A dois meses da Copa, Espanha tem o melhor futebol entre as seleções

Felipe Altarugio   28/03/2018   Comentários desativados em A dois meses da Copa, Espanha tem o melhor futebol entre as seleções

Espanha massacrou a Argentina por 6 a 1 (Foto: EFE/Mariscal)

O jogo entre Espanha e Argentina colocou definitivamente a Espanha no foco principal desta Copa do Mundo. Sempre citada entre os favoritos, mas muitas vezes sem o merecido destaque, a Seleção Espanhola se torna agora o grande centro das atenções entre as equipes que vão disputar a Copa, faltando pouco mais de dois meses para o torneio.

Espanha de Lopetegui jogou contra a Argentina com De Gea, Carvajal, Piqué, Sergio Ramos e Jordi Alba; Thiago, Koke e Iniesta; Isco, Asensio e Diego Costa

O time de Lopetegui tem, em linhas gerais, um conceito de jogo muito próximo ao da Espanha multicampeã entre os anos 2008 e 2012. O que mudou foi a renovação. Por razões óbvias, não se pode esperar que jogadores que estiveram em alta há dez anos estivessem todos em condições técnicas e físicas semelhantes ainda hoje. Com alguns jogadores experientes, a Espanha conseguiu encontrar novas peças fundamentais para o seu esquema.

A Espanha hoje tem jogadores rápidos (abro aqui um importante parênteses: quando falamos em rapidez, não necessariamente falamos em velocidade de arranque ou corrida do atleta, mas sim da ação rápida, unindo o raciocínio da jogada à execução com o mínimo de toques possível. Um jogador pode ser veloz na corrida mas executar as jogadas de maneira lenta, ou ainda um jogador com menor potencial de velocidade pode ser capaz de efetuar as jogadas rapidamente) e quase todas as peças executam funções táticas muito semelhantes às que exercem em seus clubes.

Além disso, são peças complementares. Isso quer dizer que não são apenas um grupo de bons jogadores reunidos, porque isso por si só não costuma ser suficiente hoje em dia para disputar um futebol de alto nível competitivamente. O time da Espanha possui um conjunto muito coeso e funcional. Um jogador complementa o outro taticamente. Essa seja talvez uma das grandes vantagens da Espanha em relação a quase todas as outras concorrentes ao título da Copa do Mundo.

E tem Isco. Muitos hoje discutem o “tatiquês” e o “futebol de genialidade individual” como duas coisas não apenas distintas, mas completamente opostas. Quando, na verdade, são complementares. O tático pode ser melhorado com a qualidade individual, com o drible, com o lance inventivo, assim como o lance inventivo também pode ser mais eficaz dentro de um esquema tático consistente. Isco na Espanha é um exemplo disso.

Isco mostrou contra a Argentina lances de verdadeira genialidade. Dribles curtos, rápidos, muitas vezes girando sobre a marcação e concluindo o movimento com espaço para avançar se encaixam perfeitamente no esquema tático da Espanha. Melhoram ainda mais algo que já é muito bom. Isco fez isso em praticamente todas as áreas do campo. Usando a sua habilidade para clarear a jogada e encontrar espaços para o avanço do time, Isco é um dos pontos de desequilíbrio individual da Espanha, mostrando que a tática e o talento são, sim, complementares.

Hoje, a Espanha tem o melhor futebol do mundo entre as Seleções. Em dois meses, algumas coisas podem mudar e pode até haver desfalques no time para a Copa. Mas é impensável não incluir os espanhóis entre os grandes favoritos a conquistar o segundo título mundial.


OBS: O comentarista da Rádio Jovem Pan, Bruno Prado, fez uma análise que considero muito pertinente e também complementar a este texto:

 

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