O futebol é maravilhoso, mas a Roma jogou muita bola

Felipe Altarugio   11/04/2018   Comentários desativados em O futebol é maravilhoso, mas a Roma jogou muita bola

(Foto: Riccardo Antimiani/EFE)

Se eu tivesse que apostar dez vezes em quem passaria no confronto de ontem entre Roma x Barcelona, sabendo que o resultado do jogo de ida havia sido 4 a 1 para o Barça, eu provavelmente apostaria as dez vezes no Barcelona. A bem da verdade, se eu não tivesse assistido aos minutos finais da partida – porque estava vendo Manchester City x Liverpool – eu não acreditaria caso me contassem.

Se eu estivesse caminhando no fim da tarde pela Avenida Paulista sem conhecer os resultados e alguém me abordasse e contasse que a Roma conseguiu reverter a vantagem do Barcelona, eu não acreditaria. Acharia que era alguma brincadeira ou algum tipo de pegadinha. Mas é verdade. E eu assisti, então, ao VT do jogo, buscando entender um pouco do que aconteceu no Stadio Olimpico.

O futebol é maravilhoso, entre outras coisas, pelos resultados inesperados que acontecem com mais frequência neste que em outros esportes. E o resultado de ontem é, sim, surpreendente. Muito. Surpreendente por causa da diferença técnica entre os dois times e pela ótima vantagem que conseguiu o Barcelona no jogo de ida. Mas a Roma não reverteu o confronto apenas porque o futebol é maravilhoso ou somente na base da superação. Precisou jogar – e muita – bola para anular os pontos fortes do Barça e encontrar os espaços que precisava no ataque.

Eusebio Di Francesco manteve a base do 4-3-3 da Roma que não teve um desempenho ruim, apesar da goleada, no Camp Nou. Mas dessa vez tinha Nainggolan. O belga perdeu o jogo de ida por conta de um problema muscular, mas não apenas esteve em campo ontem como foi uma peça fundamental no esquema de Di Francesco.

Contra o Barcelona, Nainggolan jogou um pouco mais avançado que de costume. A ideia era auxiliar na pressão sobre a saída de bola do Barcelona, fechando o lado direito do Barça que tinha Piqué e Semedo, e também ter mais um jogador à frente nos ataques da Roma – protegendo, junto com Strootman, o avanço com a bola de De Rossi. Com Nainggolan, a Roma conseguiu alternar do 4-3-3 para um tipo de esquema 3-6-1.

Em alguns momentos do jogo, o 4-3-3 da Roma assumia uma figura mais próxima a um 3-6-1. A movimentação de Nainggolan foi essencial para essa estrutura. Com o avanço do belga, a Roma diminuiu os espaços para a saída do Barcelona e preencheu bem o ataque. A subida de Nainggolan também protegia, junto com Strootman, a chegada de De Rossi com a bola. Schick recuava um pouco e Kolarov e Florenzi preenchiam as alas. Dzeko era a referência na frente.

Dzeko foi outro que teve papel fundamental no resultado. Se movimentou durante todo o jogo, sem dar paz à defesa do Barça. A formação ofensiva da Roma ajudou casou muito bem com as melhores características de Dzeko: a bola em profundidade e a chegada de frente para o gol. No primeiro gol não conseguiu ser parado pela defesa. No segundo, foi parado por Piqué, mas com pênalti claro.

Assim como o Liverpool, a Roma enfrentou um time superior nessas quartas-de-final da Champions League. E tanto os italianos quanto os ingleses usaram, além de muita determinação, intensidade e aplicação tática para conseguirem a classificação. E as virtudes táticas, ao contrário do que muitos pensam, não tiram o mérito que o futebol tem de oferecer essas surpresas. Pelo contrário, só transformam o futebol ainda mais apaixonante.

(Foto: Riccardo Antimiani/EFE)

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