um goleiro que soubesse jogar com os pés). Se o adversário somente espera, a jogada já chega desenvolvida. É mais difícil segurar.

O Liverpool de Klopp não. Assim como fazia o Borussia Dortmund de Klopp, os Reds pressionam o adversário em seu campo. Atrapalham a saída, não deixam que a jogada já chegue pré-construída ao ataque. E isso, desde os confrontos entre Borussia x Bayern na Alemanha, com Pep no Bayern e Klopp no Dortmund, complica bastante o jogo guardiolista.

E as peças que o Liverpool tem para isso são excelentes: Mané, Firmino e Salah são extremamente rápidos e eficazes na marcação pressão. E, em um dia inspirado, não costumam perder chances de gol. Foi assim na vitória do Liverpool sobre o Manchester City por 4 a 3 no segundo turno da Premier League – a única derrota do City até aqui em 31 rodadas.

Naquele jogo, o Liverpool foi avassalador: manteve uma intensidade impressionante na marcação da saída do City durante boa parte do jogo. E funcionava assim: quando Ederson, o goleiro, ia começar a jogada, Mané fechava Stones e Walker, opções de passe à direita de Ederson. As opções da esquerda eram Otamendi e Delph, mas Salah se posicionava entre os dois, tirando também este recurso do goleiro brasileiro. A saída curta pelo meio, com Fernandinho, era fechada por Roberto Firmino. E, mais à frente, Chamberlain e Wijnaldum acompanhavam Gündogan e De Bruyne – sempre reforçados e protegidos por Emre Can.

Com essa disposição, Ederson tinha opções arriscadas de jogo curto. Precisava recorrer ao lançamento longo para o trio ofensivo, que estava em desvantagem física e numérica em relação à linha defensiva do Liverpool. Era isso ou sair jogando curto, correndo o risco de ser interceptado. E, naquele jogo, especialmente, o ataque do Liverpool estava inspirado: as interceptações resultavam em gols, e os Reds chegaram a abrir 4 a 1 no placar.

A impressionante capacidade de manter essa intensidade durante tempo o suficiente para que se construísse o placar de 4 a 1 foi o que o Liverpool precisava para conquistar os três pontos, objetivo naquele confronto. Em um duelo eliminatório com gol qualificado fora de casa, é natural imaginar que o Liverpool não “relaxaria” após abrir 4 a 1, em um cenário hipotético, conquistando uma boa vantagem para o jogo de volta.

Mas então fica a pergunta: por que os times não usam essa estratégia sempre contra o City? Porque esse tipo de postura e marcação pressão exige um desempenho próximo da perfeição, coisa que o Liverpool conseguiu naquele 4 a 3. Um erro nesse esquema faz com que o time adversário chegue mais perigosamente ao ataque, com maior número de jogadores. Resumindo: para segurar o City, é preciso fazê-lo ainda no campo de defesa, mas qualquer erro nessa zona é potencialmente fatal.

Tanto que no primeiro turno da Premier League, Sadio Mané foi expulso nos minutos iniciais do jogo, comprometendo toda a estrutura de marcação ofensiva do Liverpool. O resultado final foi um elástico 5 a 0 para o Manchester City no Etihad Stadium.

Por isso, de todos os times, o Liverpool é, pelo estilo de jogo, um dos piores adversários possíveis para o City. O que não tira o favoritismo dos Citizens no confronto, especialmente sendo dois jogos. A única certeza é de que vai ser um jogão e que, nesse caso, pela forma com que as duas equipes atuam, podemos esperar por qualquer placar mesmo em Anfield.

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