Brigaria pelo título? Como seria a Seleção da Iugoslávia na Copa do Mundo 2018

Felipe Altarugio   10/04/2018   Comentários desativados em Brigaria pelo título? Como seria a Seleção da Iugoslávia na Copa do Mundo 2018

Quais seriam as figurinhas da Iugoslávia no álbum da Copa?

O Brasil terá na Copa do Mundo da Rússia a Sérvia como um dos adversários na fase de grupos da competição. A primeira aparição oficial da Sérvia em Copas do Mundo foi em 2010, mas antes disso o país era um dos estados integrantes da antiga Iugoslávia, seleção que já fez boas campanhas em Copas do Mundo ao longo da história.


A República Socialista Federativa da Iugoslávia foi um país que existiu desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, até o final da Guerra Fria, no começo da década de 1990. Durante muito tempo, foi uma nação consolidada nos Bálcãs, com uma economia estável. Contudo, com a ascensão de Mikhail Gorbachev na União Soviética e a consequente abertura para o Ocidente, a Iugoslávia, que também era um país integrante do bloco socialista, foi perdendo força. Internamente, diferentes etnias, povos e repúblicas começaram a entrar em conflitos políticos.

Em 1991, Eslovênia e Croácia declararam independência e começaram a desintegração da Iugoslávia. Depois, foi a vez da Macedônia declarar sua independência. A Bósnia e Herzegovina foi a quarta nação a se separar, e, no processo, a Guerra da Bósnia deixou centenas de milhares de mortos.

O nome Iugoslávia existiu até 2003, quando o país passou a se chamar oficialmente Sérvia e Montenegro. Três anos depois, às vésperas da Copa do Mundo de 2006, um plebiscito definiu a separação de Montenegro. Kosovo, em 2008, também passou a ser reconhecido por parte da ONU como um estado independente.

A Iugoslávia disputou a Copa do Mundo em 1990, na Itália. Foi a última competição disputada enquanto o país ainda era composto por Sérvia, Montenegro, Croácia, Macedônia, Bósnia e Herzegovina e Eslovênia

No futebol, a Iugoslávia sempre foi uma escola forte. Finalista de duas edições da Eurocopa, semifinalista das Copas do Mundo de 1930 e 1962, participou da Copa do Mundo até 1990. Depois, em 1994, foi banida pela FIFA, que seguiu recomendação da ONU por causa dos violentos conflitos separatistas. Em 1998, voltou ao Mundial, ainda com o nome Iugoslávia, mas apenas Sérvia e Montenegro integravam o bloco. Depois, o país passou a se chamar oficialmente Sérvia e Montenegro.

Stoijkovic foi o principal jogador da Seleção da Iugoslávia na última Copa do Mundo do país, na França em 1998. Naquela copa, apenas Sérvia e Montenegro integravam o bloco iugoslavo.

Em 2006, uma semana antes da Copa do Mundo da Alemanha, foi votado um plebiscito que definiu a separação de Montenegro da Sérvia. Quando a decisão saiu, a seleção já havia sido convocada e estava concentrada para o Mundial. A má campanha da Sérvia e Montenegro na Alemanha, inclusive, é até hoje atribuída à política do país. Nas Eliminatórias, Sérvia e Montenegro foi uma das sensações na Europa, terminando a campanha como a melhor defesa, tendo sofrido apenas um gol. Na Copa, ironicamente, terminou como a pior campanha entre as 32 seleções, sofrendo 10 gols em três partidas.

Na Copa da Rússia, Croácia e Sérvia são as seleções participantes que integravam a Iugoslávia. A Croácia, desde a sua separação, disputou  quatro de cinco Copas – 1998, 2002, 2006 e 2014 – não se classificou apenas à Copa de 2010, na África do Sul – e estará novamente em 2018. Com um terceiro lugar na Copa de 1998, a Croácia é provavelmente a seleção mais bem sucedida após a desintegração da Iugoslávia.


Como um exercício de curiosidade, vamos imaginar como seria uma eventual convocação da Iugoslávia para a Copa de 2018. Se o país ainda existisse, teria à disposição atletas da Croácia, Bósnia, Sérvia, Kosovo, Montenegro, Eslovênia e Macedônia. Com base nisso, elaborei uma convocação de 23 jogadores, nos moldes da Copa do Mundo, de uma possível seleção iugoslava:

GOLEIROS
Oblak – Atlético Madrid (🇸🇮 Eslovênia)
Handanovic – Internazionale (🇸🇮 Eslovênia)
Subasic – Monaco (🇭🇷 Croácia)

DEFENSORES
Ivanovic – Zenit (🇷🇸 Sérvia)
Kolarov – Roma (🇷🇸 Sérvia)
Vrsaljko – Atlético Madrid (🇭🇷 Croácia)
Savic – Atlético de Madrid (🇲🇪 Montenegro)
Lovren – Liverpool (🇭🇷 Croácia)
Nastasic – Schalke 04 (🇷🇸 Sérvia)
Subotic – Saint Etienne (🇷🇸 Sérvia)
Kolasinac – Arsenal (🇧🇦 Bósnia)

MEIOCAMPISTAS
Matic – Manchester United (🇷🇸 Sérvia)
Modric – Real Madrid (🇭🇷 Croácia)
Rakitic – Barcelona (🇭🇷 Croácia)
Pjanic – Juventus (🇧🇦 Bósnia)
Tadic – Southampton (🇷🇸 Sérvia)
Milinkovic-Savic – Lazio (🇷🇸 Sérvia)
Lulic – Lazio (🇧🇦 Bósnia)
Kovacic – Real Madrid (🇭🇷 Croácia)

ATACANTES
Mandzukic – Juventus (🇭🇷 Croácia)
Dzeko – Roma (🇧🇦 Bósnia)
Perisic – Internazionale (🇭🇷 Croácia)
Ibisevic – Hertha Berlim (🇧🇦 Bósnia)

Com essa convocação, seria possível escalar uma seleção no 4-4-2, com o ótimo goleiro Oblak, Ivanovic, Savic, Lovren e Kolarov. O meio seria escalado com Matic como um volante mais recuado, Rakitic e Modric um pouco mais à frente e com Pjanic mais avançado. Mandzukic e Dzeko fariam o ataque, com Mandzukic um pouco mais aberto, como joga na Juventus quando atua ao lado de Higuaín.

Além desses 23 jogadores, alguns outros ficariam de fora. Para citar alguns futebolistas de cada país: em Montenegro teríamos o atacante Jovetic (ex-Manchester City e Inter de Milão, atualmente no Monaco) e o veterano Vucinic (ex-Roma e Juventus). Na Bósnia, poderiam ser chamados o goleiro Begovic (ex-Chelsea e atualmente no Bournemouth) e o meiocampista Besic (Everton). Na Sérvia, poderiam estar na lista o lateral Rukavina (Villarreal), o meiocampista Ljajic (Torino) e o atacante Mitrovic (Newcastle). Da Croácia, ficaram de fora os meiocampistas Rog (Napoli) e Pasalic (Spartak Moscou), além dos atacantes Kramaric (Hoffenheim) e Kalinic (Milan). Da Macedônia, o nome mais conhecido é o do veterano Goran Pandev (ex-Inter de Milão e atualmente no Genoa). E na Seleção do Kosovo, o jovem atacante Avdijaj (Schalke 04) poderia ser lembrado.

Especialmente pelo meio-campo com muita qualidade técnica, a Iugoslávia seria uma fortíssima seleção ainda em 2018. Ainda seriam possíveis outras variações táticas até mais modernas e com outras peças. Essa simulação nos ajuda, inclusive, a entender um pouco mais a história do futebol eslavo. E tentar trazer para os dias de hoje um pouco da força de uma seleção que marcou várias Copas do Mundo.

 

 

 

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